Fundada em primeiro de agosto de 1927. OUSAR LUTAR! OUSAR VENCER!
Mostrando postagens com marcador Comissão Nacional da Verdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comissão Nacional da Verdade. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Torturador sofre "esculacho" no Rio
A Articulação Nacional pela Memória, Verdade e Justiça, que conta com a participação do PCB, além de movimentos estudantis e a Via Campesina promoveram o "esculacho", nesta terça-feira, do militar da reserva Dulene Aleixo Garcez dos Reis, acusado de torturar e matar o jornalista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Mario Alves.
Dulene foi capitão da Infantaria do Exército em 1970 e no ano seguinte serviu no Batalhão de Infantaria Blindada de Barra Mansa. Em 17 de janeiro de 1970, participou da tortura a Mario Alves, que foi morto dentro do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, endereço onde funcionava o DOI-CODI.
Segundo reportagem da Carta Capital de março de 2008, Mário Alves foi torturado por um cassetete de madeira com estrias de ferro, o que causou hemorragia interna, perfuração dos intestinos e sua morte. Dulene mora numa confortável cobertura na na Rua Lauro Miller, 96, Urca, Zonal Sul do Rio de Janeiro.
O membro do Comitê Central do PCB Paulo Schueler falou durante o ato, num chamado à unidade para que ações como a ocorrida nesta manhã continuem ocorrendo, para pressionar a Comissão da Verdade a produzir um trabalho que seja digno dos torturados, mortos e desaparecidos. "Apenas com a pressão das ruas a comissão da Verdade produzirá efetivamente a verdade. Essa luta não durará os dois anos de funcionamento desse órgão, precisamos ir além, derrotar com nossa pressão a decisão do Supremo Tribunal Federal que manteve intacta a Lei de Anistia. Exigimos justiça", afirmou.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Comissão Nacional da Verdade: relato na sua primeira sessão pública
Que a comissão da verdade esteja à altura desse depoimento pungente e verdadeiro!
- que se inclua na conta de mortos e desaparecidos políticos os camponeses mortos (que até onde eu ouvi são em torno de 250) e os indígenas mortos (que até onde eu ouvi são em torno de 2000) - que o estado reconheça este genocídio;
- que se faça uma lista de "afetados/vítimas" incluindo torturados, perseguidos e exilados (estima-se em torno de 30.000 o número de torturados);
- que se faça uma lista de torturadores, incluindo todos as pessoas que trabalharam nos aparelhos da repressão - que se faça uma lista de colaboradores (jornais, tvs, empresas, multinacionais) e de como se deu sua atuação;
- que se esclareça qual foi o apoio internacional dado ao Brasil, tanto por multinacionais como por governos, e como este se deu - que se esclareça como se deu a operação condor e qual foi a relação da ditadura brasileira com as demais ditaduras da América do Sul;
- que se faça uma revisão histórica do que significou o golpe de 64: como e por quem o golpe foi dado? (quem o planejou? quais foram as partes envolvidas? qual o papel de cada uma? quais os interesses do golpe? a quem ele servia? foi um golpe militar ou, mais que isso, um golpe de classe?);
- que se faça um relatório sobre qual é a relação de crimes que continuam ocorrendo (de violação de direitos humanos, corrupção, abuso de poder, repressão e criminalização dos movimentos sociais) com a ditadura (métodos que foram repassados, pessoas que continuam no poder) - questão Gilson dipp - bem, eu não conheço a fundo o caso Gomes Lund, guerrilha do Araguaia X Brasil, mas parece que o senhor participou do julgamento na corte interamericana de direitos humanos. gostaria que esclarecesse qual foi sua atuação/papel lá;
- que seja feita uma parceria com o MPF [Ministério Público Federal];
- que seja quebrado o pacto do possível no qual esta comissão foi constituída, este é um apelo que parece subjetivo mas, ao meu ver, é bem objetivo;
- que se saiba quem são os culpados impunes das barbáries cometidas;
- que não aja mais desaparecidos nessa história;
- que, se alguns destes talvez pretensiosos pedidos não puderem ser acatados, que haja uma declaração oficial sobre o ponto.
O Estado não tem o poder de estabelecer ou "restituir" minha paz familiar, não tem o poder de me reconciliar com aqueles que me oprimem e oprimem a sociedade, aqueles que reprimiram a possibilidade de um avanço social dando o golpe de 64 e que reprimiram e trucidaram a resistência à ditadura.
O Estado não pode me dar a memória da avó que eu não tive, nem ao meu pai e ao meu tio a memória da mãe que o Estado tirou a vida tão cedo, nem as famílias que perdem seus pais e filhos diariamente na guerra do Estado contra a pobreza, cujo pretexto, no presente momento, é a guerra, há tanto perdida, contra o tráfico de drogas. aqui vale comentar que a especulação imobiliária muitas vezes faz o Estado ir além disto.
Bem, disse isso para embasar esta última frase: minha necessidade não é a de saber nas profundezas de que mares o corpo de minha avó foi parar, minha necessidade de familiar de uma desaparecida política e de cidadã é que o povo saiba o que aconteceu, por que continua acontecendo, quem continua no poder, que sistema tem se repetido e o que significa a impunidade."
Assinar:
Postagens (Atom)
