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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quando e por que nascemos - Por: Mauro Iasi




Aos 90 anos do PCB (1922-2012)

Não sei quantos anos temos.

Sei que festejamos hoje 90 anos

porque nascemos em 1922.

Mas, talvez tenha sido antes,

talvez tenhamos nascido em 1917

quando os trabalhadores russos

iniciaram a construção do futuro,

ou foi em 1919 quando na Internacional

sonhamos sonhos planetários.

Talvez tenha sido antes ainda.

Em 1871, na Paris Revolucionária da Comuna

ou em 1848, quando os trabalhadores

levantaram-se para falar com sua própria voz.

Não sei, mas talvez tenha sido antes.

Quando dois alemães se encontraram

e viram o mundo através de nossos olhos

nos mostrando o caminho da emancipação.

Mas talvez não.

Talvez tenha sido há muito mais tempo:

quando um trabalhador

olhou para suas mãos

e percebeu que não eram mais suas mãos.

Quando olhou para seus pés e viu

que a terra não era mais a sua terra.

Não sei, mas acredito que foi ali que nascemos.

Talvez por isso é que nascemos.

Talvez por isso vivemos tanto tempo.

Talvez por isso resistimos.

Talvez por isso estejamos aqui hoje

para dizer aos trabalhadores:

_ Olha, esta são suas mãos,

são seus os produtos do trabalho.

_ Olha, esta é tua terra,

são nossos seus frutos.

_ Coragem, levanta a cabeça e veja:

olha este sol que se insinua

por trás das nuvens que o escondia.

Não há noite tão longa que derrote o dia.

Veja como tinge de vermelho o universo.

_ Levanta tua mão, camarada, assim...

agora fecha o punho, isso...

Lembra como era aquela canção?

Coragem, vocês nunca estarão sozinhos

Porque aqui estamos camaradas.

Por isso nascemos.

Por isso lutamos tanto.

Por isso sobrevivemos.

É por vocês camaradas

que fomos, que somos, que seremos

sempre

Comunistas!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

CULTURA REVOLUCIONÁRIA: poesia de Carlos Marighella

Rondó da Liberdade

Carlos Marighella


É preciso não ter medo,

é preciso ter a coragem de dizer.


Há os que têm vocação para escravo,

mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.


Não ficar de joelhos,

que não é racional renunciar a ser livre.

Mesmo os escravos por vocação

devem ser obrigados a ser livres,

quando as algemas forem quebradas.


É preciso não ter medo,

é preciso ter a coragem de dizer.


O homem deve ser livre...

O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,

e pode mesmo existir quando não se é livre.

E no entanto ele é em si mesmo

a expressão mais elevada do que do que houver de mais livre

em todas as gamas do humano sentimento.


É preciso não ter medo,

é preciso ter a coragem de dizer.