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domingo, 16 de setembro de 2012

"Temos os comunistas como camaradas e irmãos, tomando como exemplo de vida a capacidade de luta e de entrega dos dirigentes e militantes do PCB" - Flávio Tavares




Temos os comunistas como camaradas e irmãos, tomando como exemplo de vida a capacidade de luta e de entrega dos dirigentes e militantes do PCB, tão diferente do oportunismo reles que norteia e comanda hoje a política partidária no Brasil

Todas as grandes campanhas nacionais e populares no Brasil do Século XX foram iniciativas do Partido Comunista e, com elas, superamos a óptica atrasada com que o País encarava a sociedade e a vida. A luta pela exploração do petróleo, a defesa da Amazônia, a preservação das riquezas minerais, a denúncia da voracidade dos grandes monopólios privados -- tudo começou como um grito de alerta do PCB, mesmo na ilegalidade. Antes ainda, em 1922, o PCB leva à rua as reivindicações que serão lei na década de 1930, como a jornada de oito horas de trabalho, as férias obrigatórias e o voto feminino. Em 1946, na Constituinte, o direito à participação dos lucros nas empresas é a grande tese do PCB, numa definição socialista em pleno auge do capitalismo.

Bastaria isto para nos orgulharmos do PCB. Os marxistas, como eu, que não pertencemos aos quadros oficiais do partido, nos orgulhamos de ter estado ombro a ombro com o PCB nessas campanhas e, depois, na luta pelas liberdades nos anos da ditadura iniciada em 1964. Por isto, temos os comunistas como camaradas e irmãos, tomando como exemplo de vida a capacidade de luta e de entrega dos dirigentes e militantes do PCB, tão diferente do oportunismo reles que norteia e comanda hoje a política partidária no Brasil.

Em seus 90 anos, o PCB é o grande exemplo de luta social.

Flávio Tavares

domingo, 24 de junho de 2012

"Depois de 90 anos de luta, pelos anos que virão adiante, eu desejo ao PCB sucesso irrevogável na realização dessa grande tarefa histórica." István Mészáros

Em nossa conjuntura histórica decisiva, o aprofundamento da crise estrutural do capital ameaça a própria sobrevivência da humanidade. Apenas uma estratégia revolucionária obstinada pode assegurar uma saída desta perigosa situação, através da criação de bases verdadeiramente justas para um futuro sustentável. 

O papel da política é vital nesse processo, na condição de que ela tenha por objetivo a superação radical das hierarquias estruturais herdadas do passado. Sem isso, a inércia paralisante da reprodução cultural e material hierarquicamente ossificada está fadada a comprometer até os melhores esforços restritos à política, como confirmam nossos amargos revezes históricos. 

A necessária orientação revolucionária de nossos tempos clama por uma transformação emancipatória através da qual as grandes massas populares possam realmente controlar suas condições de existência, dentro do espírito da igualdade substantiva e sobre as firmes bases desta. Depois de 90 anos de luta, pelos anos que virão adiante, eu desejo a vocês sucesso irrevogável na realização dessa grande tarefa histórica.

Com total solidariedade,
István Mészáros

domingo, 10 de junho de 2012

"O PCB tem os líderes e quadros para assumir uma tarefa essencial de unir a luta nacional e a luta de classes."

James Petras na ilustração de Ben Heine

"Vivemos num tempo de guerras, rebeliões populares e ascenso da luta de classes em escala mundial. O Brasil, mais do que nunca, precisa de uma frente unida de todos os movimentos populares e sindicais para preparar as lutas de massas que se avizinham em nível nacional.

O PCB, com seus 90 anos de luta de classes, desempenhará um papel vital na nova fase revolucionária. O socialismo ressurge como única alternativa necessária à barbárie capitalista. O PCB tem os líderes e quadros para assumir uma tarefa essencial de unir a luta nacional e a luta de classes.

Envio minhas saudações revolucionárias e solidariedade a este encontro histórico.
"

JAMES PETRAS

UM HOMEM DE FERRO E DE FLOR: Vídeo em homenagem a Gregório Bezerra nos 90 anos do PCB

quinta-feira, 10 de maio de 2012

ESTÁ NO AR A HISTÓRIA DO PCB (PARTE 1) EM QUADRINHOS!


Camaradas, companheir@s e amig@s,concluímos a primeira parte do projeto de produção da História do PCB em Quadrinhos. Os arquivos estão disponíveis para download na página do Partido Comunista Brasileiro (www.pcb.org.br).
Durante o Congresso da UJC (União da Juventude Comunista), sairá uma tiragem impressa para distribuição.
O trabalho foi todo desenvolvido a partir da colaboração voluntária de desenhistas de quadrinhos, alguns deles profissionais, que participaram do Concurso Nacional divulgado pela página do PCB: feras como Rosali Colares, Alex D'Ates e Luciano Irrthum. Daniel Oliveira e Márcio Rodrigues foram responsáveis pelo roteiro e argumentos, com supervisão de Ricardo Costa. Dario Silva produziu a capa e Luiz Coutinho fez a diagramação e ainda colaborou com desenhos, revelando uma face até então pouco conhecida deste camarada, sempre solicitado pelo PCB para trabalhos gráficos.
O resultado final é impactante e belo, pela obra artística sensível dos desenhistas, cujos desenhos mágicos deram forma a histórias que jamais poderão ser apagadas. Mas também o é em virtude da fantástica história de lutas abordada e que envolveu tantos homens e mulheres neste país, os quais dedicaram suas vidas em prol da erradicação da exploração e pela construção de novas relações entre os povos, fraternas e justas.
Este resultado só foi possível graças ao trabalho solidário e entusiasmado de todos aqueles que participaram do projeto desde o início. O PCB, ao longo de toda sua história, sempre contou com o apoio de pessoas que, mesmo tendo no peito o ardor da justiça, não militam organicamente em nossas fileiras. Amigos que nos esconderam da prisão,da tortura e da morte, quando estas bateram às nossas portas. Amigos que disponibilizaram seus jornais
e revistas para que nossas ideias, censuradas, pudessem aflorar. Amigos que exigiram a legalidade do Partido,
mesmo nele não estando filiadas, que choraram conosco as nossas perdas e reveses, que nos estenderam as mãos...
Esta é a história do PCB, uma história feita por combatentes e militantes, mas também pelos seus amigos e simpatizantes!
Em breve estaremos produzindo o volume dois, que abordará a história do Partido das lutas contra a ditadura civil-militar de 64 aos dias atuais. Quem gostou da experiência e quiser contribuir para o próximo volume, será um grande prazer.
A HQ do PCB será mais um instrumento de trabalho político e de formação da nossa militância, para divulgação da história de lutas do PCB, no ano em que comemoramos os 90 anos de fundação do Partido. É também material fundamental de difusão da linha política e ideológica atual.
Forte abraço a todos e boa leitura!
Daniel Oliveira - militante do PCB de Minas Gerais e editor do Blog Cultural Rosa do Povo
Ricardo Costa (Rico) - Secretário Nacional de Formação Política do PCB

domingo, 22 de abril de 2012

Sobre os 90 anos do Partido Comunista Brasileiro - Por: Miguel Urbano Rodrigues


Recordei lutas, recordei camaradas que contribuíram para me tornar comunista. Todos hoje mortos: Luiz Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Luís Maranhão, Mario Schemberg, Dias Gomes, Jorge Amado, Fernando Santana, João Saldanha, Giocondo Dias, Caio Prado, Mário Lago e muitos outros.

O renascimento do PCB foi lento, difícil. É ainda um pequeno partido num país de 200 milhões de habitantes. Mas a actual linha revolucionária, traçada por uma direcção marxista-leninista e sustentada por quadros de grande qualidade, proporcionou-lhe em poucos anos um grande prestígio.


Raras vezes um partido comunista se recuperou após uma crise profunda que, no desenvolvimento de uma estratégia e uma táctica incompatíveis com princípios e valores do marxismo-leninismo, implique na prática a renuncia ao objectivo principal: a tomada do poder rumo à construção do socialismo.

A desagregação da URSS e a restauração do capitalismo na Rússia contribuíram decisivamente para que a social democratização de muitos partidos comunistas e em alguns casos para o seu desaparecimento ou transformação em partidos da burguesia neoliberal.

Nesse panorama sombrio, o Partido Comunista Brasileiro emerge como excepção que reconforta.

À beira do abismo, após mais de uma década de vida letárgica, renasceu em 1992, reconstruiu-se como organização marxista-leninista e retomou a sua vocação de partido revolucionário e internacionalista.

Essa realidade ficou transparente nas jornadas que assinalaram as comemorações no Rio de Janeiro do 90º aniversário da sua fundação.
Num breve artigo como este não é possível proceder a uma balanço mesmo superficial dessas comemorações e do seu significado.

A dificuldade é maior porque o Seminário «PCB 90 Anos de Lutas», pelo objectivo, estilo, originalidade e nível ideológico de muitas intervenções foi diferente de tudo o que se podia esperar de uma iniciativa com tais características.

Durante três dias, no salão do Sindicato dos Professores do Rio, alguns dos oradores não se limitaram nas suas comunicações a evocar fases da história do Partido. Foram mais longe, inovaram ao romper tabus na reflexão sobre acontecimentos polémicos, na abordagem pública de temas ocultos por um manto de silêncio.

Representantes de três gerações, identificados com essa aspiração, iluminaram páginas de uma história épica e dolorosa, mal conhecida, contribuindo assim para a sua desejada concretização. Alguns derrubaram barreiras com coragem e desassombro.

Ivan Pinheiro, o secretário-geral, apontou o caminho ao afirmar que se «acertamos muito (…) também já erramos muito.»
Na mesa em que Anita Prestes e ele falaram sobre «O reformismo e a tentativa de liquidação do PCB», a filha de Luiz Carlos Prestes, hoje historiadora prestigiada, orientou o discurso sobretudo para o prolongado choque do seu pai com a maioria do Comité Central que defendia um desenvolvimento capitalista autónomo e democrático do Brasil, estratégia que acorrentou o partido a uma aliança tácita com sectores da burguesia nacional supostamente antiimperialitas.

Mauro Iasi, Edmilson Costa e José Paulo Neto foram brilhantes na descida às raízes da política que distanciou o PCB da sua vocação revolucionária. Com estilos diferentes, valorizaram a resistência das bases e de muitos dirigentes à estratégia reformista da conciliação, resistência que, finalmente, tornou possível o renascimento do Partido que, na fidelidade aos princípios, reafirma hoje com firmeza, olhos num futuro sem data, que a meta da Revolução Brasileira – a que lhe imprime o carácter - é a construção do socialismo.

A HISTÓRIA ESQUECIDA

Foi com emoção que acompanhei esses debates e intervim no Seminário internacional que se seguiu ao dedicado aos temas nacionais.

Vivi em São Paulo, exilado, de l957 até à Revolução portuguesa e, como militante do PCB, tive a oportunidade de participar modestamente das lutas do povo brasileiro.

Por decisão do ministro da Justiça um livro meu foi apreendido. Detiveram-me algumas vezes e fui submetido a prolongado interrogatório por um inspector da famigerada Operação Bandeirantes, a criminosa organização militar- terrorista da ditadura.

Vivi como internacionalista as crises que então atingiram o PCB. Elas são evocadas num lúcido artigo dos camaradas Ricardo Costa, Milton Pinheiro e Muniz Ferreira, publicado na edição especial de «Imprensa Popular», órgão do Partido e no seu sítio na internet (www.pcb,org,br)

Esse trabalho, abarcando sobretudo as décadas de 50 e 60, é uma página de história. Os autores, membros do actual Comité Central, despojam de secretismos as sucessivas e complexas disputas internas surgidas no PCB a partir do relatório secreto de Krutchov ao XX Congresso do PCUS. Todas envolveram a definição da estratégia e da táctica correctas a adoptar para a construção da alternativa socialista.

Da primeira crise surgiu o PC do B, uma dissidência que, empolgada pelas teses maoistas da «guerra prolongada», iniciou uma guerrilha heróica mas romântica nas selvas do Pará, destruída pelo exército em autêntica chacina. Posteriormente aderiu ao «marxismo albanês» de Enver Hoxha e, finda a ditadura, optou pela via institucional, integrou a coligação que elegeu Lula e actualmente apoia a política de Dilma Roussef em cujo governo participa.

Após o Acto Institucional nº5, em 1968, a ditadura assumiu facetas de fascismo castrense e a repressão abateu-se sobre as forças progressistas numa onda de barbárie.

O PCB foi golpeado por novas cisões inseparáveis da sua política de conciliação. A mais importante foi liderada por Carlos Marighela, o fundador da Acção Libertadora Nacional-ALN, um revolucionário comunista que contou com o apoio de Cuba e teve morte trágica. A linha hesitante do Partidão - assim era conhecido - na definição de uma estratégia de confronto claro com a burguesia contribuiu para a proliferação de mini- partidos e organizações que preconizavam sob múltiplas formas a luta armada. A maioria optou pela guerrilha urbana. Na luta contra o terrorismo de estado alastrou a confusão numa juventude generosa, disponível para a luta, mas despreparada ideologicamente. Foi a época dos sequestros de embaixadores estrangeiros, de aventuras como a do capitão Lamarca, um revolucionário ingénuo, voluntarista. Cada organização, cada grupo, cada partido pretendia ser detentor da estratégia adequada para derrotar a ditadura e levar adiante a Revolução Brasileira. Todos invocavam o marxismo, mas com frequência os textos em que condensavam a sua opção revolucionária eram uma caldeirada de teses de Mao, de Trotsky, do Che, com tempero de disparates extraídos do livrinho irresponsável de Regis Debray, editado clandestinamente no Brasil.

Nesses anos trágicos, o PCB resistiu aos apelos do aventureirismo guerrilheiro. As divergências na direcção não impediram o consenso no tocante a uma questão fundamental: a prioridade da luta de massas no combate à ditadura, com recusa de qualquer modalidade de guerrilha. Mas essa opção não se traduziu numa estratégia e numa táctica revolucionárias.
A crise que se instalou no campo socialista no final dos anos 80 e culminou com a reimplantação do capitalismo na Rússia aprofundou a tendência capituladora e liquidacionista de influentes membros do Comité Central.

A maioria desse Comité Central, impondo uma linha reformista, levou o PCB à beira da extinção.

A exigência da reconstrução revolucionária principiou quando a maioria do CC aboliu o centralismo democrático, e mudou o nome do Partido, criando uma organização social-democrata, o Partido Popular Socialista, que hoje tem um perfil de centro-direita. Mas não conseguiu acabar com o PCB que não deixou de existir um dia sequer, ao contrário do que na Europa foi afirmado inclusive por intelectuais marxistas.

A LENTA RECONSTRUÇÃO

Há dias, ao escutar as intervenções de camaradas da nova geração sobre problemas do mundo contemporâneo, foi para os pioneiros da reconstrução do Partido, iniciada em 1992 que voou o meu pensamento.

Recordei lutas, recordei camaradas que contribuíram para me tornar comunista. Todos hoje mortos: Luiz Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Luis Maranhao, Mario Schemberg, Dias Gomes, Jorge Amado, Fernando Santana, João Saldanha, Giocondo Dias, Caio Prado, Mario Lago e muitos outros.

O renascimento do PCB foi lento, dificil. É ainda um pequeno partido num país de 200 milhões de habitantes. Não tem deputados no Congresso e nas Assembleias dos Estados, nem representantes (quem sabe?) municipais. São transparentes as suas insuficiências. Mas a actual linha revolucionária, traçada por uma direcção marxista-leninista e sustentada por quadros de grande qualidade, proporcionou-lhe em poucos anos um grande prestígio. Enquanto pelo mundo outros partidos comunistas se social-democratizaram, ele volta a desempenhar um papel de crescente importância nas lutas do povo brasileiro e no cenário internacional em todas as frentes onde o combate ao imperialismo estadounidense se tornou exigência revolucionária.
Esse apreço transpareceu nas saudações fraternas que pelo seu aniversário recebeu de personalidades como Óscar Niemeyer, Isztvan Meszaros e James Petras, e nas intervenções dos representantes dos Partidos Comunistas que participaram no Seminário Internacional que se seguiu ao nacional, nomeadamente os da Grécia, da Venezuela e do México. Cito esses três precisamente porque se destacam pela firmeza ideológica no combate ao reformismo e ao oportunismo.

«SOMOS E SEREMOS COMUNISTAS»

Os actos comemorativos do aniversário do PCB ocuparam quase uma semana.

No Seminário Nacional, além das já citadas, houve intervenções de nível elevado pelo rigor da abordagem histórica e riqueza conceptual. Entre elas as de Virginia Fontes, Marcos del Royo e Eduardo Serra.

No Seminário Internacional participaram delegados dos partidos comunistas da Argentina, do México, da Grécia, da Venezuela, de Cuba, do Uruguai e do Colombiano e do Peruano, o secretário-geral do Partido Comunista Sírio e um representante da Frente Popular da Palestina. Como convidados intervieram também o argentino Atílio Borón, a libanesa Leila Gahnen, os embaixadores de Cuba e da Síria no Brasil e o autor deste artigo.

Mesas especiais foram dedicadas à Revolução Cubana, ao povo colombiano, vítima de um regime neo-fascista, e à condenação das guerras imperialistas no Médio Oriente.

Foi emocionante a visita de brasileiros e estrangeiros, numa jornada de camaradagem, ao lugar onde, a 25 de Março de 1922, foi fundado na cidade de Niterói o Partido Comunista Brasileiro. Nenhum dos presentes havia ainda nascido, mas a corrente da fraternidade formou-se instantaneamente na evocação do punhado de revolucionários – eram apenas nove - que numa casa hoje desaparecida se reuniu para desafiar o futuro.

O encerramento da semana de comemorações teve por cenário a sala do plenário da Câmara Municipal de Niteroi. Ali se reuniu o actual Comité Central com a presença dos convidados estrangeiros e de velhos militantes e elementos da juventude do Partido. Ali abracei a camarada Zuleide Faria de Melo, ex- presidente do Partido.

As estrofes da Internacional soaram no anfiteatro de uma instituição da burguesia enquanto se bradava em coro uníssono:
«Fomos, somos e Seremos Comunistas!»

Vila Nova de Gaia, Abril de 2012


domingo, 15 de abril de 2012

"Temos que estar à altura das possibilidades que a conjuntura nos oferece” - Entrevista com Ivan Pinheiro, Secretário Geral do PCB

Ivan Pinheiro, Secretário Geral do PCB

 Membro do Comitê Central do PCB desde 1982 e Secretário-geral do Partido desde 2005, quando da realização do seu XIII Congresso, Ivan Pinheiro recebeu a equipe do Imprensa Popular para conversar sobre as comemorações de 90 anos do PCB e os desafios atuais para a organização. Durante a entrevista, Ivan deixou claro que os comunistas brasileiros estão diante de boas possibilidades para o fortalecimento do PCB, mas que para isso ocorrer o Partido terá que vencer algumas deficiências em seu trabalho político e organizativo.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quando e por que nascemos - Por: Mauro Iasi




Aos 90 anos do PCB (1922-2012)

Não sei quantos anos temos.

Sei que festejamos hoje 90 anos

porque nascemos em 1922.

Mas, talvez tenha sido antes,

talvez tenhamos nascido em 1917

quando os trabalhadores russos

iniciaram a construção do futuro,

ou foi em 1919 quando na Internacional

sonhamos sonhos planetários.

Talvez tenha sido antes ainda.

Em 1871, na Paris Revolucionária da Comuna

ou em 1848, quando os trabalhadores

levantaram-se para falar com sua própria voz.

Não sei, mas talvez tenha sido antes.

Quando dois alemães se encontraram

e viram o mundo através de nossos olhos

nos mostrando o caminho da emancipação.

Mas talvez não.

Talvez tenha sido há muito mais tempo:

quando um trabalhador

olhou para suas mãos

e percebeu que não eram mais suas mãos.

Quando olhou para seus pés e viu

que a terra não era mais a sua terra.

Não sei, mas acredito que foi ali que nascemos.

Talvez por isso é que nascemos.

Talvez por isso vivemos tanto tempo.

Talvez por isso resistimos.

Talvez por isso estejamos aqui hoje

para dizer aos trabalhadores:

_ Olha, esta são suas mãos,

são seus os produtos do trabalho.

_ Olha, esta é tua terra,

são nossos seus frutos.

_ Coragem, levanta a cabeça e veja:

olha este sol que se insinua

por trás das nuvens que o escondia.

Não há noite tão longa que derrote o dia.

Veja como tinge de vermelho o universo.

_ Levanta tua mão, camarada, assim...

agora fecha o punho, isso...

Lembra como era aquela canção?

Coragem, vocês nunca estarão sozinhos

Porque aqui estamos camaradas.

Por isso nascemos.

Por isso lutamos tanto.

Por isso sobrevivemos.

É por vocês camaradas

que fomos, que somos, que seremos

sempre

Comunistas!

sábado, 31 de março de 2012

Ato político plural comemora 90 anos do PCB




“É uma grande emoção estar aqui neste ato de comemoração dos 90 anos do PCB, este Partido que poderia ter morrido aos 70 não fosse a combatividade dos seus militantes, que souberam resistir ao liquidacionismo”. A frase, do secretário-geral Ivan Pinheiro, marcou o ato público em comemoração ao aniversário do Partido.

O ato foi precedido pela exibição do filme “Fomos, somos e seremos comunistas”, a mostrar a trajetória de resistência da militância para manter o Partido Comunista Brasileiro e realizar a reconstrução revolucionária.

Realizado no 9º andar da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), palco de grandes manifestações em defesa do petróleo, pela democracia e até mesmo da comemoração dos 60 anos do Partido, o auditório estava lotado de representações de Partidos Comunistas de inúmeros países, de organizações de comunistas, de representantes de inúmeras entidades dos mais diferentes matizes, militantes, ex-militantes e amigos do PCB.

A medalha Dinarco Reis é concedida anualmente a cinco militantes que marcaram a história do Partido. Durante o ato foi entregue a medalha por Zuleide Faria de Melo e Dinarco Reis Filho em nome do Comitê Central ao camarada João Massena (in memorian), assassinado em 1974 pela ditadura. Quem a recebeu foi sua Joana, uma dos seus seis netos:

- Ele não é vovô dos almoços de domingo, mas está presente entre nós. Morreu pela felicidade de todas as netas do mundo, tenho muito orgulho de ser neta dele. Muito obrigado.

Outra medalha foi entregue, desta feita a Eliseu Alves, completando 100 anos em 2012, com imensa trajetória de lutas no Partido, no movimento sindical e no Legislativo. Com dificuldades de locomoção, o camarada recebeu a medalha de Ivan Pinheiro que confessou ter empatia pelo prestigiado, com quem aprendeu muito sobre o movimento sindical. Em sua fala o centenário comunista declarou: “Ideia é coisa que não se compra, ideia é coisa que não se vende”, demonstrando toda a sua convicção nos ideais revolucionários. Afirmou ter como riqueza material apenas “um casebre que consegui através do INSS”.

Compuseram a mesa o secretário-geral do Partido, Ivan Pinheiro; Zuleide Faria de Melo; o secretário político do PCB no Rio de janeiro, Paulo Oliveira; Maurício Azedo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa; Amaury Soares, da Corrente Comunista Luís Carlos Prestes; Ricardo Gebrim, da Consulta Popular; o deputado estadual Paulo Ramos (PDT); o jornalista Milton Temer, representante do PSOL; Marina dos Santos, representante do Movimento dos Sem Terra (MST); o deputado federal Alessandro Molon (PT); o representante do PSTU, Dirceu Travesso; Manoel Melato e Francisco Valdo Sousa, da Intersindical.

Durante a cerimônia foram exibidos curtas em homenagens aos militantes comunistas Luiz Carlos Prestes, Gregório Bezerra e Ana Montenegro.

terça-feira, 27 de março de 2012

Emir Sader e Michael Löwy saudam os 90 anos do PCB

Fundado em 25 de março de 1922, o Partido Comunista Brasileiro comemora 90 anos em 2012. Confira abaixo mensagens enviadas pelo cientista político e filósofo Emir Sader e pelo sociólogo Michael Löwy em celebração ao aniversário do PCB:

"Como militante marxista brasileiro, mando minha saudação fraternal aos companheiros do PCB, no momento em que comemoram os 90 anos de um partido com gloriosas tradições de luta, que faz parte definitivamente da história do Brasil. Um abraço, companheiros!" – Emir Sader

"Devido à minha opção trotskista, nunca fui membro do PCB. Mas tenho o maior respeito por um partido que, nos noventa anos de vida, teve em suas fileiras combatentes como Luis Carlos Prestes, Carlos Marighella, Joaquim Câmara Ferreira, Mario Alves, Gregório Bezerra, Apolônio de Carvalho e tantos outros. Acho importante a tentativa dos atuais militantes do PCB de resgatar o fio dessa história, comprometida pela triste involução do PPS e do PCdoB. Um abraço solidário." – Michael Löwy