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segunda-feira, 30 de abril de 2012

CONTINUAM AS PRIVATIZAÇÕES COM DILMA





A gestão do capitalismo no governo da srª Dilma
Estado máximo, só para os bancos 

por Maria Lucia Fattorelli [*]
 
Em meio a insistentes ataques da grande mídia à "corrupção" de autoridades dos três poderes institucionais, uma verdadeira corrupção institucional está ocorrendo no campo financeiro e patrimonial do país, destacando-se: privatização da previdência dos servidores públicos, privatização de jazidas de petróleo — inclusive do pré-sal –, privatização dos aeroportos mais movimentados do país, privatização de rodovias, privatização de hospitais universitários, privatização de florestas, privatização da saúde, educação, segurança…

E muitos outros serviços essenciais, que recebem cada vez menor quantidade de recursos haja vista a luta de 20 anos pela implantação do piso salarial dos trabalhadores da Educação, a recente greve dos policiais na Bahia, ausência de reajuste salarial para os servidores em geral, entre vários outras necessidades não atendidas, evidenciada recentemente na tragédia dos moradores do Pinheirinho em São Paulo, enquanto o volume destinado ao pagamento de Juros e Amortizações da Dívida Pública continua crescendo cada vez mais.

Qual a justificativa para a entrega de áreas estratégicas ao setor privado? Por que criar um mega fundo de pensão para os servidores públicos do país quando os fundos de pensão estão quebrando no mundo todo, levando milhões de pessoas ao desespero? Por que leiloar jazidas de petróleo se a Petrobrás possui tecnologia de ponta? Por que abrir mão da segurança nacional ao entregar os aeroportos mais movimentados para empresas privadas e até estrangeiras? Por que privatizar os hospitais universitários se esses são a garantia de formação acadêmica de qualidade? Por que privatizar florestas em um mundo que clama por respeito ambiental? Por que deixar que serviços básicos, sejam automaticamente privatizados, a partir do momento em que se corta recursos destas áreas? O que há de comum em todas essas privatizações e em todas essas questões?

O ponto central está no fato de que o beneficiário de todas essas medidas é um ente estranho aos interesses do povo brasileiro e da Nação. Os únicos beneficiários têm sido o setor financeiro privado e as grandes transnacionais.

Então, por que o governo tem se empenhado tanto em aprovar todas essas medidas contrárias aos interesses nacionais? E o que diz a grande mídia a respeito dessas medidas indesejáveis? Não divulga a posição dos afetados e prejudicados por todas essas medidas, mas promove uma completa "desinformação" ao apresentar argumentos falaciosos e convincentes propagandas de que o Brasil vai muito bem e que a economia está sob controle.

Ora, se estamos tão bem assim, qual a razão para rifar o patrimônio público? Por que esse violento round de privatizações partindo justamente de quem venceu as eleições acusando a privataria? Na realidade, o país está sucateado. Vejam as estradas rodoviárias assassinas e a ausência de ferrovias; a desindustrialização; o esgotamento de nossas riquezas; as pessoas sem atendimento hospitalar, com cirurgias adiadas até a morte; os profissionais de ensino desrespeitados e obrigados a assumir vários postos de trabalho para sustentar suas famílias; o crescimento da violência e do uso de drogas.

É inegável o fato de que o PIB brasileiro cresceu e já somos a 6ª potencia mundial, mas o último relatório da ONU mostra que ocupamos a vergonhosa 84ª posição em relação ao atendimento aos direitos humanos, de acordo com o IDH [1] , o que é inadmissível considerando as nossas imensas riquezas.

Algo está muito errado. Não há congruência entre nossas riquezas e nossa realidade social. Não há coerência entre o discurso ostentoso e a liquidação do patrimônio nacional. Dizem que temos reservas internacionais bilionárias, mas não divulgam o custo dessas reservas para o país, o dano às contas públicas e ao crescimento acelerado da dívida pública brasileira que paga os juros mais elevados do mundo.

Dizem que temos batido recordes com exportações, mas não divulgam que lá de fora, valorizam os preços das chamadas "commodities" e o que fazemos: aceleramos a exploração dos nossos recursos naturais e os exportamos às toneladas. Mas quem ganha já não é o país, pois as minas, as siderúrgicas e o agrobusiness já foram privatizados há muito tempo.

Outra grande falácia é de que o Brasil está tão bem que a crise financeira que abalou as economias dos países mais ricos do Norte – Estados Unidos e Europa – pouco afetou o país. A grande mídia não divulga, mas a raiz da atual crise "da Dívida" que abala as economias do Norte está na crise do setor financeiro.

A crise estourou em 2008 quando as principais instituições financeiras do planeta entraram em risco de quebra. Tal crise dos bancos decorreu do excesso de emissão de diversos produtos financeiros sem lastro – principalmente os derivativos – possibilitada pela desregulamentação e autonomia do setor financeiro bancário. Embora tivessem agido com tremenda irresponsabilidade na emissão e especulação de incalculáveis volumes de papéis sem lastro, tais bancos foram "salvos" pelos países do Norte à custa do aumento da dívida pública, que agora está sendo paga por severos planos de ajuste fiscal contra os trabalhadores e crescente sacrifício de direitos sociais.

Apesar da monumental ajuda das Nações aos bancos, o sistema financeiro internacional ainda se encontra abarrotado de derivativos e outros papéis sem lastro – tratados pela grande mídia como "ativos tóxicos". Grande parte desses papéis foi transferida para "Bad Banks" [2] em várias partes do mundo, à espera de serem trocados por "ativos reais", principalmente em processos de privatizações.

Assim funcionam as privatizações: são uma forma de reciclar o acúmulo de papéis e transferir as riquezas públicas para o setor financeiro privado. Relativamente à privatização da Previdência dos Servidores Públicos, o Projeto de Lei PL-1992 cria o FUNPRESP que, se aprovado, deverá ser um dos maiores fundos de pensão do mundo.

Na prática, esse projeto se insere em tendência mundial ditada pelo Banco Mundial, de reduzir a participação estatal a um benefício mínimo, como alerta Osvaldo Coggiola, em seu artigo "A Falência Mundial dos Fundos de Pensão": "Com este esquema, o que se quer é reduzir a aposentadoria estatal de modo a diminuir o gasto em aposentadorias e aumentar os pagamentos da dívida do Estado."

A dívida brasileira já supera os R$ 3 milhões de milhões. A grande mídia não divulga esse número, mas o mesmo está respaldado em dados oficiais [3] . Os fundos de pensão absorvem grandes quantidades de papéis, pois funcionam trocando o dinheiro dos trabalhadores por papéis que circulam no mercado financeiro. Os tais "ativos tóxicos" estão provocando sérios danos aos fundos de pensão, como adverte Osvaldo Coggiola: "… duas Argentinas e meia faliram nos Estados Unidos como produto da crise do capital, levando consigo os fundos de pensões lastreados em suas ações. Na Europa, a situação não é melhor. A OCDE advertiu sobre o grave risco da queda nas Bolsas sobre os fundos privados de pensão, cuja viabilidade está ligada à evolução dos mercados de renda variável: "Existe o risco de que as pessoas que investiram nesses fundos recebam pouco ou nada depois de se aposentar".

O art. 11 do PL-1992 não permite ilusões quanto ao risco para os servidores federais brasileiros, pois assinala que a responsabilidade do Estado será restrita ao pagamento e à transferência de contribuições ao FUNPRESP. Em outras palavras, se algo funcionar errado com o FUNPRESP; se este adquirir papéis podres ou enfrentar qualquer revés, não haverá responsabilidade para a União, suas autarquias ou fundações. Previdência é sinônimo de segurança. Como colocar a previdência em aplicações de risco? Qual o sentido dessa medida anti-social?

O gráfico abaixo revela porque a Previdência Social tem sido alvo de ferrenhos ataques por parte do setor financeiro nacional e internacional: o objetivo evidente, como também alertou Osvaldo Coggiola, é apropriar-se dos recursos que ainda são destinados à Seguridade Social para destiná-los aos encargos da dívida pública. 

Clique na imagem para ampliar


As diversas auditorias cidadãs em andamento no Brasil e no exterior, bem como a auditoria oficial equatoriana (2007/2008) e a CPI da Dívida no Brasil (2009-2010) têm demonstrado que o único beneficiário do processo de endividamento público tem sido o setor financeiro.

No Brasil, o gráfico a seguir denuncia o privilégio da dívida, pois a dívida absorve quase a metade dos recursos do orçamento federal, o que explica o fabuloso lucro auferido pelos bancos aqui instalados, enquanto faltam recursos para as necessidades sociais básicas, tornando nosso país um dos mais injustos do mundo.

É urgente unir as lutas contra a privatização do que ainda resta de patrimônio público no Brasil, pois é para pagar a dívida pública e preservar este modelo de "Estado Mínimo" para o Social – e "Estado Máximo" para o Capital – que as riquezas nacionais continuam sendo privatizadas. 

[1] IDH = Indice de Desenvolvimento Humano
[2] Bad banks = instituições paralelas, criadas para absorver grandes quantidades de "ativos tóxicos" que alcançaram volumes tão elevados que passaram a comprometer o funcionamento do sistema financeiro mundial. Até mesmo o G-20 (grupo dos 20 países mais ricos do mundo) chegou a pautar, na última reunião ocorrida em Cannes, a preocupante questão do Sistema Bancário Paralelo.
[3] Elaboração: Auditoria Cidadã da Dívida.

[*] Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida

O original encontra-se em adrianonascimento.webnode.com.br/...


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A privataria petista - Por: Paulo Schueler*




Está para ser escrito o livro que relata as privatizações durante os governos do PT, elevadas a patamar superior com a concessão de aeroportos.

É recente a publicação do livro A privataria tucana, que desmascara os interesses e negociatas por detrás das privatizações que tornam a "biografia" do PSDB e de alguns de seus principais próceres numa ficha corrida de banditismo deslavado.

Sua publicação, aliás, demarcou mais uma vez campos anteriormente estabelecidos: foi amplamente ignorada pelos principais veículos de imprensa do país - aliados ideológicos do modus operandi e da visão de mundo do grão-tucanato, e divulgado com o fervor dos evangelizadores pela parcela da mídia, principalmente virtual, ligada aos interesses e defensora dos governos petistas.

A posterioridade deverá trazer o segundo capítulo dessa história, envolvendo outros canastrões como atores, o PT à frente. É o que podemos depreender do leilão dos 3 principais aeroportos do país, ocorrido na última terça-feira. Realizada em meio ao pregão da Bovespa, a operação dos vendilhões da pátria eleva a novo patamar o entreguismo de PT e aliados.

O PT, durante os dois mandatos de Lula, foi responsável pela privatização de cerca de 2,6 mil quilômetros de rodovias federais, para exploração do grupo espanhol OHL por 25 anos. Também foi responsável pela concessão, por 30 anos, de 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul. A vencedora foi a Vale. O PT privatizou os bancos do Estado do Ceará e do Estado do Maranhão. O PT privatizou ainda as hidrelétricas Santo Antônio e Jirau. Aliás, este é o segundo leilão de aeroportos protagonizado pelo PT: o povo brasileiro já havia perdido o controle do terminal de São Gonçalo do Amarante (RN), em agosto de 2011.

Mais que isso, o PT - sob gerenciamento do PCdoB na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) - privatizou algumas vezes as reservas petrolíferas do país, para empresas nacionais e estrangeiras, e em alguns casos essa privatização foi direcionada a um vencedor, como pode demonstrar a recente descoberta de óleo em área da empresa de extração do milionário preferido do Planalto, Eike Batista.

É o que você acaba de ler: assim como no governo tucano, as privatizações petistas precisam beneficiar os amigos da corte. Não é por outro motivo que a economista Elena Landau, que comandou a Diretoria de Privatizações do BNDES entre 1993 e 1994, foi "fonte" do jornal Valor Econômico para elogiar a participação do banco e dos fundos de pensão no processo dos aeroportos.

O BNDES financiará em 80 % dos recursos dos investimentos totais previstos e até 90% dos itens financiáveis, com juros baixos, a entrega do controle dos três terminais que respondem por 30% do fluxo de passageiros e 57% da carga movimentada ao capital privado.

E a doação do patrimônio público será feita com prazo de 180 meses (para as vencedoras de Guarulhos e Campinas) e de 240 meses (para Viracopos). Apressado para dar satisfação aos interesses por detrás do negócio, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, esteve na Bovespa, considerou o leilão um "sucesso" e disse que o banco está preparado para "auxiliar" os consórcios vencedores.

Se há tantas benesses para o setor privado, em momento de expansão do setor, por que não fazê-lo para a Infraero, reconhecida internacionalmente pela sua competência na operação da infraestrutura aeroportuária? Aliás, 85% dos aeroportos em todo o mundo são públicos, inclusive nos EUA. O que leva o presidente da estatal, Gustavo do Vale, mesmo com a participação de 49% garantida nos 3 aeroportos, a declarar que a empresa "não vai interferir na administração. Vai ser um sócio parceiro"?

Uma dessas "parcerias", aliás, é de longa data dos petistas. E é através dela que A privataria petista será escrita, quando o for: são os três maiores fundos de pensão do país, comandados por... petistas!

Senão, vejamos: o consórcio Invepar Investimentos e Participações e Infraestrutura, vencedor do leilão por Guarulhos (com participação de 90%, os outros 10% são da operadora Airport Company South Africa), tem 82,7% de seu capital controlado pelos fundos de pensão Previ, Petros e Funbcef. A OAS, braço privado da Invepar, tem apenas 17,67% do capital.

Finalizando de forma clara: o BNDES vai bancar a aquisição do principal aeroporto do país para os "capitalistas sem capital" que são filiados ao PT. Vale ou não vale um livro?

* Membro do Comitê Central do PCB