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sexta-feira, 22 de junho de 2012
Torturador sofre "esculacho" no Rio
A Articulação Nacional pela Memória, Verdade e Justiça, que conta com a participação do PCB, além de movimentos estudantis e a Via Campesina promoveram o "esculacho", nesta terça-feira, do militar da reserva Dulene Aleixo Garcez dos Reis, acusado de torturar e matar o jornalista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Mario Alves.
Dulene foi capitão da Infantaria do Exército em 1970 e no ano seguinte serviu no Batalhão de Infantaria Blindada de Barra Mansa. Em 17 de janeiro de 1970, participou da tortura a Mario Alves, que foi morto dentro do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, endereço onde funcionava o DOI-CODI.
Segundo reportagem da Carta Capital de março de 2008, Mário Alves foi torturado por um cassetete de madeira com estrias de ferro, o que causou hemorragia interna, perfuração dos intestinos e sua morte. Dulene mora numa confortável cobertura na na Rua Lauro Miller, 96, Urca, Zonal Sul do Rio de Janeiro.
O membro do Comitê Central do PCB Paulo Schueler falou durante o ato, num chamado à unidade para que ações como a ocorrida nesta manhã continuem ocorrendo, para pressionar a Comissão da Verdade a produzir um trabalho que seja digno dos torturados, mortos e desaparecidos. "Apenas com a pressão das ruas a comissão da Verdade produzirá efetivamente a verdade. Essa luta não durará os dois anos de funcionamento desse órgão, precisamos ir além, derrotar com nossa pressão a decisão do Supremo Tribunal Federal que manteve intacta a Lei de Anistia. Exigimos justiça", afirmou.
domingo, 8 de abril de 2012
Relato de perseguição ao PCB durante a ditadura.

Eu e meu ex-companheiro, George Duque Estrada, fomos presos em meio a uma avalanche de prisões que tinham como alvo o PCB, de norte ao sul do país. Só em São Paulo, em outubro de 1975, estavam detidas 96 pessoas do partidão, dentre as quais: Lenita Yassuda, Dilea Frate, Marisa Saenz Leme, Eleonora Freire, Sonia Morossetti, Sandra Miller, Sarita D’Ávila Mello, Zilda Gricolli, Marinilda Marchi, Rosa Faria, Ana Maria Brandão Dias, Eugenia Paesani, Nancy Trigueiros, Carmen Vidigal Moraes, Cristina Castro Mello, Monica Staudacher, Nanci Marcelino, Celia Candido, Stela Brandão. No DOI-Codi, passei a noite encapuzada, ouvindo os gritos de um homem sendo brutalizado. O dia seguinte, soube depois, foi aquele em que Vladimir Herzog foi torturadoaté a morte. Fui levada à sessão de interrogatório numa sala próxima à outra onde alguém também estava sendo interrogado e torturado. Diziam-me que era meu companheiro. Eram gritos abafados de uma pessoa amordaçada. Achei que iam matá-lo. Os homens que me torturavam se revezavam entre o local onde eu estava e a sala contígua. Estavam num estado de alteração psíquica indescritível. Eu era erguida da cadeira e jogada, nua e encapuzada, como se fosse uma peteca, de mão em mão, no meio de xingamentos e gritaria. Depois, fui submetida a tapas e choques elétricos. Perdi alguns dentes e todas as minhas obturações caíram. Como estava amamentando, o leite escorria pelo meu corpo, o que constrangeu alguns torturadores e estimulou outros. O entra e sai era frenético. De repente, instalou-se um silêncio sepulcral. Sobe e desce de escadas. Os interrogatórios foram suspensos. Na madrugada entre 25 e 26 de outubro, agentes passavam pelos corredores perguntando se 'alguém também estava passando mal'. Pensei que algo de terrível tivesse ocorrido com o George. Não havia sido com ele, mas com o Vladimir Herzog. Foram provavelmente dele os gemidos que ouvi da sala contígua
MARISE EGGER-MOELLWALD, ex-militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB),era estudante de Ciências Sociais quando foi presa no dia 24 de outubro de 1975, emSão Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, é socióloga e trabalha como consultoraem gestão pública e desenvolvimento de políticas sociais.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Jamais esqueceremos! Por: Paulo Schueler*

Descrição:
Registro de noite de projeções de imagens selecionadas e projetadas, das quais participei junto com integrantes da rede de artistas e ativistas "Fora do eixo" ( Beatriz Seigner, Thiago Dezan e Luis Felipe). Incluiu filmes cedidos e outras imagens de arquivo e de pesquisas históricas e pessoais:" Uma Longa Viagem" de Lucia Murat, o "Perdão Mister Fiel" de Jorge Oliveira, "Amenarama", 'Diário de Uma Busca' de Flavia Castro etc.
Noite de 29 de março de 2012, data em que militares comemoravam aniversário do Golpe de 1964. Projeção do início da noite até aproximadamente 23h. Ato Contra a comemoração do golpe militar de 64. Fachada crítica. Herzog, símbolo da luta pela democracia e liberdade de expressão sobre a fachada do Clube Militar. Luz versus obscuridades. Pela Comissão da Verdade sobre os crimes de terrorismo de Estado durante os anos da ditadura militar no Brasil.
