segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Fotos do ataque covarde de Israel à Palestina









Repúdio ao terrorismo do Estado de Israel!

O Comitê Central do PCB vem a público manifestar seu repúdio ao massacre criminoso que está ocorrendo na Faixa de Gaza, promovido pelo Estado sionista de Israel que, sob o pretexto de combater o terrorismo, ataca pessoas indefesas, em sua grande maioria crianças e mulheres palestinas que moram na região, vítimas de bombas jogadas sobre casas, escolas e locais de trabalho. Tecnologias militares modernas são usadas covardemente contra um povo proibido de ter forças armadas convencionais e de obter armamento para se defender.


O governo israelense promove mais uma vez a tática de "ataques preventivos" tão propalada no Governo Bush, aumentando a violência contra o povo palestino que há décadas tem sua nação dividida e usurpada pela partilha imperialista de seu legítimo território e que, no caso da Faixa de Gaza, é palco de privações de todo o tipo, devido ao criminoso embargo promovido pelo governo israelense.


Os ataques ocorridos nesses últimos dias já mataram mais de 300 pessoas e deixaram mais de 1.000 feridos, muitos em estado grave. Parte da região está sem energia elétrica afetando o funcionamento de hospitais.


Pela dimensão do ataque e a generalização inescrupulosa do bombardeio, pode-se garantir que este já é um dos maiores genocídios praticados por armamento de guerra em tão pouco tempo nesse inicio de século. O terrorismo de Estado promovido pelo governo israelense, ao invés de por fim à crise na região, só a aprofunda.


O PCB condena veementemente a carnificina promovida pelo Estado sionista de Israel contra a população palestina e conclama as entidades e organizações populares, democráticas e antiimperialistas a se manifestarem em atos públicos em solidariedade ao povo palestino. Exige também do governo brasileiro que condene com firmeza a infame agressão que, se não for detida imediatamente, pode descambar numa invasão ao território palestino, não com objetivo de ocupação (que já existe na prática), mas de provocar o extermínio desse valoroso povo, que não se curva ao sionismo e ao imperialismo e que merece a mais irrestrita solidariedade dos povos do mundo todo.


Repúdio ao terrorismo do Estado de Israel!

Pela autodeterminação do Povo Palestino!

Pela criação do Estado da Palestina!



Rio de Janeiro, 29 de Dezembro de 2008
PCB- Partido Comunista Brasileiro

Charges...






domingo, 28 de dezembro de 2008

Cessar o massacre de Gaza – Boicotar Israel já! (27/12/08)



por BNC [*]

Hoje, 27/Dezembro/2008,o exército israelense de ocupação cometeu um novo massacre em Gaza, matando e ferindo centenas de civis palestinos, inclusive um número ainda não estabelecido de escolares que retornavam da escala quando começaram os primeiros ataques israelenses. Este último banho de sangue, se bem que mais implacável que os anteriores, não é o primeiro perpetrado perpetrado pelo Estado sionista. Ele coroa meses de um sítio israelense contra Gaza que deveria ser amplamente condenado e sancionado como um acto de genocídio contra 1,5 milhão de palestinos que vivem naquela faixa costeira.

Gaza, 27 décembre 2008 (palestine-info.cc)

Israel parece querer marcar o seu 60º ano de existência da mesma maneira como se instalou – a perpetrar massacres contra o povo palestino. Em 1948, a maioria da população palestina autóctone sofreu uma limpeza étnica sendo expulsa dos seus lares e das suas terras, em parte por massacres como o de Deir Yassin. Hoje, os palestinos de Gaza, cuja maior parte é constituída por refugiados, não tem mesmo a opção de procurar refúgio em outro lado. Aprisionados por trás dos muros de um gueto e acuados à beira da fome pelo sítio, eles são os alvos fáceis dos bombardeamentos cegos de Israel.

O professor Richard Falk, relator especial do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados e professor emérito de direito internacional na Universidade de Princeton, descreveu nestes termos o cerca israelense de Gaza no ano passado, quando este ainda não era comparável em gravidade à situação actual:
"Será um exagero irresponsável associar o tratamento dos palestinos às práticas de atrocidades colectivas dos nazis? Não creio. Os recentes desenvolvimentos em Gaza são particularmente inquietantes porque exprimem de modo evidente uma intenção deliberada da parte de Israel e dos seus aliados de submeter toda uma comunidade humana a condições da maior crueldade que põem em perigo a sua vida. A sugestão de que este esquema de conduta é um holocausto em vias de ser feito representa um apelo bastante desesperado aos governos do mundo e à opinião pública internacional para que ajam com urgência a fim de impedir que estas tendências actuais ao genocídio não conduzam a uma tragédia colectiva".
O episódio mais brutal desta "tragédia colectiva" é o que vemos hoje

Os crimes de guerra de Israel e outras graves violações do direito internacional em Gaza, assim como no resto dos territórios palestinos ocupados, inclusive Jerusalém, não teriam podido ser cometidos sem a cumplicidade directa ou indirecta dos governos do mundo, em particular dos Estados Unidos, da União Europeia, do Egipto e de outros regimes árabes.

Enquanto o governo dos Estados Unidos sempre apadrinhou, financiou e protegeu da censura internacional as políticas do apartheid e coloniais de Israel contra a população autóctone da Palestina, a União Europeia mostrou-se incapaz no passado de apresentar uma cara de respeito pelo direito internacional e pelos direitos humanos universais. Esta distinção terminou efectivamente a 9 de Dezembro último, quando o Conselho da União Europeia decidiu por unanimidade recompensar o desprezo criminoso de Israel pelo direito internacional com a revalorização do Acordo de associado entre a UE e Israel. Este deduziu claramente, a partir desta decisão, que a UE tolera as suas acções contra os palestinos submetidos à sua ocupação. A sociedade civil palestina recebeu igualmente a mensagem: os governos europeus tornaram-se tão cúmplices dos crimes de guerra de Israel quanto o governo dos EUA.

A grande maioria dos governos do mundo, particularmente no Sul, têm igualmente uma parte da responsabilidade. Continuando como de costume a fazer negócios com Israel, por acordos comerciais, compras de armas, ligações universitárias e culturais, aberturas diplomáticas, ele forneceram a base necessária para a cumplicidade das potências mundiais e, em consequência, à impunidade de Israel. Além disso, a sua inacção na ONU é indesculpável.

O padre Miguel D'Escoto Brockman, presidente da Assembleia Geral da ONU, preconizou num discurso recente diante da Assembleia o único caminho moral a seguir pelas nações do mundo nas suas relações com Israel:
"Há mais de 20 anos, nós, as Nações Unidas, havíamos seguido a via da sociedade civil quando havíamos acordado que eram necessárias sanções para proporcionar meios de pressão não violentos contra a África do Sul a fim de que ela ponha fim às suas violências. Hoje deveríamos considerar seguir a via de uma nova geração da sociedade civil, que apela a uma campanha não violenta semelhante de boicote, de desinvestimento e de sanções para fazer pressão sobre Israel a fim de que ponha um fim às suas violações".
Agora, mais do que nunca, o Comité Nacional Palestino para o Boicote, o Desinvestimento e as Sanções (BNC) apela à sociedade civil internacional a que não se limite a protestar e condenar de diversas maneiras o massacre perpetrado por Israel em Gaza, mas a igualmente associar-se à campanha internacional de Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel para por fim à sua impunidade e fazê-lo responsável por suas violações sistemáticas do direito internacional e dos direitos dos palestinos. Sem uma pressão sustentada e eficaz exercida pelas pessoas de consciência do mundo inteiro, Israel continuará a perpetrar gradualmente seus actos de genocídio contra os palestinos, enterrando toda perspectiva de uma paz justa no sangue e sob as ruínas de Gaza, Nablus e Jerusalém.

Comité Nacional Palestino para o Boicote, o Desinvestimento e as Sanções (BNC)
[Palestinian Boycott, Divestment and Sanctions National Committee, (BNC)]
Ramalá ocupada, Palestina
27 de Dezembro de 2008.

[*] O Comité Nacional Palestino para o Boicote, o Desinvestimento e as Sanções (BNC) inclui as seguintesorganizações:
Council of National and Islamic Forces in Palestine ; General Union of Palestinian Workers ; Palestinian General Federation of Trade Unions ; Palestinian Non-Governmental Organizations' Network (PNGO) ; Federation of Independent Trade Unions ; Union of Palestinian Charitable Organizations ; Global Palestine Right of Return Coalition ; Occupied Palestine and Golan Heights Advocacy Initiative (OPGAI) ; General Union of Palestinian Women ; Palestinian Farmers Union (PFU) ; Grassroots Palestinian Anti-Apartheid Wall Campaign (STW) ; Palestinian Campaign for the Academic and Cultural Boycott of Israel (PACBI) ; National Committee to Commemorate the Nakba ; Civic Coalition for the Defense of Palestinian Rights in Jerusalem (CCDPRJ) ; Coalition for Jerusalem ; and Palestinian Economic Monitor.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Comunistas protestam em Curitiba (19/12/08)



Linha Verde: não temos nada a comemorar!

Hoje será inaugurada a primeira etapa da Linha Verde. Mas, diferente do que diz a Prefeitura e a TV, a Linha Verde aumentará ainda mais a exclusão social que já existe em Curitiba. A Linha Verde vai aprofundar a separação da "Cidade-Modelo", onde moram os ricos e o Posto de Saúde não tem fila, e da "Cidade-Perdida", onde moram os trabalhadores e faltam vagas nas creches e Postos de Saúde.

Para construir a Linha Verde, a Prefeitura pegou mais de R$200 milhões emprestados de um banco internacional. Além disso, as empresas que se instalarem lá não vão precisar pagar imposto. Ou seja, na Linha Verde o gasto é da Prefeitura, com o dinheiro de todos, e o benefício é só de alguns. Quando a prefeitura faz alguma obra no bairro, ela cobra de todos os moradores uma taxa chamada "contribuição de melhoria". Na Linha Verde, ninguém vai pagar isso.

A Linha Verde significa concentrar ainda mais a riqueza em Curitiba. Ao invés de diminuir as diferenças entre ricos e pobres na cidade, ela vai aumentar mais essa diferença. Assim, a violência e demais problemas sociais só vão aumentar.

Curitiba só pode ser modelo se for de exclusão social. Na nossa cidade, existem 40 mil famílias precisando de moradia enquanto existem 60 mil imóveis vazios. Sem ocupar esses imóveis vazios e/ou aumentar o IPTU deles, fica impossível resolver o problema da falta de moradia.

Mas não é só a prefeitura de Beto Richa que dá dinheiro aos empresários. No Brasil, nos últimos anos, todos os governos tem dado dinheiro público para as empresas ao invés de investirem nos serviços públicos. É por isso que faltam médicos no HC, faltam vagas na universidade pública, há filas no INSS, a fila da Cohab pode chegar a 15 anos e o Posto de Saúde em Curitiba demora muito. Enquanto isso, o governo dá dinheiro para os planos de saúde, privatiza a previdência, não faz diante de imóveis vazios e paga dívida das universidades particulares.

Nos último meses, com a nova "crise econômica", o Governo Lula (PT/PMDB), o Governo Serra (PSDB/DEM) e os bancos já gastaram mais de R$240 bilhões para ajudar as empresas. Mesmo assim, as empresas continuam demitindo trabalhadores.

Não temos nada a comemorar com essa festa de propaganda da Prefeitura. No dia 15 de dezembro, o prefeito já avisou que vai aumentar o IPTU em 6,5%. Prestem atenção: esse aumento afeta principalmente os mais pobres, enquanto deveria ser o contrário! Os ricos é que precisam pagar mais impostos, mas para estes a prefeitura já garantiu maravilhosos benefícios. Na linha verde, no local onde o prefeito pretende instalar grandes corporações multinacionais, o Tecnoparque, já está garantida a isenção total do IPTU, contribuições de melhoria e ITBI. Desse jeito, quem vai pagar a conta são os trabalhadores! E, para nós, os trabalhadores não podem pagar a conta mais uma vez.

É por isso que nos manifestamos e queremos:

- Fim dos repasses de dinheiro público às empresas;

- Fim das isenções fiscais para empresas;

- Mais dinheiro público para a saúde e educação pública;

- Acesso e mobilidade para pedestres e ciclistas na Linha Verde, por passarelas ou semáforos;

- Moradia já para os companheiros da Ocupação Celso Eidt (Fazendinha)

- Implementação do IPTU progressivo;

- Uso dos imóveis vazios para solucionar a fila da Cohab.



Frente de Esquerda Curitiba (PSOL – PCB – PSTU)
Nota pública sobre declarações do Vereador Sr. João Cláudio Derosso (PSDB) e da Prefeitura Municipal de Curitiba


A Frente de Esquerda Curitiba (formada por PSOL, PCB e PSTU) vem a público repudiar a declaração do Sr. João Cláudio Derosso, presidente da Câmara Municipal de Curitiba, e contestar nota oficial da Prefeitura Municipal de Curitiba divulgada em seu site.

Segundo o jornal Gazeta do Povo (edição de 20/12/08, p. 4), o Sr. João Cláudio Derosso afirmou que a manifestação do dia 19/12 durante a inauguração da Linha Verde foi fruto de “um bando de inconseqüentes sem causa, que fazem de uma esquerda vadia”. O Sr. Derosso afirmou ainda que os manifestantes que lá estavam “mereciam apanhar”. A Frente de Esquerda repudia este tipo de afirmação, que nos faz lembrar triste período da história brasileira, quando da promulgação do AI-5, em 1968. Naquele momento, foram proibidos todos os tipos de manifestação de rua e/ou contestação ao regime político de então. Por acaso o Sr. Derosso tem saudades e deseja voltar a este período?

Para nós, “vadios” são aqueles que se encastelam há mais de 20 anos na Câmara de Vereadores sem ter nunca apresentado um projeto de interesse público sequer, aqueles que fazem de um cargo de representação política mais uma profissão. “Vadios” são aqueles que assumem o poder e só tomam medidas que são contrárias aos interesses dos trabalhadores e da maioria da população.

Vale lembrar que é por conta da ação dos movimentos sociais, populares, sindicatos e partidos de esquerda, que o Sr. Derosso chama de “esquerda vadia que merece apanhar”, que hoje a jornada de trabalho é de 8 horas diárias, que as crianças não precisam mais trabalhar, que o sufrágio é universal, que a ditadura militar foi derrotada no Brasil, que existem os serviços públicos, entre outras conquistas.
Não há mesmo isenção de impostos?

A nota divulgada pela Prefeitura Municipal de Curitiba em seu site, segundo a qual não há isenção fiscal na Linha Verde, joga com as palavras e confunde a população sobre a natureza e a caracterização mais pormenorizada da obra. Afinal, a Linha Verde não apresenta apenas o aspecto viário.

Em sua edição de 25/05/08 – que trazia também a notícia de que zoneamento na região da Linha Verde havia sido aprovado pelos vereadores “sem discussão” – a Gazeta do Povo informava que o conjunto de intervenções urbanas e medidas administrativas associadas à Linha Verde inclui, por exemplo, o Setor Especial da BR 116, constituído por “todos os terrenos situados de frente e na extensão da Linha Verde com até 100 metros de profundidade”.

Esse Setor Especial, por sua vez, se divide em pólos, entre os quais se destaca o Pólo Tecnoparque, espaço planejado para concentrar empresas de tecnologia. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura e pela imprensa – inclusive esta Gazeta do Povo – as empresas que ali se instalarem “recebem incentivos como a isenção do Imposto sobre a Transmissão Intervivos de Bens Imóveis (ITBI), isenção por dez anos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e a redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) de 5% para 2%”.

Para afirmar que a Linha Verde não inclui isenção de impostos, a Prefeitura talvez esteja insinuando que o Pólo Tecnoparque simplesmente não faz parte do projeto que institui a Linha Verde. Mas isso contraria, não só o bom senso, como a própria propaganda oficial da Prefeitura.

É o caso, por exemplo, da entrevista com o Presidente da Comissão de Valores Imobiliários do Paraná, Júlio César Cattaneo, divulgada pelo site oficial do município, com o título Linha Verde movimenta mercado imobiliário, que apresenta o Tecnoparque como a “menina dos olhos” da Linha Verde. Na ocasião, Cattaneo estimava que os valores dos imóveis próximos à obra já se haviam multiplicados “por quatro”, apenas com a notícia de sua possível execução, ainda em 2004 – que não se dirá hoje.

Outro ingrediente do pacote fiscal é a ausência de Contribuição de Melhoria, mecanismo previsto pela constituição para recuperar valores de grandes obras quando beneficiam excessivamente os mais ricos, demonstra que mais do que a isenção formal, prevista na lei do Tecnoparque e no próprio zoneamento da Linha Verde, a omissão em tributar constitui, por si só, uma falha reprovável, condenável e uma promoção inadequada de isenção e favorecimento às custas do dinheiro público.

A Prefeitura Municipal de Curitiba afirma que o tema da isenção fiscal é puramente técnico. Porém, para nós, ele se transforma num tema político a partir do momento que influencia a vida dos cidadãos. E é na esfera política que interessa a Frente de Esquerda promover esta discussão: afinal, a serviço de quem está esta administração? Para quem foi construída a Linha Verde? Por que é que sobram centenas de milhões para fazer esta obra viária, que beneficia poucos, enquanto os problemas na cidade se multiplicam?

Por uma UNE combativa e alinhada com os interesses nacional-populares!


Não queremos criar uma nova organização nacional dos estudantes. Queremos que a UNE volte a ser combativa e não fique andando a reboque do governo neoliberal de Lula tal como vem fazendo.




E A UNE?

Entidades repudiam violência policial durante ato contra 10ª Rodada de Leilão do Petróleo

"E a UNE?

UNE, onde estás que não respondes? Porque não se manifesta? Porque não se posiciona? Onde está aquela belíssima atuação em favor das grandes causas nacionais, inclusive na campanha "o petróleo é nosso"?
Numa época em que o petróleo era apenas um sonho a UNE ajudou as entidades civis e militares empreenderem a maior campanha cívica deste país. E agora que o petróleo é uma realidade, que superou todas as expectativas, a UNE se cala porque, aparelhada vê um lider do seu partido se transformar em lobista do sistema financeiro internacional. Seria isto?
Tenhamos um Natal de Paz e de harmonia. Que 2009 traga um pouco mais de lucidez às pessoas bem intencionadas deste nosso rico e grandioso país.
Grande abraço, companheiros."
Fernando Siqueira (*)

(*) Diretor da AEPET - Associação dos Engenheiros da Petrobrás

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A luta do povo da Grécia




Os Editores (odiario.info) - 12.12.08


A maior greve geral da história da Grécia paralisou na quarta-feira aquele país. Os acontecimentos ali ocorridos nos últimos dias transcendem o quadro local. Os grandes media internacionais tentam minimizar o significado das gigantescas manifestações de Atenas confundindo o movimento popular de protesto com a explosão de violência anárquica desencadeada por grupos de jovens após o assassínio pela polícia de um estudante.

Mas a manipulação desinformativa não pode ocultar os factos.

A greve fora prevista com larga antecedência e a resposta maciça do povo ao apelo das centrais sindicais e do Partido Comunista expressou-se em exigências concretas.

O povo grego condenou nas ruas a ofensiva contra o serviço de saúde e a criação de universidades privadas (proibidas pela lei), exigiu salários dignos para os trabalhadores, o encerramento das bases norte-americanas, a revogação das leis que restringem liberdades e penalizam o trabalho, e a ruptura com Schengen, condenou a fascização das polícias e dos serviços secretos, a militarização da União Europeia e a vassalagem perante os EUA.
Manifestação na Grécia
As manifestações de Atenas e noutras cidades gregas são uma outra manifestação da crise económica e social que atinge presentemente toda a humanidade.

A onda de violência não é apoiada pelos Sindicatos nem pelo Partido Comunista, mas surgiu em resposta (compreensível) à politica reaccionária do governo de Kosta Karamanlis que, alinhando com outros da União Europeia, acode com milhares de milhões de euros aos banqueiros responsáveis enquanto desencadeia a repressão contra os trabalhadores

A Grécia é nestes dias uma vitrina dramática da crise mundial. O seu povo, assumindo-se como sujeito, confirma com o seu exemplo, que é pelos caminhos da luta de massas e não através dos parlamentos controlados pelos partidos das classes dominantes que o capitalismo estremece, recua e pode ser derrotado.

No apelo à mobilização que dirigiu aos trabalhadores na ante-véspera da greve, Aleka Papariga, secretária-geral do Partido Comunista da Grécia, afirmou «sabemos como lutar em cada fase e pela via que seja mais adequada em cada momento. É por termos essa experiência que apoiamos toda a forma de luta que acelere, dinamize e dê força política ao movimento».

Na Grécia estavam reunidas condições objectivas e subjectivas para que o povo desafiasse o Poder da burguesia nas ruas e numa greve geral que paralisou totalmente o país.

O que semanas atrás parecia inatingível é hoje, segundo dirigentes da União Europeia, uma situação previsível. Pela força do povo, o governo de Kosta Karamanlis pode cair de um dia para outro.

EDITORES DE ODIÁRIO.INFO





Discurso da secretária-geral do Partido Comunista da Grécia
Papariga apela à mobilização do povo contra o governo

Aleka Papariga

Publicamos hoje o discurso de Aleka Papariga, secretária–geral do Partido Comunista da Grécia, no comício realizado em Atenas no passado dia 8 de Dezembro.

Aleka Papariga* - 12.12.08

Queridos Camaradas

Ontem, sem nos deixarmos levar pelas paixões mas conscientes e com emoção, ira e indignação, decidimos fazer este protesto militante, devido ao facto de um estudante, sentado na praça, ter sido assinado por um polícia. A resposta deve ser massiva, política e organizada. A morte de Alexandros Grigoropoulos é um assassínio, e não é um caso isolado nem acidental. É a crónica de uma morte anunciada pela violência e a repressão estatais, que reconhece o povo como inimigo quando este exige os seus direitos, e odeia a greve, a manifestação, a ocupação ou qualquer forma de luta.

O protagonista deste comício é Alexandros, que infelizmente apenas conhecemos no momento da sua morte. Mas esta manifestação também é dedicada a todos os gregos e imigrantes, trabalhadores, às vítimas da exploração e da guerra, que têm enfrentado a chantagem e a intimidação. Esta manifestação também é dedicada aos estudantes, liceais e universitários, que são perseguidos por que exigem uma educação pública e gratuita, por que enfrentam a ameaça dos tribunais e da procuradoria que pedem aos seus pais e professores que os espiem e denunciem. Também a dedicamos aos refugiados perseguidos pela violência política e a intervenção militar nos seus países, a todos os refugiados e outros prisioneiros que enfrentaram fisicamente o martírio provocado pelos oficiais da polícia.

Dedicamos esta manifestação às vítimas da arbitrariedade dos patrões e aos trabalhadores falecidos em acidentes de trabalho. Os acidentes de trabalho também são um assassínio.

Dedicamos a nossa luta a todos os imigrantes paquistaneses que se converteram em vítimas do mais selvagem sequestro, não por dinheiro mas por pressão política e intimidação.

Todos os trabalhadores, pequenos comerciantes e camponeses pobres devem unir-se ao protesto, mas também tomar posição clara de que têm direito à greve, direito a ocupar, direito a qualquer tipo de luta massiva que se decida. Todos são necessários, mais que nunca agora que se prepara um feroz ataque contra os mais populares direitos às condições de vida, educação e saúde. Não se pode pactuar, não se pode dialogar com os que são responsáveis por estas medidas e preparam novos projectos impopulares. Não há perdão para os que governaram ontem, e hoje vertem «lágrimas de crocodilo».

Escandaliza-nos que o PASOK [Partido Socialista Grego] e a Nova Democracia [Partido da direita, hoje no Poder, em alternância com o PASOK] tentem responsabilizar-se mutuamente pelas mortes violentas. Não importa se quando governava o PASOK houve mais uma ou duas mortes que agora com a Nova Democracia no governo. O que importa é que utilizam a violência, as práticas legislativas e a chantagem para golpear o movimento popular organizado e o lutador espontâneo.

Quando há violência sobre o lutador, é certo que esta afectará também todos os que não estão interessados na política. A violência não tem limites, tal como a morte não é acidental.

Agora devemos unir as nossas vozes para que as leis que os governos do PASOK e da Nova Democracia (ND) aprovaram sejam abolidas na teoria e na prática:

• As leis antiterroristas da UE.

• A legislação do governo do PASOK sobre o uso de armas pela polícia que dá poder e margem a uma má utilização.

• A ampliação dos poderes dos Serviços Secretos Nacionais pelo governo da Nova Democracia em 2005.

• O estabelecimento de sistemas de monitorização e câmaras, implementados tanto pelo PASOK como pela Nova Democracia.

• A implicação gradual das Forças Armadas em questões da ordem interna.

• Os acordos com a UE e os EUA.

• A promoção da lei de limitação das manifestações da responsabilidade do PASOK.

• O Tratado de Schengen.

• A utilização da repressão pela polícia municipal, inclusive com cães, de acordo com o último projecto de lei.


Queridos camaradas e Amigos

Ouvimos ontem controversos comentários de vários jornalistas e diversas personalidades políticas. Perante a violência cega dos que vão encapuçados acabam de ver a ira do povo; perdoando todas as acções e ajudando o governo e todo o tipo de governo antipopular a promover e aplicar as suas próprias leis repressivas, bem como as da UE, contra o seu próprio povo, a criar novos corpos repressivos do Estado, legal ou ilegalmente. Ao mesmo tempo tentam manter-se próximos dos lojistas que viram as suas lojas destruídas. Todos estes jornalistas e personagens políticos aparecem a apoiar ambas as partes.

Muitos deles elogiam as denominadas forças «antipoder». Perguntamos-lhes directamente se a viúva dum trabalhador assassinado num acidente de trabalho deitar o fogo à casa do empresário responsável, o que dirão? Apresentá-la-ão como heroína ou gritarão que não tem o direito de fazer justiça pelas suas mãos, que há uma legislação e um estado de direito e tudo o mais?

Se os filhos dos trabalhadores que perderam as suas vidas em acidentes de trabalho queimassem as fábricas e as propriedades dos patrões, justificavam-nos? Naturalmente que não.

Chamemos as coisas pelos nomes. O núcleo das chamadas forças «antipoder» é heterogéneo, espontâneo, e está pronto para difamar a luta e o movimento organizado, para aparecer como um substituto simples da luta de classes. Todas estas forças «antipoder» são inofensivas para os que estão interessados em que poder político continue como está, mudando apenas, em certos períodos, o seu rosto aparência político.

O KKE [Partido Comunista da Grécia] tem uma longa história e forjou-se em todas as formas de luta e na luta de cara aberta, naturalmente sem apoio do status quo e sem qualquer tipo de imunidade prévia. Sabemos como lutar em cada fase e pela via que se mostrar adequada em cada momento.

É por termos esta experiência que apoiamos toda a forma de luta que acelere, dinamize e dê força política ao movimento. Condenamos a Nova Democracia e o PASOK porque cultivam e organizam a violência estatal. Porque fazem como se não vissem que há mecanismos que legitimam a violência contra o povo, que ocultam as dolorosas situações como as daqueles que vivem há muitos anos com as denominadas forças «bem conhecidas-desconhecidas», só para terem pretextos e argumentos.

As forças «bem conhecidas-desconhecidas» tentam perverter o espontaneísmo puro da juventude, o espírito de vingança pela injustiça que esta sente, lançando-a na direcção oposta do que seria correcto e benéfico. Deixem aos jovens, que transbordam dinamismo criado pelo ódio à injustiça, pensar que práticas como a de queimar bancos se tomam por algum tipo de vingança contra os banqueiros e o capital financeiro. Deixem a juventude que quer castigar os culpados considerar que realmente os prejudicam quando queimam carros e lojas de pessoas inocentes.

Sabemos muito bem que muitos destes jovens amadureceram e pensaram com calma. Apontaram contra quem devem, por qualquer meio e sem pena alguma, contra os culpados.

Mas deixemos que todos os que apoiam a integração europeia também pensem seriamente, os que se levantam e dormem com o sonho das urnas, quanto e como estão a contribuir para um efectivo movimento com verborreia antipoder nas pequeno-burguesas «forças antipoder».

Queridos camaradas e amigos

Estes dias poderão dar-nos a oportunidade de uma reconstrução responsável do movimento, agora, antes que seja relativamente pequeno ou demasiado tarde.

O movimento popular significa que cada centro de trabalho, cada escola, cada classe, vizinho, quinta ou pequenas lojas de rua se converta numa fortaleza para a acção. Um movimento baseado na orientação de classe, adequando a sua organização a cada sector da economia, um por todos e todos por um. Um movimento na generalidade não emancipado do poder, mas concretamente emancipado do poder dos monopólios e dos compromissos imperialistas.

Ninguém pode perder-se nem ausentar-se das grandes manifestações de amanhã para uma vitoriosa greve a 100% na próxima quarta-feira.

Teremos lutas amanhã e nos dias seguintes…


* Secretária-Geral do Partido Comunista da Grécia

Este discurso foi pronunciado num grande comício do PCG, no passado dia 8 de Dezembro, evocando o assassínio do jovem Alexandros Grigoropoulos

Título da responsabilidade de odiario.info

Tradução de José Paulo Gascão a partir do texto em espanhol.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Contra a demissão do Brandão!

Acesse: http://contraademissaodebrandao.blogspot.com/

Primeiro levaram os comunistas,

Mas eu não me importei

Porque não era nada comigo.


Em seguida levaram alguns operários,

Mas a mim não me afetou

Porque eu não sou operário.


Depois prenderam os sindicalistas,

Mas eu não me incomodei

Porque nunca fui sindicalista.


Logo a seguir chegou a vez

De alguns padres, mas como

Nunca fui religioso, também não liguei.


Agora levaram-me a mim

E quando percebi,

Já era tarde.


Bertolt Brecht – A Indiferença




Uma demissão que fere a democracia

A reitora da USP, Suely Vilela, demite diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade. Uma ilegalidade no mínimo.

Gabriela Laurentiis e Rui Tresso

Chega o fim do ano. Na Universidade de São Paulo, USP, poucos estudantes podem ser vistos. Nesse momento a reitora Suely Vilela anuncia a demissão de Claudionor Brandão, funcionário da universidade há 21 anos, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP, Sintusp, e representante dos trabalhadores no Conselho Universitário.

Em 21 de setembro de 1987 Brandão começou a trabalhar na USP como técnico de refrigeração e ar condicionado. Menos de um ano depois, em 20 de agosto de 1988, se envolveu com a luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores. Brandão explica que “foi durante a preparação de uma greve na universidade”.

No documento divulgado pelo Sintusp, os trabalhadores explicam que ‘’é natural que a demissão ocorra no mês de dezembro, já que é o mês de férias”, e se revoltam:
“Isso nos remete aos piores momentos da ditadura militar.”

O professor Ruy Braga, do departamento de história, afirma que “a demissão representa um claro ataque ao movimento sindical brasileiro”.

Claudionor Brandão tem grande importância para a universidade, Ruy Braga diz que “ele é uma das mais destacadas lideranças sindicais da USP”. Brandão merece o respeito e a confiança de funcionários, professores e estudantes.

Exatamente por seu prestigio e sua grande atuação, Brandão se tornou uma figura “perigosa” para a universidade, e no dia 9 de dezembro foi informado de sua demissão. A acusação principal é que teria participado de uma “invasão” da biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP durante a greve de 2005.

O que a reitoria classificou como invasão o funcionário entende como “um ato legitimo”. No qual ele, junto com outros trabalhadores da USP, entrou na biblioteca da FAU, para conversar com os funcionários e convocar para a greve.

Brandão explica que “o diretor da faculdade acusou ele e os outros funcionários de colocar em risco os trabalhadores e o acervo da biblioteca”.

Ruy Braga se revolta:
“Na verdade trata-se de uma política que busca criminalizar os movimentos sociais. Essa política, anti-sindical e antidemocrática, foi muito adotada durante o governo de FHC, e agora foi retomada por Serra.”

Flavia Vale, estudante do curso de ciências, diz que “a demissão é um ataque à categoria de trabalhadores da USP e seu sindicato”.

Claudionor Brandão luta desde 1988 pela construção de uma universidade pública, gratuita e de qualidade no Brasil. A partir de 9 de dezembro estudantes, trabalhadores e intelectuais vêm se posicionando contra a demissão de Brandão e organizando campanhas pela readmissão imediata. Como a assembléia realizada pelo Sintusp, dia 10, na qual os trabalhadores votaram paralisação na terceira-feira, 16 de dezembro, e um abaixo-assinado que já conta com apoio de pessoas por todo o país e no exterior. Entre eles estão os professores Franklin Leopoldo e Silva, da faculdade de Filosofia da USP; Ricardo Antunes, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp; e Régis Michel, conservador-chefe do Departamento de Artes Gráficas do Museu Louvre na França. Também assinaram organizações internacionais como o Sindicato de los Trabajadores de Luz y Fuerza de La Paz (Bolívia) e Asociación de Profesores Universitarios del Hospital Larcade de San Miguel (Argentina).

A assessora de imprensa da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, logo após a demissão, ligou para o sindicato e informou que o ministro Paulo Vannucchi se diz “preocupado com a situação e pediu para ser informado de todos os fatos”.
Como diz Brandão “a demissão não é um ataque individual e sim, uma tentativa por parte da reitoria de neutralizar as movimentações na universidade”.

A reitoria passa um recado para funcionários, estudantes e professores: não serão aceitas medidas que abalem a “paz” e a “normalidade” da universidade. “A demissão de Brandão, por motivos políticos, fere os direitos democráticos da livre manifestação sindical”, diz a estudante Flavia Vale.


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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Grécia: revolta popular e desobediência civil




Dezembro 10, 2008.

Estimados camaradas,

Algumas informações sobre o desenvolvimento dos acontecimentos na Grécia:

Atividades do Partido Comunista da Grécia (KKE) e Juventude Comunista da Grécia (KNE)

Desde o primeiro momento KKE e KNE se pronunciaram condenando o assassinato do menor (de 15 anos) pela polícia, e destacando as enormes responsabilidades políticas do governo do ND's e assinalando que as medidas e atitudes anti-democráticas e autoritárias, a repressão estatal, são o complemento natural da política que promove golpe após golpe para os direitos trabalhistas e sociais dos trabalhadores e da juventude.

A delegação do KKE deslocou-se à sede central da polícia em Atenas no domingo e apresentou um protesto contra a morte do jovem rapaz, cujo funeral terá lugar hoje, às 3 à tarde.

Ontem, 8 de dezembro, o KKE realizou uma série de protestos e manifestações nas principais cidades da Grécia contra a repressão estatal. Em Atenas, a Secretária Geral do CC (KKE) Aleka Papariga, liderou um enorme comício no centro da cidade. Ela frisou que os eventos que levaram ao assassinato do menino são uma "Crônica de uma Morte Anunciada", por uma política que considera o povo como o inimigo, por uma política que detesta a greve, a manifestação, a luta.

Além disso, os deputados do KKE apresentaram uma interpelação parlamentar ao Governo sobre o caso.

Ao mesmo tempo, o KKE tem chamado também os sindicatos e outras organizações de massa populares da juventude para organizar as suas próprias ações massivas de protesto, sublinhando que a repressão e o autoritarismo estatal atacam primeiro e principalmente os trabalhadores e os movimentos populares.

Desde a manhã de segunda-feira, 8 de dezembro, todas as faculdades estão fechadas por iniciativa da KNE.

As coordenação de estudantes ao redor de Atenas decidiram fechar todas as escolas de 8 a 10 de dezembro e tendo chamado para uma manifestação no dia 9 de dezembro, em Atenas, enquanto se fortalecem localmente protestos de estudantes ganham espaço em todo o país.

Também hoje 9 de dezembro, 24 horas, greves foram declaradas pelos professores do ensino secundário e superior, enquanto os funcionários públicos irão realizar paralisação dos trabalhos após 12 hs., pelo funeral do menino assassinado.

Professores do ensino superior estão cogitando uma parada de 24 horas de terça-feira indicando seu luto pela perda do menino Alexis. Kindergarten. A Federação dos Professores debate uma greve. O funeral do menino assassinado será às 15:00 no cemitério Faliron.

Para quarta-feira, 10 de dezembro, a greve geral que tinha sido anunciada por pensões, salários, contra as demissões, pelo direito à educação e os cuidados de saúde, será definitivamente ligada aos acontecimentos.

Sobre os motins

Ao mesmo tempo, o KKE salientou aquela que é a necessidade de hoje, a condenação política do governo, de toda a rede de mecanismos de intimidação e repressão estatal, incluindo os invisíveis. A resposta ao autoritarismo estatal é a luta organizada dentro de um movimento de massas, ordenado para o fim de garantir que as verdadeiras causas não sejam ocultadas.

Os contínuos, organizados e coordenados motins que assistimos paralelamente às enormes mobilizações e protestos têm pouco a ver com a espontânea expressão de raiva e ira, e cada vez mais e mais assumem a forma de abertas provocações contra a crescente onda de protestos. Em qualquer caso, a forma de reagir não reside em motins de retaliação. Pelo contrário, tais eventos são bastante cômodos para aqueles que querem impor o medo e intimidação para o povo, que estão tentando impedir o surgimento de um poderoso movimento de massas organizado e que será capaz de fazer esquecer não só o ND e quaisquer outros governos anti-populares, e preparar o caminho para uma mudança real no nível do poder em favor do povo. Eles serão usados como uma desculpa para a maior intensificação das medidas anti-democráticas e repressivas medidas e atitudes.

O contexto político

Os eventos encontram a Grécia num momento em que a agitação popular foi crescendo, e a posição do governo ND era já de completa dificuldade. As recentemente anunciadas "medidas de crise" em favor dos monopólios, das reivindicações dos industriais para maiores reversões de direitos trabalhistas e sociais - sequer falou do trabalho semanal de 4 dias! -, O orçamento do Estado, os escândalos, a subida dos pedágios, das demissões já acumularam uma insatisfação. Ao mesmo tempo centros do establishment fazem esforços concretos no sentido de rejuvenescer o sistema do bipartidarismo, alteração que foi afrouxando a confiabilidade diante dos olhos dos setores populares. Na opinião do KKE, a tarefa mais urgente é a aceleração do movimento de massas, ação organizada dos trabalhadores e do movimento popular. Só este pode oferecer uma resposta adequada às política anti-populares e às medidas repressivas, pode descobrir e isolar manobras, provocações e planos para apanhar em armadilha o radicalismo emergente, e ao mesmo tempo, pavimentar um caminho para desdobramentos positivos para o povo.

Info pela Seção Internacional

Traduzido por Dario da Silva.

ORIGINAL: http://inter.kke.gr/News/2008news/2008-information/