terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ataque covarde de Israel ao povo palestino

Poesia: Elogio do Revolucionário (Bertolt Brecht)

Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.
Mas a coragem dele aumenta.
Organiza sua luta pelo salário, pelo pão
e pela conquista do poder.

Interroga a propriedade:
De onde vens?
Pergunta a cada idéia:
Serves a quem?
Ali onde todos calam, ele fala
E onde reina a opressão e se acusa o destino,
ele cita os nomes.
À mesa onde ele se senta
se senta a insatisfação.
À comida sabe mal e a sala se torna estreita.
Aonde o vai a revolta
e de onde o expulsam
persiste a agitação.

Obama...


"-Jura respeitar as leis?"

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

UJC: Declaração Política



A mais grave crise da história do capitalismo bate às portas da humanidade, anunciando várias conseqüências negativas para o proletariado. Para tentar sair da crise, o capital não pensa duas vezes ao saquear os cofres públicos para salvar banqueiros e oligopólios; não vacilara um minuto em atacar ainda mais os salários, os direitos sociais e trabalhistas, além de diminuir a qualidade dos serviços públicos; não tergiversara um só instante ao aprofundar a exploração e a barbárie, sem se importar com o agravamento da fome e da miséria; não titubeara em recorrer a mais guerras e agressões militares nem em recrudescer a criminalização aos movimentos sociais e às organizações populares e revolucionárias. Cada vez mais se acentuará no mundo a contradição entre o capital e o trabalho.

Neste contexto, o imperialismo estadunidense a fim de dar uma sobrevida a seu sistema de dominação, já que vem enfrentando uma das maiores crises da história universal, volta seus olhares e garras sobre a América Latina. Como exemplo, tomamos a continuidade do nefasto bloqueio econômico imposto a Cuba, que heroicamente resiste há 50 anos sem dobrar-se ao imperialismo, mantendo-se com todas as vicissitudes, no rumo da construção da sociedade socialista. Como parte de nossas manifestações de solidariedade a Cuba Socialista, a UJC fazemos parte da Brigada de Solidariedade a Cuba e comemoraremos, sem vacilações, os 50 anos de nossa Revolução Cubana ao longo do ano.

O capital e o imperialismo, no bojo da sua crise, vem sofrendo uma resistência ferrenha pelos povos que não aceitam mais tal tipo de dominação. Um dos casos exemplares é a luta dos trabalhadores e do povo grego contra a opressão do capital e a constante diminuição e precarização dos direitos dos trabalhadores naquele país. A resistência que se manifestou através de confrontos de rua contra a policia grega e nos processos de greve geral, abrem a possibilidade de um acúmulo para a construção de mecanismos de poder popular que façam avançar as lutas pelo socialismo.
No oriente médio, alguns setores do povo palestino resistem à ofensiva do Estado Sionista de Israel. A política de eliminação física do povo palestino levada a cabo pela chanceler Tzipi Livni, filha de militantes do grupo terrorista Irgun, fundado na década de 1920 por Zeev Jabotinsky, amigo pessoal de Mussolini mostra que tanto o Kadima quanto o Likud, são farinha do mesmo saco, disputando a legitimidade do legado de Jabotinsky. A Direita Sionista, sustentada pela burguesia israelense e pelo imperialismo estadunidense, aposta na reconstrução de um estado chamado Israel que tenha suas fronteiras delineadas pelos versículos bíblicos e que reconduzam o povo de Israel, no sentido de todos os judeus, para a reconstrução do templo e a redenção do povo escolhido. Para tanto, buscam junto à teoria revisionista garantir uma maioria judaica no Estado, custe o que custar, o chamado Iron Wall. Isso envolve, inclusive, a eliminação física do povo palestino. No entanto não podemos confundir governo, classes e Estado. Há uma resistência binacional ferrenha comungada entre israelenses e palestinos pela superação da lógica do muro de ferro e pela convivência pacifica de povos co-irmãos. O Partido Comunista Israelense condena o massacre cometido pela direita sionista contra o povo palestino de Gaza e mobiliza amplos setores em uma frente popular contra o fascismo revisionista. Não podemos deixar de atentar para uma confluência conjuntural entre interesses nacionais sionistas revisionistas e interesses imperialistas estadunidenses. A UJC toma partido nessa querela atentando para o estabelecimento de uma linha justa, que não permita nem a ascensão do fascismo sionista revisionista, tampouco do anti-semitismo e do fundamentalismo islâmico.

No cenário nacional, os Jovens Trabalhadores da UJC vem somando esforços na construção da Corrente Sindical Unidade Classista e no fortalecimento da INTERSINDICAL e participaremos das mobilizações dos trabalhadores no enfrentamento dos efeitos da Crise Econômica Mundial.

Estivemos presentes no Seminário Internacional Juvenil pela Paz na Colômbia e no XIIIº Congresso da Juventude Comunista Colombiana, reafirmamos nossa solidariedade irrestrita a JUCO na luta pela Paz Democrática, com justiça social e econômica na Colômbia. Denunciamos à comunidade internacional as atrocidades cometidas pelo Governo fascista de Uribe através de sua política de “segurança democrática” onde se mata inocentes jovens colombianos para propagandear falsas estatísticas (Falsos positivos) de mortos em combate contra a insurgência. Não colaboramos com a satanização e criminalização de organizações políticas insurgentes, como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e defendemos o processo de negociação política (através da UNASUR) reconhecendo o conteúdo político, econômico e social do conflito colombiano.

Estaremos em Belém (Para) no Fórum Social Mundial levando a seguinte mensagem dos jovens comunistas - Socialismo: o outro mundo possível. A crise enterra as ilusões dos que pretenderam humanizar o capitalismo.
Participamos desde a primeira hora da campanha nacional O PETRÓLEO TEM QUE SER NOSSO! A ocupação do prédio da PETROBRAS e a luta contra a décima rodada de licitação do Petróleo foram as primeiras ações desta campanha de fundamental importância na qual nós da UJC impulsionaremos em todas nossas frentes de atuação nos Estados onde estamos organizados.
A soberania nacional é ponto chave nesta discussão. Não é a toa que novamente os esquifes imperialistas navegam em nossas águas territoriais, nos lembrando das peripécias de articulação dos golpes na América Latina. Durante 40 anos a quarta frota não colocava suas “asinhas de fora” e agora vem para bisbilhotar as novas descobertas de ouro negro feitas em nosso território. Não fazem esse tipo de ameaça sem aliados. Seus comparsas são lobos em peles de cordeiros, o governo Lula e seus aliados, inclusive o PC do B vem rezando na cartilha do Império. A ANP demonstra-se cada vez mais vacilante e inclusive entreguista com o patrimônio nacional estratégico. Doou a empresa Haliburton os bancos de dados da Petrobras, construídos durante 50 anos de dura e árdua pesquisa autônoma e nacional na área petrolífera.

Vamos ao 12º Conselho Nacional de Entidades de Base da UNE para trazer a UNE para a luta dos estudantes na perspectiva da construção da Universidade Popular. Defendemos que a UNE tenha autonomia frente ao Governo Lula, que a entidade possa avançar na organização e luta do movimento estudantil brasileiro, que busque a unidade de ação com organizações nacionais como a INTERSINDICAL e o MST e tenha propostas avançadas para transformarmos as estruturas das universidades brasileiras. Rechaçamos o divisionismo e o paralelismo no movimento estudantil brasileiro nos esforçando para que a entidade nacional dos estudantes universitários possa contribuir de fato com as lutas gerais da juventude brasileira. Saudamos a iniciativa da UNE de construção junto a Organização Caribenha e Latino Americana dos Estudantes - OCLAE da primeira bienal Latino Americana de Cultura e Arte.

Defendemos a construção de uma FRENTE POLÍTICA baseada num programa comum e na unidade de ação, não apenas para disputar eleições, mas para unir, organizar e mobilizar os setores populares num bloco histórico para lutar por uma alternativa de esquerda para o país, capaz de galvanizar os trabalhadores pelas transformações econômicas, sociais e políticas, na perspectiva do SOCIALISMO.

A União da Juventude Comunista, UJC, em seus 81 anos de história, reorganizada em 2005, configura a mais antiga organização de juventude em atividade no Brasil. Carregamos em nossa trajetória inúmeras bandeiras, sendo que várias delas, ainda hoje demonstram vigência e atualidade. A grande jornada nacional de luta pelo petróleo, a luta contra o fascismo e o imperialismo, a luta pela livre associação e a luta pela paz e o socialismo.

Em 2009, realizaremos nosso Congresso Nacional na perspectiva de buscar uma maior inserção e organização da UJC em várias frentes de luta. A atual conjuntura nos requer maiores responsabilidades na compreensão e na prática coletiva, para alçarmos a UJC como força política nacional capaz de impulsionar as lutas da juventude brasileira e estar condizente com sua história de lutas.

Viva a União da Juventude Comunista!
Comissão Política Nacional da UJC – BRASIL
Rio de Janeiro, 03 de janeiro de 2009.

domingo, 18 de janeiro de 2009

O que os comunistas devem esperar de 2009? Mauro Iasi e Ivan Pinheiro respondem a pergunta.

Mauro Iasi
Doutor em sociologia e membro da direção nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

1 – Um dos avanços é a continuidade da tentativa de unificação da esquerda, por meio de iniciativas como a Conlutas, a Intersindical e o Fórum Nacional de Lutas. Tivemos uma reunião no começo de novembro bastante ampla, que aponta boas perspectivas.

2 – Uma das coisas mais importantes de 2008 foi a crise econômica mundial e a forma como ela impactou o Brasil. Estávamos iniciando umas mobilizações, campanhas salariais e contra a concentração de renda e o modelo econômico brasileiro. Ela acaba empurrando a classe trabalhadora para um recuo. Ao invés de um protagonismo, a esquerda volta para a posição de resistência.

3 – efeito paradoxal da crise é que, em um primeiro momento, cria-se uma tentativa de pacto e união nacional, o que desarma a independência da esquerda. O principal papel da esquerda é evitar isso. Saímos de um ciclo de grande acúmulo do capital e agora querem jogar o maior peso da crise sobre a classe trabalhadora. Vai se falar em perda de direitos e de redução de salários. Temos que nos preparar para nos contrapor a isso. Um exemplo disso é o pacote de algumas empresas dos EUA que incluía redução de salários e os trabalhadores conseguiram evitar isso. No Brasil, já há várias categorias em férias coletivas e há uma sinalização de que não haverá reajustes para o funcionalismo. Enfim, a tarefa fundamental da esquerda é se preparar para resistir e colocar a tarefa de um projeto de esquerda mais em longo prazo, uma alternativa de poder mais do que conjuntural para o próximo período.

4 – Demonstrando o verdadeiro caráter do governo brasileiro e das opções que ele fez. Para aqueles que acreditavam em um crescimento econômico, com, pouco a pouco, uma distribuição de renda, fica evidente que o capital cobra sua parte no próximo período. Você tem uma contrapartida disso na crise muito forte. Por isso, acredito que o momento será propício para apresentar propostas alternativas com mais fôlego. A crise pode demonstrar de forma mais didática a importância de propostas anticapitalistas e antiimperialistas.

Ivan Pinheiro
Secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

1 – No apagar das luzes deste ano de 2008, estamos vivendo o principal momento das lutas sociais e políticas puxadas pela esquerda no Brasil: a luta pela reestatização da Petrobras. O último e vergonhoso leilão deste ano, promovido pela entreguista ANP, une a grande maioria da esquerda e do movimento popular. O movimento em torno deste tema foi o principal avanço da esquerda no período.

2 – O principal retrocesso tem origem em 2006, em que, em vez de uma Frente de Esquerda, formou-se no Brasil uma coligação eleitoral. Deixamos assim passar uma grande oportunidade para criar uma frente política alternativa e isso repercutiu nas eleições municipais de 2008. Quem mais ganhou com essas eleições foi o PMDB. Depois vem a maioria social-liberal do PT e o PSDB de José Serra.

3 e 4 – A crise, no primeiro momento, vai trazer muitas perdas para o proletariado e as camadas médias, pois a correlação de forças não nos é ainda favorável. Será uma fase reativa, de defendermos direitos e conquistas, que serão ameaçados. Mas o agravamento da crise pode gerar uma contraofensiva popular, que eleve a luta de classe entre nós a um patamar superior. Mas tudo vai depender do grau de unidade que as forças de esquerda alcançarem. O PCB defende a formação de uma frente que integre organizações políticas e sociais do campo de esquerda e popular e a construção de uma forte organização intersindical unitária, baseada na centralidade do trabalho. No nosso entender, o agravamento da crise provocará o acirramento da contradição capital x trabalho e deslocará o centro da luta para os países desenvolvidos e emergentes, como é o caso do Brasil.

Palestina: um povo preso entre ruinas, mas a milícia não se rende (Safa Joudeh)


Êxodo de milhares de famílias para o Norte, a pé e em carroças puxadas por mulas
Agora ao lado de Hamas combate a facção armada de Fatah.


GAZA – No décimo oitavo dia de guerra é o dia do Juizo Final para Rafah. Debaixo dos bombardeamentos contínuos dos caças F-15 e F-16, a cidade na fronteira com o Egito foi destruída pela metade: os edifícios pulverizados são pedaços de cimento.
Filas de milhares de famílias se movem para o Norte, perseguidas pelas bombas e pelos panfletos israelitas com a advertência para evacuar. Avós, pais, mães, crianças, carregando trouxas avançam a pé ou em carroças puxadas por mulas: as ruas destruídas pelos bombardeamentos, os carros transformados em ferro retorcido. Outros, massas que nãoo encontram abrigo nos refugios improvisados pelo UNRWA (the United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees in the Near East) e já transbordantes, acampam com maquinas de lavar, tabuas de passar, brinquedos, com tudo o que conseguiram salvar das ruínas de suas casas.
Reaparece o cenário de devastação da guerra do Líbano em 2006, com uma diferença: Que a população civil, apertada em uma faixa de dunas de areia, sitiada nas fronteiras, não tem uma via de fuga. A multidão humana oscila para um lado e depois para outro, na esperança de evitar os tiros da terra, do céu e do mar.
A ofensiva terrestre desacelerou. Difícil entender, por de trás da cortina de fumaça, o que a realmente pôs freio à ofensiva terrestre: se as divergências ao no governo de Israel, ou o fogo das facções palestinas.
Israel fala de uma "resistência em fuga", obrigada a se esconder nos subterrâneos. O braço armado de Hamas, ao contrário, comunica uma emboscada que matou 10 soldados israelenses. Aquilo que é certo, é que se combate na periferia de cidade de Gaza, em Sheikh Ailin, em Karama, e Zeitun é isolada. Ao fogo dos tanques israelenses se misturam os tiros das armas dos milicianos, que se reuniram em um fronte unido, juntando os arsenais e banindo as diferenças politicas.
Ao lado de Hamas agora combate a facção armada do Fatah, o partido do presidente palestio Abu Mazen.
Pensando na intensidade do fogo cruzado há mais de 24 horas, a Defesa israelense provavelmente subestimou a capacidade de resistência palestina e de todas as suas facções. O breve avanço das forças israelenses durante a noite, se concluiu na alvorada com a retirada nas posições iniciais. O Hamas e a Frente Popular pela Libertaçaoo da Palestina continuam a se opor a iniciativa egípcia de uma trégua definitiva. A resistência teria aceitado, se fossem realmente derrotados.
Depois do anúncio da terceira fase da Operação “Chumbo derretido”, a Faixa de Gaza foi divida, com uma presença sempre maior de gente nas zonas de fronteira. O pessoal da ajuda humanitária não podem passar; no rádio ecoa o seu apelo que acabaram sob o fogo da infantaria israelense no subúrbio da Cidade de Gaza. Deviam evacuar os feridos da zona mais atingida, mas os tiros não permitem que eles prossigam ou voltem. Pelo telefone pedem para serem socorridos, e avisam que estão ficando sem baterias nos celulares.
Não é claro se essa grande invasão prometida pelo Estado israelense se materializará.
(14 janeiro 2009)

(Traduzido pela correspondente da UJC na Itália Dyliane Gonçalves)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Bolívia rompe relações diplomáticas com Israel


O governo da República da Bolívia rompeu oficialmente relações diplomáticas com o governo de Israel como mostra de condenação do ataque covarde de Israel aos palestinos. Num breve comunicado, o presidente Evo Morales solicitou que seja retirado o Prêmio Nobel da Paz de Shimon Peres, atual presidente de Israel.

Finalmente começamos a ver que nem todos governantes do mundo consentem o genocídio promovido por Israel. Viva a Palestina e a heróica resistência de seu povo!

PELO FIM IMEDIATO DOS CRIMES DE GUERRA NA FAIXA DE GAZA! PELA CONDENAÇÃO DOS CRIMINOSOS! (Nota política do PCB)

O PCB saúda o Conselho de Direitos Humanos da ONU, por sua inequívoca condenação a Israel, por ampla maioria, pela violação de leis internacionais, com a designação de uma missão especial para investigar os crimes de guerra praticados, como assassinato indiscriminado de civis, utilização de armas e produtos químicos proibidos e bombardeios contra comboios com ajuda humanitária.

Neste caso, consideramos positiva a postura do Brasil, votando a favor dessas resoluções, ao lado de Rússia, China e de todos os países da América Latina que participam do organismo. Esta posição se insere na tradição da política externa brasileira de contribuir para a paz mundial e a multipolaridade, tendo como objetivo central a abertura de mercados para a burguesia brasileira e a afirmação do Brasil como potência, nos marcos das disputas interimperialistas.

Nesta lógica, há casos em que a ação brasileira é positiva, como neste e no de Cuba, e outros em que é de natureza imperialista, como os emblemáticos casos do Haiti e do Paraguai, entre outros.

Finalmente, após um longo período de omissão do governo, o Ministro Celso Amorim foi instado a dirigir-se ao Oriente Médio, onde cumpre profícua agenda pela paz, manifestando-se em solidariedade ao povo palestino, inclusive reclamando o imediato cumprimento das resoluções da ONU ignoradas por Israel, Estado fora da lei que se garante nos vetos e no apoio político e logístico de seu verdadeiro comandante, o imperialismo estadunidense.

Nos próximos dias, a agressividade israelense tende a aumentar. Pelo seu cronograma original, a resistência palestina já deveria ter se rendido. O plano era ocupar a Faixa de Gaza, de forma rápida e inconteste, antes da posse de Obama, para evitar que este, precocemente, tenha que revelar que suas garras são exatamente iguais às de Bush, atrapalhando o projeto de mostrar um rosto novo e brando do império. Outro possibilidade para garantir uma posse tranqüila a Obama é um conluio das superpotências para tentar impor à resistência palestina uma paz de cemitério.

Diante destes riscos, deve-se reforçar no mundo a mobilização contra o holocausto promovido por Israel e em solidariedade aos palestinos, ampliando as ações de massa e a pressão sobre governos cúmplices, omissos ou vacilantes.

Por outro lado, a importante decisão do Conselho de Direitos Humanos da ONU legitima a possibilidade, em âmbito mundial, de as organizações sociais e políticas e personalidades solidárias à Palestina e defensores da paz entre os povos iniciarem imediatamente uma ampla campanha internacional para levar ao banco dos réus dos Tribunais Internacionais os governantes israelenses, que não passam de criminosos contra a humanidade.

- PELO FIM IMEDIATO DOS CRIMES DE GUERRA NA FAIXA DE GAZA!

- PELA CONDENAÇÃO DOS CRIMINOSOS!

- PELA RETIRADA DAS TROPAS ISRAELENSES!

- PELO RECONHECIMENTO DO ESTADO PALESTINO!

Rio, 14 de janeiro de 2009
PCB – Partido Comunista Brasileiro

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Curitiba: manifestação contra o ataque covarde de Israel aos pelstinos. UJC: presente! PCB: presente! (09/01/09)










Pronunciamento do PCB na manifestação:


Nós do PCB – Partido Comunista Brasileiro – prestamos a nossa solidariedade ao povo palestino e iniciamos o nosso pronunciamento com uma frase de Che Guevara, Che dizia que devemos “Ser sempre capaz(es) de sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer um em qualquer parte do mundo. É a qualidade mais linda de um revolucionário.”

Felicitamos todos que repudiam o ataque covarde de Israel á Palestina, e encontramos pessoas no mundo inteiro que se solidarizam o povo palestino: em toda Europa, nos países árabes, na América latina e demais localidades; mas entre todas as manifestações destacamos a Venezuela que baniu o embaixador de Israel, numa atitude louvável, e ao Partido Comunista de Israel que, numa prova de internacionalismo, corajosamente protestou dentro do território de Israel, mostrando que nem todos judeus concordam com o ataque covarde aos palestinos.

Nós do PCB repudiamos o massacre criminoso que está ocorrendo na Faixa de Gaza, promovido pelo Estado sionista de Israel que, sob o pretexto de combater o terrorismo, ataca pessoas indefesas, em sua grande maioria crianças e mulheres palestinas que moram na região, vítimas de bombas jogadas sobre casas, escolas e locais de trabalho. Tecnologias militares modernas são usadas covardemente contra um povo proibido de ter forças armadas convencionais e de obter armamento para se defender.

O governo israelense promove mais uma vez a tática de "ataques preventivos" tão propalada no Governo Bush, aumentando a violência contra o povo palestino que há décadas tem sua nação dividida e usurpada pela partilha imperialista de seu legítimo território e que, no caso da Faixa de Gaza, é palco de privações de todo o tipo, devido ao criminoso embargo promovido pelo governo israelense.

Os ataques ocorridos nesses últimos dias já mataram quase 1.000 pessoas e deixaram mais de 2.000 feridos, muitos em estado grave. Parte da região está sem energia elétrica afetando o funcionamento de hospitais.

Pela dimensão do ataque e a generalização inescrupulosa do bombardeio, pode-se garantir que este já é um dos maiores genocídios praticados por armamento de guerra em tão pouco tempo nesse inicio de século. O terrorismo de Estado promovido pelo governo israelense, ao invés de por fim à crise na região, só a aprofunda.

O PCB condena veementemente a carnificina promovida pelo Estado sionista de Israel contra a população palestina e conclama as entidades e organizações populares, democráticas e antiimperialistas a se manifestarem em atos públicos em solidariedade ao povo palestino. Exige também do governo brasileiro que condene com firmeza a infame agressão que, se não for detida imediatamente, pode descambar numa invasão ao território palestino, não com objetivo de ocupação (que já existe na prática), mas de provocar o extermínio desse valoroso povo, que não se curva ao sionismo e ao imperialismo e que merece a mais irrestrita solidariedade dos povos do mundo todo.

Todos os brasileiros não podem se dar ao luxo de que não tem nada a ver com o que está acontecendo com os palestinos, pois vivemos em país rico, de dimensões continentais e com um povo extraordinário e trabalhador e que em algum momento pode ser alvo da máquina militar imperialista do EUA, que atualmente vem armando a Colômbia e reativou a quarta frota.

Nós comunistas acreditamos que apenas um mundo sem fronteiras, em que todos possam transitar e desfrutar livremente colocará fim à todas as guerras e trará a paz duradoura; somente quando acabarmos com o modo de vida capitalista, que depende das guerras para existir, teremos uma sociedade fraterna em que as guerras não existirão mais.

- Pelo fim imediato dos ataques à Faixa de Gaza!
- Pela retirada imediata das tropas de Israel de Gaza!
- Pela criação do Estado da Palestina!
- Que o governo Lula rompa relações diplomáticas e comercias com Israel e não assine o Tratado de Livre Comércio com Israel aprovado pelo MERCOSUL!
- Pela retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti!
- Viva o internacionalismo proletário e a heróica resistência do povo palestino!

domingo, 11 de janeiro de 2009

O GOVERNO BRASILEIRO E O HOLOCAUSTO PALESTINO (Ivan Pinheiro*)

A denúncia que fiz sobre a omissão do governo brasileiro frente ao holocausto palestino provocou polêmica. Não era para menos. Ao mesmo tempo mexi em duas feridas que incomodam alguns setores da esquerda brasileira: o caráter do Estado de Israel e o governo Lula. Tenho recebido algumas críticas, a maioria fraternas e bem intencionadas.



O repúdio mundial ao massacre no Gueto de Gaza tem inibido os que se indignam diante de qualquer crítica a Israel. Depois que até escolas e comboios da ONU com ajuda humanitária foram bombardeados, fica difícil reduzir a crítica ao "exagero" de Israel. O mesmo "exagero" cometem os protetores e mandantes de Israel, os Estados Unidos, no Iraque e no Afeganistão. Está cada vez mais claro que se trata de uma política imperialista de extermínio do povo palestino e de ocupação do seu território.



Mas os lulistas (**) e os que ainda se iludem com Lula o defendem com os seguintes argumentos:

- o governo brasileiro criticou Israel por praticar terrorismo de Estado;

- o Ministro Celso Amorim está a mil por hora, em gestões pela paz.



Na realidade, quem fez essa crítica justa a Israel, em entrevista a uma revista, foi Marco Aurélio Garcia, dirigente petista e assessor pessoal de Lula, sem qualquer cargo oficial no governo. Não foi o governo. A própria direção do PT havia divulgado uma nota condenando Israel, que infelizmente ficou na retórica. Na manifestação desta quinta-feira aqui no Rio,amplamente convocada, não se viu uma bandeira do PT e nenhum parlamentar ou dirigente deste partido.



Mas diante da reação do lobby sionista, Marco Aurélio mandou uma carta para o jornalista Merval Pereira, que ontem a publicou em sua coluna. O assessor de Lula se diz espantado por "um comentário seu ter sido apresentado como posição do governo". Para não o acusarem de não condenar também os erráticos morteiros artesanais que a resistência palestina joga nos territórios que foram roubados de seu povo, ele empata: "mas que fique claro: condeno todos os terrorismos".



Quanto ao Ministro Celso Amorim – do andar de cima deste medíocre ministério -, só agora foi acionado para interromper suas férias em Portugal. A partir de hoje, quinze dias após o início da agressão israelense, ele viaja para contatos no Oriente Médio.



Mas o próprio Lula explica seu silêncio diante do extermínio no campo de concentração de Gaza. Em entrevista à revista Piauí, concedida em 18 de dezembro, antes de suas férias, ele declara que, "para não ter azia", não lê jornais, sítios de notícias e revistas e nem assiste televisão, só se informando em conversas com assessores e pessoas que recebe em seu gabinete.



Está explicado. Se Lula não tem acesso aos meios de informação quando está trabalhando em Brasília como é que vamos querer que ele se informe no relaxante litoral baiano, de onde só hoje se despede, no clima de Toquinho e Vinicius:



O velho calção de banho, o dia prá vadiar!



(*) Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB;



(**) lulistas não são necessariamente petistas; os há em outros partidos e sem partido. Nem todo petista é lulista; há os que mantêm reservas a alguns aspectos do governo Lula;