quarta-feira, 9 de setembro de 2009

UNASUR: Vale o que se faz, não o que se diz - por Carlos Laquinandi Castro

A grande expectativa diante da reunião da UNASUR em Bariloche, ficou clara o número abundante de notas e artigos que analisaram ou extraíram conclusões diversas daquele esperado encontro. O eixo dos debates: o já consumado acordo assinado pelo presidente da Colômbia, através do qual cede a utilização “compartilhada” de sete bases militares – de terra, mar e ar – ao exército dos Estados Unidos. Tinha sido defendido em Quito, em meados de agosto, pelo presidente Hugo Chávez, da Venezuela, com a concordância dos demais presidentes, como um tema que requeria, para ser analisado, da presença do presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, que não participou da cúpula da capital equatoriana. Entre uma reunião e a outra, Uribe deslanchou sua ofensiva diplomática, percorrendo várias capitais sulamericanas, encontrando-se com os presidentes do Peru, do Paraguai, do Chile, da Argentina, do Uruguai e do Brasil, tentando diminuir receios e desconfianças. Todos estes movimentos desembocaram na reunião de Bariloche, que foi o centro das expectativas continentais.

Ao examinarmos o que foi publicado sobre os debates destes dias, encontramos diferentes versões. Uns falam de “repúdio total às bases estrangeiras”, outros consideram que houve uma vitória de Uribe e há também os que destacam que a Unasur manteve sua coesão como organismo regional. Um quadro de definições que graficamente podemos descrever como ver a garrafa “meio vazia” ou “meio cheia”, medidas equivalentes mas que dão a impressão de serem opostas. Na verdade podemos dizer que foi uma das reuniões às quais nós, latinoamericanos, ainda não estamos acostumados: houve bastante franqueza nos pronunciamentos, a maior parte das exposições foram públicas, houve momentos de tensão não dissimulada, mas também gestos de cortesia ou piadas oportunas que ajudam a distensionar. As evidentes discrepâncias sobre um tema tão grave como o que gerou a decisão de Uribe, com flagrantes repercussões continentais, foram debatidas com argumentos duros, com muitos dados, com citações e promessas, mas com um saldo final de parcos compromissos.

Do dito ao feito...

A presidente da Argentina, Cristina Fernandez, em seu papel de anfitriã, tentou que a reunião tivesse resultados práticos, mas ao mesmo tempo fez tudo para que as divergências não levassem a uma ruptura. Talvez por isto, ao abrir a sessão, lembrou que seu objetivo era “fixar doutrina sobre como a Unasur vai tratar a questão da instalação de bases de um país que não faz parte da América do Sul, em qualquer um de nossos territórios”, fazendo clara referência à presença militar norteamericana na Colômbia. Mas também adiantou que “não se necessitavam discursos empolgados que sirvam para ocultar os fatos que teremos que analisar”. Também correspondeu a ela assumir a coletiva de imprensa no final, juntamente com o atual presidente da Unasur, Rafael Correa, do Equador. Nesta entrevista ela descreveu a reunião com um enfoque otimista, mas isso não significou mais do que um gesto voluntarista: a “doutrina” acabou resumida em frases imprecisas e os parágrafos que mencionam a possível existência de tropas estrangeiras têm o incerto condicionamento de que “sempre e quando não ameacem a soberania e a integridade territorial dos países da região”. Acreditar que este parágrafo evita ou diminui a ameaça potencial das bases conjuntas,somente se explicaria por uma enorme ingenuidade ou a partir do esquecimento total da história de nossa América.

Das idas e voltas que permearam as sete horas de debate pode mos resgatar que alguns presidentes demonstraram claramente seu repúdio à decisão do governo colombiano em transformar seu território em um gigantesco porta-aviões do qual possam operar tropas e técnicos norteamericanos com uma ampla projeção regional. Os limites neste debate foram unicamente a vontade comum de não quebrar a precária unidade formal da Unasur. Definitivamente como espaço regional é razoável que seja o espaço de diálogo e de contraposição de argumentos e objetivos diferentes. Mas uma coisa é preservar o espaço comum e outra é admitir fatos greves que podem se tornar irreversíveis.

Também foi possível comprovar que Uribe não tem dúvidas em relação a seu compromisso com os Estados Unidos, não somente com Obama, mas com o país que lhe dá toda assistência, que o Mantém e que lhe dá todo respaldo sem importar-se com seus antecedentes. Nisto o Império, seja quem esteja no governo, prefere pensar e dizer como se fosse uma letra de tango: “que me importa teu passado!”. O país que em outras épocas deu respaldo a Somoza, Stroessner e Pinochet, entre outros, em quem explicitamente reconhecia a maldade quando os definia como “seus” filhos da puta,não tem nenhum pudor em “esquecer” os informes de seus próprios serviços de inteligência sobre a vinculação de Uribe com o narcotráfico e com os paramilitares. O que agora interessa aos Estados Unidos é poder contar com esta cabeça de ponte na América Latina, para poder recuperar o controle de seu hoje remexido e disperso “pátio traseiro”.

Outras intervenções, (como as de Lugo e Tabaré Vasquez) permitem deduzir que houve rechaços verbais às bases que foram pronunciados num tom quase de desculpa, ou misturados com alusões ao direito soberano de cada país dentro de seu território. Segundo a interpretação que se faça, isto pode chegar a ser contraditório. Chavez esteve contido, seguramente foi advertido por diversos ângulos mais ou menos “aliados” para que não deixasse romper a barreira. Mas, ainda assim, disse coisas claras: destacou que a instalação de bases norteamericanas em solo colombiano, corresponde à estratégia global de dominação dos Estados Unidos. Citou mo livro branco do Comando de Mobilidade Aérea e a Estratégia Global de Bases de Apoio do governo norteamericano. Ali, segundo afirmou, está demonstrado claramente o especial interesse dos Estados Unidos em operar na Base de Palanquero, importante enclave no coração da Colômbia. Chavez afirmou acreditar em uma iniciativa de paz para a Colômbia. “É o que necessitam os colombianos e os demais povos da região, que se alcance a paz nessa nação”, afirmou. E rejeitou os argumentos de Uribe justificando o avanço da militarização estrangeira de seu próprio território.
Correa foi dos mais claros e foi até subindo de tom quando lembrava o “controle” real que o Equador teve sobre as operações ianques na base de Manta, em seu próprio território. “Nada, não se comprometam porque não vão poder controlar nada”, afirmou categórico o presidente equatoriano. Recordou o completo fracasso do chamado Plano Colômbia, que apesar da injeção milionária de recursos realizados desde o ano 2000, não conseguiu cumprir nenhum de seus objetivos.

Lula estava visivelmente incomodado quando ouvia intervenções (como as de Correa, por exemplo) nas quais o repúdio às bases era categórico. Mas em suas intervenções acabava mostrando suas dúvidas sobre as verdadeiras intenções do avanço militar norteamericano e continuava pedindo “explicações” e “garantias jurídicas”. Ou seja, não estava a favor, mas tampouco se expressava categoricamente contra. Com esta ambivalência não conseguiu revalidar suas pretensões de liderança da região.

Há muito caminho ...

Se nos abstivermos das palavras e do tom com o qual elas foram pronunciadas, restam os fatos que em definitivo é o que importa. E o resultado é que a Colômbia cederá suas bases, a decisão está tomada entre os dois países envolvidos. O fato é que o repúdio ou a desconfiança não se materializou em uma declaração coletiva ou de uma maioria de países da Unasur. A causa possível é que se preferiu não romper a unidade, que, obviamente, não existia para uma resolução deste tipo. Em realidade, os pontos finais aprovados, não passaram de generalidades sem nenhum valor prático. Um dos parágrafos afirma o compromisso de desenhar uma estratégia de segurança para garantir a paz na região e expressa: “estes mecanismos deverão contemplar os princípios de irrestrito respeito à soberania, à integridade e à inviolabilidade territorial e a não ingerência nos assuntos internos dos estados”.

Uma expressão de futuro,que se contradiz abertamente com os fatos consumados: o acordo que cede bases e capacidade operativa ao exército norteamericano, com pouquíssimas possibilidades de controle e sem chances de reversão num futuro imediato. Um pacto que inclui a impunidade das tropas estrangeiras e dos mercenários ( que eles chamam de “contratistas”), que cometam qualquer delito em terras colombianas. Em todo caso e com sorte serão julgados...nos Estados Unidos. Ou seja, assim como aconteceu no Vietnam, no Iraque e no Afeganistão.

Os fatos mostram que a maioria dos presidentes da Unasur rejeitam a decisão de Uribe. Uns de forma aberta e expondo argumentos ( Chavez, Correa e Evo Morales). Outros de modo mais vago, mas acrescentando seu respeito por decisões que consideram “soberanas” em política interna (Tabaré Vasquez, Bachellet e Lugo).
Alan Garcia supõe, como o próprio Uribe, que a ingerência norteamericana é uma garantia para sua própria debilidade interna. Há que se considerar que essa nova situação e o debate que ela suscitou, tem passado quase que inadvertidamente a tentativa do presidente colombiano de forçar uma nova reeleição, que seria seu terceiro período. Por muito menos, e quando nem havia possibilidades reais de reeleição, a oligarquia e as cúpulas militares e religiosas de Honduras justificaram a derrubada violenta de seu presidente constitucional, Manuel Zelaya.

Lula está tentando um difícil equilíbrio. Fica incomodado com a decisão de Uribe e desconfia do verdadeiro alcance que possa ter a presença militar norteamericana. Sabe que Chavez é hoje o símbolo regional dos receios de Washington, mas que o Brasil, por razões geoestratégicas é um país que os Estados Unidos querem muito manter sob controle. Mas Lula não busca um enfrentamento com os Estados Unidos e procura marcar sua diferença com a forma e as atitudes de Chavez. Tenta exercer uma liderança em que não apareça como tendo um poder delegado por Washington, uma certa independência, mas que tampouco possa ser visto como um aliado do presidente venezuelano. “Ni chicha ni limoná”, cantaria Victor Jara.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nota do tradutor: o autor se refere a uma música de Victor Jara – compositor e cantor chileno, assassinado nos primeiros dias do golpe de Pinochet – cujo refrão diz que “você não é nada, nem chicha nem limonada”. Chicha é a primeira fermentação da uva no processo de produção do vinho.

Em realidade, a decisão de Uribe extrapola as margens previsíveis do Plano Colômbia e assume, sem dissimulações, o genérico objetivo de “luta contra o terrorismo” conceito no qual, a história recente nos ensina, pode entrar qualquer coisa. O que acontecerá se operações explícitas ou clandestinas ultrapassarem as fronteiras da Colômbia? Já aconteceu na Venezuela, quando foram capturados dezenas de paramilitares colombianos que estavam participando de treinamento no sítio de um cubano. Aconteceu no Equador, quando sem aviso prévio aviões colombianos lançaram uma incursão em seu território. E se acontecimentos similares se repetem, mas com tropas dos Estados Unidos?

Chavez, Correa e Evo Morales qualificaram com precisão o risco que representa a decisão de Uribe para a paz e para a independência dos países vizinhos da Colômbia. A Unasur garantiu sua unidade formal, fato que todos os presidentes consideraram muito importante. Mas os resultados da reunião de Bariloche confirmam a contraofensiva que está em marcha contra os processos de mudança na América Latina. As palavras e os discursos não conseguem maquiar a realidade.

O que podemos esperar?

Obama prometeu e ensaiou uma relação diferente com os países do sul. Mas a realidade demonstra que o império volta a prestar atenção na América Latina, que foi ignorada, ou pelo menos descuidada por Bush. E o império faz isso recuperando seus métodos habituais, ou seja, controlar – de qualquer maneira – o que consideram seu “pátio traseiro”. Não sabemos exatamente o que quer e o que poderá fazer Obama. Mas já estamos sabendo o que pretende o i9mpério.

Os fatos nos indicam que a contraofensiva contra as mudanças sociais que vem sendo construída pelos povos da América Latina, está em marcha. Não esqueçamos o golpe em Honduras, sobre o qual a administração norteamericana ainda “estuda” juridicamente para saber se foi realmente um golpe militar ou uma “sucessão presidencial”. Ao final deste processo, por trás das palavras de condenação, a ONU, a OEA, o Plano Arias, Insulza, etc, etc. o objetivo dos golpistas é entregar o governo, em janeiro, a um presidente “legal”, surgido das eleições que serão controladas pelos usurpadores. Os únicos que podem impedir isto, são os hondurenhos, este povo que resiste cotidianamente com marchas, protestos e uma vontade formidável.Isso é o que vai ficando claro. Que uma vez mais são os povos, partindo de baixo, com sua própria capacidade de organização e de mobillização, os que podem garantir que se consolidem os processos de mudança e de transformação na América Latina.

Unasur salvou sua unidade. Mas lá está Uribe disposto a entregar a soberania de seu país e colocar em risco a paz e a segurança do continente. Lá está Honduras, em mãos de uma quadrilha de oportunistas cumprindo os objetivos da oligarquia. Isto é o que sentimos. Isso é o que todo mundo percebe. E isso marca o caminho: somos os povos, o colombiano incluído, que teremos que assumir o protagonismo para evitar que caiamos em novas formas de colonialismo e dominação e para que possamos garantir os processos libertadores que estão em marcha.

Carlos Iaquinandi Castro, da redação de SERPAL, Servicio de Prensa Alternativa.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ser Comunista - Por: Lincoln de Abreu Penna


1. Ser comunista é estar atento à vida, protegê-la e tornar sua existência não só possível como plena;

2. Ser comunista é cultivar a fonte de saber aonde quer que ela se manifeste, na tradição dos costumes simples da boa convivência ou nos processos de elaboração do conhecimento produzido pela humanidade;


3. Ser comunista é contemplar as inúmeras situações que possibilitem a ampliação dos horizontes do ser humano, preservando a relação e a diversidade entre as espécies, os gêneros e as etnias;


4. Ser comunista é defender a existência das diferenças e suas ricas manifestações, mas jamais aceitar as desigualdades sociais;


5. Ser comunista é apostar na capacidade de superação do ser humano na busca incessante do bem-estar-social e, sobretudo, na utopia eterna da igualdade entre os homens;


6. Ser comunista hoje, mais do que nunca, é acreditar que as conquistas da ciência e da tecnologia só fazem sentido se forem para o benefício de todos;


7. Ser comunista é combater a exclusão social e promover a fraternidade dos povos, assim como a coexistência das culturas e dos saberes populares;


8. Ser comunista é sustentar a idéia de que a vida pode e deve ser cada vez mais bem vivida por todos em igualdade de condições;


9. Ser comunista é nunca desistir das convicções herdadas pela tradição das lutas dos povos da Terra, renovando-as a cada momento através de novos ensinamentos e novos estímulos;


10.Ser comunista é cuidar de seu semelhante como parte integrante de seu ser.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vinte Bases Militares Norteamericanas terão como objetivo isolar a Venezuela do mundo

Caracas. ABN (Agência Bolivariana de Notícias) – Manuel Alexis Rodriguez.

Um total de treze bases militares dos Estados Unidos, localizadas estrategicamente em países aliados de Washington, cercam atualmente a Venezuela. Com o acordo do tipo “cooperação e assistência técnica em defesa e segurança”, que a Colômbia vai assinar com os Estados Unidos, e que permitirá que soldados norteamericanos utilizem sete novas bases militares na Colômbia, o número chegará a vinte.

Os Estados Unidos cercaram militarmente a Venezuela, pelo norte – no Mar do Caribe – tem bases em Cuba, Porto Rico, Aruba e Curaçao. Pelo noroeste – América Central – tem bases em El Salvador, Honduras e Costa Rica, além da Escola das Américas, no Panamá. Pelo oeste tem três bases aliadas na Colômbia – Arauca, Larandia e Três Esquinas – sendo que logo serão dez instalações militares. Pelo sul, os Estados Unidos utilizam duas instalações no Peru e uma no Paraguai.

O único motivo pelo qual os Estados Unidos não construíram bases militares ao leste da Venezuela, é porque por este lado a Venezuela limita praticamente com o Oceano Atlântico.

América Central
Na República de El Salvador se encontra a Base Militar Comalapa, um posto de Operações Avançadas ( FOL, na sigla em inglês) utilizado para o monitoramento via satélite da região assim como para apoio a outras bases. Seu pessoal tem acesso a portos, espaço aéreo e instalações governamentais.

Na República de Honduras está a Base Solo Cano, em Palmerola. É utilizada para a prática de radar como estação, para proporcionar apoio para treinamento e missões em helicópteros que monitoram os céus e as águas da região; tem um papel chave nas operações militares. Foi dali que partiu o golpe de estado contra o presidente constitucional Manuel Zelaya.

Na Costa Rica possuem a Base Militar Libéria, que, como está localizada na parte continental da América Central, funciona como centro de operações durante as negociações preliminares e confidenciais.

Enquanto isso no Panamá, ainda que não possuam nenhuma base militar é lá que funciona a Escola das Américas, atualmente chamada de Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica, onde são treinados os mercenários norteamericanos.

América do Sul
Na Colômbia, os norteamericanos contam com três bases militares. A primeira é a Base Militar de Arauca, projetada para “combater” o narcotráfico na Colômbia, mas que de fato é utilizada como ponto estratégico para o monitoramento da zona petroleira, especialmente a da Venezuela.

Outra instalação é a Base Militar de Larandia, que serve como base de helicópteros dos Estados Unidos. Possui uma pista de aterrissagem para bombardeiros B-52, uma capacidade operativa que ultrapassa o território colombiano e permite uma cobertura para ataques em quase todo o sul do continente.

A terceira base na Colômbia é a Base Militar de Três Esquinas que serve para operações terrestres, aéreas e fluviais, além de ter se transformado em ponto estratégico para ataques contra a guerrilha. Esta instalação ‘receptora permanente de armamento, de logística e serve para o treinamento de tropas de combate.

A República do Peru tem dentro de seu território duas bases militares norteamericanas: Iquitos e Nanay. O governo peruano diz que estas bases pertencem às forças armadas do Peru, mas foram construídas e são utilizadas por soldados norteamericanos que operam na zona fluvial Nanay, na Amazônia peruana.

Na República do Paraguai se encontra a Base Mariscal Estigarribia, desde maio de 2005, quando o governo dos Estados Unidos assinou um tratado com a administração paraguaia, para instalar a base militar na cidade de Mariscal Estigarribia, província de Boquerón, no chamado Chaco Paraguaio.

O Caribe
A principal, e também a mais antiga, é a Base Naval de Guantánamo, situada perto de Santiago de Cuba, a segunda cidade mais importante do país depois de Havana. Foi construída em 1903 e possui uma área de 117,6 quilômetros quadrados, entre terra firme, água, mar e pântanos; e possui uma área de costa de 17,5 quilômetros.

Em Porto Rico, estado associado aos Estados Unidos, se encontra a Base de Vieques, uma ilha adjacente de 35 quilômetros de comprimento. A base ocupa cerca de 70% do território da ilha.
Anteriormente, nesta instalação, operava o Comando Sul, agora localizado em Miami, mas é utilizada para operações especiais e como quartel regional do exército, da marinha e das forças especiais.

Há ainda outras duas instalações, a Base Militar Reina Beatriz, em Aruba, e a Base Militar Hatos, em Curaçao. São utilizadas para o monitoramento via satélite e como apoio para o controle de vigilância no Mar do Caribe.

Sete Bases
A decisão do Pentágono, o ministério da guerra dos Estados Unidos, de instalar novas bases em solo colombiano, surgiu desde o momento em que o presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou a expulsão e o despejo da Base Militar e Aeronaval de Manta.
Esta instalação era o principal centro de espionagem eletrônica, com tecnologia de satélites, do Pentágono na América do Sul e era utilizada como plataforma logística de inteligência militar, para alavancar as operações coordenadas pelo Comando Sul.

A nova administração Obama considerou que a prioridade era buscar uma nova localidade, que tivesse as mesmas características de Manta. Para, assim, poder manter a cobertura aérea da região.

O ministério da Defesa colombiano enumerou as bases: as aéreas serão Malambo, no departamento do Atlântico; Palanquero, em Cundinamarca; e Apiay, em Meta. As bases do exército serão Tolemaida, em Cundinamarca; e Larandia, em Caquetá. As navais serão as de Cartagena e Bahia Málaga, no departamento de Valle Del Cauca.

Com os mesmos objetivos, os Estados Unidos tem pretensões de instalar, no futuro, quatro bases adicionais: uma em Alcântara no Brasil; outra na zona de Chapare na Bolívia; outra mais em Tolhuin, na província de Terra do Fogo, na Argentina; e a última na zona conhecida como a tripla fronteira, localizada na fronteira entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai.

Os Estados Unidos alegam que todas estas bases militares são centros de operações táticas para apoiar o que eles denominam “segurança hemisférica”, termo relacionado com a velha Doutrina de Segurança Nacional – que propunha primeiro isolar e depois acabar com qualquer governo que contrariasse os interesses de Washington e do Pentágono como, por exemplo, o governo bolivariano da Venezuela.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Honduras: um menino contra o golpe

Cultura revolucionária & poesia comunista

TERRA PÚRPURA

Por: Daniel Oliveira (Militante do PCB/MG)

Dominado o homem
Liberada a fome
Executado o gesto
Disparado o tiro
no alvo caído
Feito bandeira se eleva
e tem nome o sem-terra
El ton de la lucha
Elton da terra

(ao companheiro Elton Brum, assassinado pela brigada militar gaúcha em agosto de 2009)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

70 anos da Segunda Guerra Mundial

Em 03 de setembro de 2009 comemoram-se 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. Há 70 anos se iniciava o maior conflito bélico da história da humanidade, o mundo era disputado pelas potências imperialistas. A guerra e a sanha fascista só teriam fim após a batalha de Stalingrado, quando o Exército Vermelho derrotou a Wermacht e livrou a humanidade da ordem mundial nazista. Nunca é demais homenagear os bravos combatentes que deixaram o seu exemplo, que não temeram entregar a própria vida para salvar a humanidade do nazi-fascismo.

"Vocês que já escutaram
a história que se contou
não sigam aí sentados
pensando que já passou.
Não basta só a recordação
o canto não bastará.
Não basta só a lamentação,
miremos a realidade.

Quiçá amanhã o passado
talvez uma vez mais,
a história que escutaram
de novo sucederá.
(...)
Temos razões puras,
temos porque lutar.
Temos as mãos duras,
temos com que ganhar.

Unamo-nos como irmãos,
que nada nos vencerá.
Se querem escravizar-nos,
jamais o poderão lograr.

Lutemos pelos direitos que
todos devem ter.

Lutemos pelo que é nosso,
de ninguém mais há de ser.

Unamo-nos como irmãos,
que nada nos vencerá.
Se querem escravizar-nos,
jamais poderão lograr.
A terra será de todos
também será nosso o mar.
Justiça haverá para todos
e haverá também liberdade."

Quilapayun

terça-feira, 1 de setembro de 2009

“LULA É O CARA!” – ELE ACREDITOU (Por Laerte Braga)

Os senadores Álvaro Dias e Sérgio Guerra estão em negociações com uma empresa de consultoria em Houston, Texas, para assessorar o PSDB na CPI da PETROBRAS. Tucanos e DEMocratas trabalham com o objetivo de encurralar o governo Lula e assegurar que, eleito José Serra, a empresa estatal de petróleo, logo o petróleo brasileiro, seja entregue a grupos econômicos norte-americanos.

A descoberta de reservas de petróleo na região chamada Pré-sal e a transformação do Brasil num dos grandes potentados no setor, aumentou a cobiça das grandes empresas estrangeiras sobre o “negócio”. E o “negócio” passa por desmoralizar a PETROBRAS e, em seguida, privatizá-la. Foi assim que fizeram com a VALE DO RIO DOCE, hoje só VALE.

O jurista Dalmo de Abreu Dallari, falando sobre cidadania e municípios, num seminário realizado na cidade mineira de Juiz de Fora, explicou seu ponto de vista sobre a desnecessidade de um Senado num país como o nosso.

É simples entender. Dallari explicou que nos Estados Unidos logo após a guerra da independência travada contra a Inglaterra, vários eram os estados, todos independentes, autônomos e que resolveram constituir uma poder central, a União, preservando as características básicas de suas respectivas independência, de sua autonomia. O Senado é a representação dos estados e o caráter federativo da União se mantém até hoje, mesmo que diminuído em relação àquela época.

No Brasil, ao contrário, sempre tivemos um poder central acima do poder das províncias, nome dado aos estados antes da proclamação da república. Foi a constituição de 1891 que mudou a terminologia. Passaram de províncias a estados, sem nenhuma mudança significativa na estrutura de poder. O Senado como representação dos estados, no Brasil, é ficção. Não há o que representar. Somos uma república federativa de fancaria. Na prática todo o poder emana de Brasília.

Muhamad Ali e Lenox Lewis foram os dois maiores campeões mundiais dos pesos pesados nos últimos anos, nas últimas décadas. Ali é inclusive o maior lutador de boxe de todos os tempos. Os dois costumavam dizer que contra adversários mais fortes, perigosos, ágeis, era necessário lutar por fora. Não permitir a luta corpo a corpo, não permitir a maior aproximação desses adversários e buscar golpeá-los em rápidos movimentos dentro do ringue, sempre à distância.

O grande erro de Lula foi não ter percebido que em sua primeira eleição o mandato conferido pelo povo brasileiro era um repúdio aos oito anos de FHC e todo o conjunto de desastres que foi o governo do tucano. O petista resolveu lutar por dentro. A idéia de governabilidade surgiu como a melhor forma de desarmar as bombas de efeito retardado deixadas pelo pior presidente de nossa história, Fernando Henrique Cardoso. Na ótica de Lula e do comando de seu partido.

Permitiu a aproximação de adversários fortes, perigosos e capazes de qualquer golpe, baixos principalmente. Aliou-se a figuras notoriamente comprometidas com os interesses das elites empresariais no campo e na cidade e inventou o que Ivan Pinheiro chama apropriadamente de “capitalismo a brasileira”. Políticas sociais compensatórias enquanto tentava e tenta criar um bloco capitalista alternativo aos Estados Unidos, a Comunidade Européia, ao Japão e a China. Toda aquela pantomima armada por Roberto Jéferson à época do mensalão reproduziu o comportamento tucano/DEMocrata, desde o primeiro momento do governo FHC, quando da concorrência do SIVAM (Sistema de Monitoramento da Amazônia).

Lula sabia e sabiam os seus ministros que Jéferson era comprometido muito mais com a extrema-direita brasileira (é oriundo, nasceu na ditadura militar como advogado defensor de criminosos e com estreitas ligações com as polícias do seu estado, o Rio de Janeiro e os aparelhos de repressão dos governos militares). O governo de Lula acreditou que o problema de Jéferson fosse apenas e tão somente algumas merrecas em termos de cargos públicos. Não foi capaz, de por um instante sequer, entender que ali estava alguém disposto a “negociar” com quem pagasse mais e principalmente, que esse dinheiro viesse, como veio, da extrema-direita.

O governo Lula sobrevive com altos índices de popularidade no carisma pessoal do presidente e no fato de dentro dessa lógica de “capitalismo a brasileira” estar sendo menos ruim, logo melhor, que o governo FHC. E numa proporção sem tamanho. O que não foi e nem é tão difícil assim, levando em conta que Fernando Henrique foi um funcionário norte-americano designado para governar o Brasil, como o foram os ditadores militares.

O que Lula não percebeu foram os novos ventos que começaram a soprar na América Latina e particularmente na América do Sul, com a eleição de governos à esquerda, portanto, adversários de interesses norte-americanos. E muito menos que o caráter de país continente do Brasil, mantém até hoje a frase de Nixon sobre nosso País como definição pronta e acabada – “para onde se inclinar o Brasil, se inclinará a América Latina” –.

Nesses quase sete anos de governo Lula duas constatações saltam aos olhos de imediato. O presidente optou pelo equilibrismo da velha política de uma no cravo e outra na ferradura e governa encurralado pela oposição, escorado inclusive no fantástico poder de mídia toda ela controlada por grupos econômicos e interesses estrangeiros, particularmente norte-americanos.

O espantoso nisso tudo é a popularidade do presidente, não tanto pelo conjunto da obra, mas pela capacidade de ter diminuído com políticas assistencialistas a dor e o sofrimento dos excluídos. Mas basta um tucano assumir o governo que essa dor volta. Não houve, pelo contrário, nenhuma ação concreta no sentido de organização e formação, até porque seu partido hoje, o PT, com uma ou outra exceção, é só um PSDB diferenciado.

E ambos, PT e PSDB são partidos paulistas que imaginam que o mundo começa e termina em São Paulo, um país vizinho que fala a mesma língua e é controlado por um conjunto de famílias reais encasteladas no esquema FIESP/DASLU.

De tanto pular de galho em galho, de tanto ficar confiando nos cipós, tal e qual Tarzan, Lula acabou ou está acabando enrolado num cipoal sem tamanho e sem saber o rumo direito, na “estação” José Sarney.

Somos um País de dimensões continentais, mas somos um país latino-americano. Não há como esquivar-se dessa realidade.

E passa pelo Brasil todo o agressivo e truculento processo de golpismo e intervencionismo norte-americano em países como a Colômbia, visando derrubar os governos democráticos de Chávez, de Evo Morales e Rafael Corrêa, ou no conjunto da América Latina, o de Ortega e de El Salvador, sem contar ou falar no governo de Cuba.

As bases militares norte-americanas na Colômbia têm esse objetivo, além, evidente, de facilitar o controle e a conquista definitiva da Amazônia. A presença de agentes de Israel, braço do terrorismo norte-americano no Sul do Brasil, asseguram e garantem a outra ponta.

Quando Barak Obama, branco disfarçado de negro que preside os EUA, ou finge, o controle é exercido pelo mesmo grupo que controlou Bush, chama Lula de “o cara”, está apenas jogando confete e tentando abrir as portas para que seus cavalos de Tróia entrem com a farsa democrática que montaram e montam em vários cantos do mundo, no neo-colonialismo chamado globalização.

E tucanos e DEMocratas cumprem aqui a perfeição, com máximo da subserviência possível, todo o esquema traçado em Washington e Wall Street. A despeito de petistas que vendem a mesma idéia do mundo neoliberal. Quem não está com Lula está com a “direita”. Como falam os norte-americanos. Quem não está com a nossa democracia, é terrorista.

A ”motoserra” que um dirigente do PT citou como conseqüência de “equívocos” de parte da esquerda, na verdade é produto dos erros e equívocos de Lula e seu partido.

Partidos, como dito num encontro recente, são meros agentes eleitorais e o PT não difere de nenhum deles. “Em ano de eleição se trabalha a eleição, em ano não eleitoral, se prepara para o ano eleitoral. Ouvi essa definição precisa e irrefutável de um velho combatente da ditadura militar.

O processo político mais amplo, que visa rechaçar todo o processo capitalista, passa ao largo dessa farsa institucional. Começa num diagnóstico real de uma conjuntura que não é só brasileira, mas é mundial. Está na ação terrorista do estado de Israel na Palestina, nas intervenções no Iraque, no Afeganistão, nas bases na Colômbia, no golpe em Honduras, em todo esse arremedo de “nova América” que Obama busca rotular seu governo. É a mesma América imperialista de Bush.

Lula levou a sério esse trem de “é o cara”. Caiu do cavalo quando chamou Obama para explicar as bases militares na Colômbia e ouviu um sonoro não. Até porque Obama sabe que tem gente aqui, caso dos tucanos e DEMocratas, como das nossas elites econômicas, já que elites são apátridas. E pior, Sabe que nossas forças armadas em sua maioria, rezam pela cartilha do patriotismo, mas o que se volta para o Pentágono, em Washington.

Nessa história toda Lula foi apenas o bobo. Nem foi capaz de entender que toda a baba de Aécio para pacificar senadores como Jereissati e Artur Virgílio na crise do Senado, era apenas defesa de Jereissati e Virgílio, notórios corruptos, num capítulo de sua disputa com Serra dentro do PSDB. Um enrola presidente, faz de conta que estou garantindo a democracia, a governabilidade, enquanto planto armadilhas pelo terreno e até outubro de 2010.

Só pensam nisso, em eleições. O resto, as firmas de Houston garantem, ou a GLOBO, ou a FOLHA, ou a VEJA. Ainda mais que o ano que vem começa com a nona edição do bordel BBB e tem copa do mundo. Depois é só vender um sabão em pó tucano, seja Serra ou Aécio.

Lula achou que Obama falou de verdade, para valer. Vai acabar tomando cerveja num jardim próximo ao Salão Oval da Casa Branca, com direito a escolher a marca e serviço pelo “garçom” Obama. É hora dos garçons, sagrada instituição mundial, começarem a pensar em protestos contra essa usurpação.

O real sentido da frase de Obama Lula não captou. “Me Tarzan, you Cheeta”.
"Quando matam um Sem Terra"

Pedro Munhoz

1.
Quem contar traz à memória,
sabendo que a dor existe,
quando a morte ainda insiste,
em calar quem faz a História.
Pois quem morre não tem glória,
nem tampouco desespera,
é um valente na guerra,
tomba, em nome da vida.
Da intenção ninguém duvida,
quando matam um Sem Terra.

2.
Foi assim nesta jornada,
quando mataram mais um,
o companheiro ELTON BRUM,
não teve tempo pra nada.
Numa arma disparada,
o Estado é quem enterra
e uma vida se encerra,
em nome da covardia.
Toda a nossa rebeldia
quando matam um Sem Terra.

3.
É o desatino fardado,
armado até os dentes,
até esquecem que são gente,
quando estão do outro lado.
E vestidos de soldado,
todo o sonho dilacera,
violência prolifera
tiro certeiro, fatal.
Beiram o irracional,
quando matam um Sem Terra.

4.
Quem és tu, torturador,
que tanta dor desatas,
desanima e maltrata
o humilde plantador?
Negas a classe, traidor,
do povo tudo se gera,
te esqueces deveras,
debaixo de um capacete.
Dá a ordem o Gabinete,
quando matam um Sem Terra.

5.
Em algum lugar da pampa,
ELTON deve de estar,
tranquilo no caminhar,
jeito humilde na estampa.
E algum céu se descampa,
coragem se retempera,
outras batalhas se espera,
dois projetos em disputa.
Não se desiste da luta,
quando matam um Sem Terra.

Barra do Ribeiro/RS
27.08.09

Informe aos amigos sobre a ofensiva da imprensa burguesa contra o MST

Fizemos uma mobilização em todo o país e um acampamento em Brasília em defesa da Reforma Agrária e obtivemos vitórias importantes, relacionadas à solução dos problemas dos trabalhadores do campo. A jornada de lutas conquistou do governo federal medidas muito importantes, embora estejamos longe da realização da Reforma Agrária e da consolidação de um novo modelo agrícola. Além disso, demonstrou à sociedade e à população em geral, que apenas a organização do povo e a luta social podem garantir conquistas para os trabalhadores e trabalhadoras.A principal medida do governo, anunciada durante a jornada, é a atualização dos índices de produtividade, que são utilizados como parâmetros legais para a desapropriação de terras para a Reforma Agrária. Os ruralistas, o agronegócio e a classe dominante brasileira fecharam posição contra a revisão dos índices e passaram a utilizar os meios de comunicação para pressionar o governo a voltar atrás.

Essas conquistas deixaram revoltados os ruralistas, o agronegócio e a classe dominante, que defendem apenas seus interesses, patrimônio e lucro, buscando aumentar a exploração dos trabalhadores, da natureza e dos recursos públicos. Nesse contexto, diversos órgãos da imprensa burguesa - os verdadeiros porta-vozes dos interesses dos capitalistas no campo - como Revista Veja, Estadão, Correio Brazilienze, Zero Hora e a TV Bandeirantes, passaram a atacar o Movimento para inviabilizar medidas progressistas conquistadas com a luta.

Não há nenhuma novidade na postura política e ideológica desses veículos, que fazem parte da classe dominante e defendem os interesses do capital financeiro, dos bancos, do agronegócio e do latifúndio, virando de costas para os problemas estruturais da sociedade e para as dificuldades do povo brasileiro. Desesperados, tentam requentar velhas teses de que o movimento vive às custas de dinheiro público. Aliás, esses ataques vêm justamente de empresas que vivem de propaganda e recursos públicos ou que são suspeitas de benefícios em licitações do governo de São Paulo, como a Editora Abril.Diante disso, gostaríamos de esclarecer a nossos amigos e amigas, que sempre nos apóiam e ajudam, que nunca recebemos nem utilizamos dinheiro público para fazer qualquer ocupação de terra, protesto ou marcha. Todas as nossas manifestações são realizadas com a contribuição das famílias acampadas e assentadas e com a solidariedade de cidadãos e entidades da sociedade civil. Temos também muito orgulho do apoio de entidades internacionais, que nos ajudam em projetos específicos e para as quais prestamos conta dos resultados em detalhes. Aliás, todos os recursos de origem do exterior passam pelo Banco Central. Não temos nada a esconder.Em relação às entidades que atuam nos assentamentos de Reforma Agrária, que são centenas trabalhando em todo o país, defendemos a legitimidade dos convênios com os governos federal e estaduais e acreditamos na lisura do trabalho realizado. Essas entidades estão devidamente habilitadas nos órgãos públicos, são fiscalizada e, inclusive, sofrem com perseguições políticas do TCU (Tribunal de Contas da União), controlado atualmente por filiados do PSDB e DEM. Desenvolvem projetos de assistência técnica, alfabetização de adultos, capacitação, educação e saúde em assentamentos rurais, que são um direito dos assentados e um dever do Estado, de acordo com a Constituição.Não esperávamos outro procedimento desses meios de comunicação. Os ataques contra o Movimento são antigos e nunca passaram da mais pura manifestação de ódio dos setores mais reacionários da classe dominante contra trabalhadores rurais que se organizaram e lutam por seus direitos. Vamos continuar com as nossas mobilizações porque apenas a pressão popular pode garantir o avanço da Reforma Agrária e dos direitos dos trabalhadores, independente da vontade da classe dominante e dos seus meios de comunicação.
SECRETARIA NACIONAL DO MST

Vinte bases militares dos EUA para cercar a Venezuela

por Manuel Alexis Rodríguez

Um total de 13 (treze) bases militares estado-unidenses, localizadas estrategicamente em países aliados de Washington, cercam actualmente a Venezuela. Com o acordo em matéria de "cooperação e assistência técnica em defesa e segurança", que a Colômbia assinará com os EUA nas próximas semanas e permitirá à tropa estado-unidense utilizar sete novas bases militares naquele país, este número será aumentado para 20 (vinte).
Os Estados Unidos cercaram militarmente a Venezuela. A Norte – o Mar Caribe – tem bases em Cuba, Porto Rico, Aruba e Curaçao. A Noroeste – América Central – tem bases em El Salvador, Honduras e Costa Rica, além da Escola das Américas no Panamá.
A Oeste tem três bases aliadas na Colômbia – Arauca, Larandia e Três Esquinas – e dentro em breve serão dez instalações militares. A Sul, os EUA manejam duas instalações no Peru e outra no Paraguai.
O único motivo pelo qual os Estados Unidos não construíram bases militares a Leste da Venezuela é porque desse lado o país limita-se praticamente só com o Oceano Atlântico.
América Central
Na República de El Salvador encontra-se a Base Militar Comalapa, um posto de Operações Avançadas (FOL, na sigla em inglês) utilizado para a monitoragem satelital da região e para apoio a outras bases. O seu pessoal tem acesso a portos, espaço aéreo e instalações governamentais.
Na República de Honduras está a Base Soto Cano, em Palmerola. É utilizada para práticas de radar e como estação, proporcionar apoio para treino e missões em helicóptero que controlam os céus e as águas região, cruciais em operações militares. Ali se gerou o golpe de Estado contra o presidente constitucional Manuel Zelaya.
Na Costa Rica possui a Base Militar Libéria que, como se localiza na parte continental da América Central, funciona como centro de operações durante negociações preliminares e confidenciais.
Quanto ao Panamá, ainda que não possua nenhuma base militar, funciona ali a Escola das Américas, actualmente denominada "Instituto de Cooperação para a Segurança Hemisférica", onde são treinados os mercenários estado-unidenses.
América do Sul
Na Colômbia, os norte-americanos contam com três bases militares. A primeira é a Base Militar de Arauca, concebida para "combater" o narcotráfico naquele país mas utilizada realmente como ponto estratégico para o controle da zona petrolífera, especialmente a da Venezuela.
Outra instalação é a Base Militar de Larandia, que serve como base de helicópteros dos EUA. Possui uma pista de aterragem para bombardeiros B-51, uma capacidade operativa que ultrapassa o território colombiano e permite uma cobertura para ataques a quase todo o Sul do continente.
A terceira base na Colômbia é a Base Militar Três Esquina, que serve para operações terrestres, heli-tácticas e fluviais, além de se haver convertido num ponto estratégico para ataques contra a guerrilha. Esta instalação é receptora permanente de armamento, logística e serve para o treino de tropas de combate.
A República do Peru tem duas bases militares estado-unidenses no seu território: Iquitos e Nanay. O governo diz que estas bases pertencem às forças armadas peruanas, mas foram construídas e são utilizadas por soldados estado-unidenses que operam na zona fluvial Nanay, na Amazonia peruana.
Na República do Paraguai encontra-se a Base Marechal Estigarribia, desde Maio de 2005 quando o governo dos EUA firmou um tratado com a administração paraguaia junto à cidade de Marechal Estigarribia, província de Boquerón, no chamado Chaco Paraguaio.
O Caribe
A principal e também a mais antiga é a Base Naval de Guantánamo, localizada próximo a Santiago de Cuba, a segunda cidade mais importante do país. Foi construída em 1903 e abrange uma área de 117,6 quilómetros quadrados, entre terra firme, mar, água e pântano, ainda que delimite uma linha costeira de 17,5 km.
Em Porto Rico, estado associado aos EUA, localiza-se a Base de Vieques, uma ilha adjacente de 35 km de comprimento. A base ocupa 70% do território da ilha. Anteriormente operava ali o Comando Sul, agora localizado em Miami. Vieques é agora utilizada para operações especiais e como quartel regional do exército, da marinha e das forças especiais.
Além disso, há outras duas instalações dos EUA: a Base Militar Rainha Beatriz em Aruba e a Base Militar Hatos em Curaçao. São utilizadas para a monitoragem satelital e como apoio para o controle de vigilância no Mar Caribe.
Mais sete bases
A decisão do Pentágono, o Ministério da Guerra dos Estados Unidos, de instalar novas bases em solo colombiano surgiu no mesmo momento em que o presidente do Equador, Rafael Correa, ordenou a expulsão e desocupação da Base Militar e Aeronaval de Manta.
Esta instalação era o principal centro de espionagem electrónica do Pentágono na América do Sul, através de satélites. Era utilizada como plataforma logística de inteligência militar para executar as operações que se coordenam a partir do Comando Sul.
A nova administração Obama considerou que a prioridade era procurar outra localidade que tivesse as mesmas características de Manta, para assim poder manter a cobertura aérea da região.
O Ministério da Defesa colombiano enumera as bases:
  • as aéreas serão Malambo, no departamento Atlântico; Palanquero, em Cundinamarca e Apiay, no Meta;
  • as do exército serão Tolemaida, em Cundinamarca e Larandia, em Caquetá;
  • as navais serão as de Cartagena e Baía Málaga, no departamento de Valle del Cauca.

Do mesmo modo, os Estados Unidos têm pretensões a instalar no futuro quatro base adicionais: uma em Alcântara, no Brasil; outra na zona de Chapare, na Boívia, uma mais em Tolhin, na província da Terra do Fogo, na Argentina; e a última na zona conhecida como a tríplice fronteira, localizada na fronteira do Brasil, Argetina e Paraguai.

Alegam os Estados Unidos que todas estas bases militares são centros de operações tácticas destinados a apoiar o que eles chamam de "segurança hemisférica", expressão relacionada com a velha Doutrina de Segurança Nacional de primeiro isolar e a seguir acabar com qualquer governo oposto aos interesses de Washington e do Pentágono. Como, por exemplo, o Governo Bolivariano da Venezuela.

17/Agosto/2009

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ildo Sauer e o pré-sal (*)

Durante a campanha de 2002, houve um longo debate sobre a necessidade política de suspender novas licitações de poços.
Todas as grandes reservas de petróleo no mundo estão hoje nas mãos dos Estados nacionais e de suas empresas estatais.
Lamentavelmente, o governo Lula manteve as concessões iniciadas na gestão Fernando Henrique.
E fez isso mesmo depois de saber do sucesso de exploração do campo de Tupi, em julho de 2006.
O presidente da República foi informado pela Petrobras desde a primeira confirmação de óleo no pré-sal.
Mas é importante que a sociedade saiba que a Casa Civil (comandada pela ministra Dilma Rousseff), com a ANP, lutou barbaramente para manter todas as licitações, inclusive de Tupi, num alinhamento aos interesses internacionais.
Agora, está acontecendo um arrependimento tardio, uma tentativa de buscar os louros do pré-sal.
Essas pessoas têm de assumir suas responsabilidades.
Primeiro, de não terem implementado as promessas de campanha.
E, segundo, por terem mantido as licitações mesmo depois de saber do sucesso dos testes.
(*) Ildo Sauer é ex-diretor de Petróleo e Gás da Petrobrás, demitido em 2007 por divergências com Dilma Rousseff.