sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A crise e a luta anticapitalista (Nota Política do PCB)

As recentes quedas nas bolsas de valores de todo o mundo e as crises das dívidas públicas dos países centrais são anunciadas pela imprensa como uma nova crise, que viria a atrapalhar as tentativas de recuperação econômica mundial após a “crise de 2007/2008”. Esses analistas procuram a todo custo diferenciar o movimento atual e mostrar que a economia privada vai bem, o problema agora é dos países extremamente endividados, portanto, a “saída” para o capitalismo deveria ser de ajustes fiscais por parte dos Estados, com cortes nos gastos públicos e nos direitos dos trabalhadores e aposentados. Essa visão de curto prazo, tão comum aos ideólogos do capitalismo nos últimos anos, não permite perceber os reais problemas por que passa o capitalismo e deixa claro que essa “crise atual” nada mais é do que a continuação e o aprofundamento da crise sistêmica em que se encontra o capitalismo desde a década de 1990.

O que ocorre hoje é consequência direta das medidas tomadas há dois anos para tentar salvar o grande capital financeiro e os grandes bancos que especularam e sugaram enormes massas de valores produzidos, num movimento irracional de acumulação fictícia em escala global. Quando a crise sistêmica do capitalismo se deixou mostrar claramente com o estouro dos fundos especulativos em 2007 e 2008, levando à falência grandes bancos de investimentos e instituições que aplicavam nos mercados de títulos privados (principalmente nos mercados dos EUA e da Europa), os Estados usaram seu arsenal monetário para salvar estes bancos e fundos. Na prática, os Estados assumiram os títulos podres que apareceram após a farra financeira do setor privado e transferiram as dívidas privadas para o setor público. Agora, a burguesia quer sacrificar ainda mais a população com ajustes fiscais por parte dos Estados.

Naquele momento, havia quase uma unanimidade em pensar que começara o “início do fim” do neoliberalismo e que as políticas públicas keynesianas voltariam a dominar o cenário econômico, com os Estados voltando a atuar fortemente na economia, com os bancos centrais atuando como emprestadores de última instância. Muitos alimentaram ilusões de que teríamos um novo ciclo de crescimento econômico como o verificado no pós-guerra, quando os mercados financeiros foram dominados por políticas públicas que elevavam os salários e o bem-estar dos trabalhadores, além de aumentar a lucratividade das empresas produtivas. Isso não ocorreu, a farra especulativa continuou, e os “reformadores” não conseguiram regular o “livre mercado”.

A crise é de todo o sistema capitalista, muito mais profunda do que a simples oscilação das bolsas de valores permitem enxergar. O capitalismo é um sistema em que a produção da riqueza é coletiva e a apropriação é privada, cada vez mais concentrada e, diante da concorrência em mercados livres, os capitais competem por taxas de apropriação da riqueza cada vez mais elevadas. Ocorre que o capital não se reproduz sozinho. É o trabalho produtivo, humano e desempenhado no processo de produção de mercadorias que produz a riqueza. Quanto mais se concentra o capital e se esmaga o trabalho, menos valor novo é produzido, provocando crises de acumulação que podem ser cíclicas, quando há possibilidades de retomada dos investimentos produtivos e novos ciclos de emprego e produção de valor, ou pode chegar a um estágio em que as possibilidades de saída para a retomada da acumulação de capital encontram entraves que, para serem superados, levam à barbárie.

O que vemos hoje é a expressão de uma crise estrutural muito mais séria que qualquer crise cíclica anterior.

É estrutural, pois possui um caráter universal. A crise não é reservada a um ramo específico da produção, ou estritamente financeira; e não envolve apenas um número específico de países; assumiu uma linha cronológica contínua e sequencial, diferentemente dos períodos de crises cíclicas em que, após certo tempo, os capitalistas conseguiam superar suas contradições mais imediatas.

Os capitais já não conseguem sair da pura especulação fictícia e voltar à esfera da produção do valor. Mesmo nesta esfera, dado o grau de produção em escala mundial, utilização dos recursos humanos e ecológicos em todo o mundo, a retomada do desenvolvimento capitalista só ocorrerá com o aprofundamento da barbárie, tanto ecológica quanto humana. Para se retomarem as taxas de lucros, o capital vai procurar esmagar os trabalhadores em processos produtivos cada vez mais intensos e brutais, a fim de extrair o máximo de mais-valia absoluta e relativa. Se não for detido por forte resistência no âmbito mundial, o imperialismo vai explorar os recursos naturais até a impossibilidade da continuidade da reprodução da vida humana na terra.

No plano da conjuntura, depois de se livrar das dívidas impagáveis produzidas pelo ciclo de créditos baratos e especulação desenfreada dos anos 2008/2010, os capitalistas agora querem extrair dos fundos públicos dos Estados os recursos para continuar seu caminho de acumulação fictícia. Querem que os Estados honrem com suas dívidas públicas (aumentadas na tentativa de salvar bancos e fundos), paguem juros e transfiram recursos oriundos de tributação sobre os trabalhadores, para o setor privado. Por isso, querem o ajuste fiscal, cortes nos gastos públicos sociais, desoneração da folha de pagamento, redução de salários e aposentadorias, mais privatização na saúde e educação. Enfim, querem o Estado mínimo para a população e máximo para o capital.

Os trabalhadores dos países centrais também estão pagando pela crise. Já penalizados com o desemprego e o alto endividamento das famílias, teriam que pagar ainda mais abrindo mão de uma mínima estrutura de bem-estar, já bastante debilitada pelas reformas nas políticas públicas. As manifestações na Grécia, Espanha, França, EUA, Inglaterra demonstram a insatisfação da população com estas políticas. Trabalhadores e populares saem às ruas, depredam prédios públicos, incendeiam casas e carros, marcham pelas principais cidades e capitais.

Estas resistências espontâneas das populações não encontram forças e frentes políticas organizadas capazes de canalizar sua energia e revolta para um movimento realmente transformador e revolucionário. Os partidos comunistas e operários encontram-se em reconstrução e, em sua maioria, ainda não se tornaram uma vanguarda que pudesse promover a transformação de todo o sistema para um novo patamar de vida. Desta forma, a repressão se faz brutal e o aparato repressor do Estado é direcionado contra a população, provocando verdadeiras guerras internas que podem resultar num movimento crescente de um espectro político fascista, totalitário e ainda mais opressor.

A concentração de renda verificada em todo o mundo nas últimas décadas tem contribuído para desviar a luta política de parte despolitizada dos trabalhadores mais estáveis contra seus próprios companheiros precarizados e desempregados. Movimentos xenófobos, as intolerâncias religiosas, principalmente a “islamofobia” e as ações contra os mais pobres crescem em todo o mundo, criando um quadro propício para o crescimento de organizações e ações fascistas.

Além disso, os Estados imperialistas centrais precisam cada vez mais promover suas guerras contra países detentores de recursos naturais valiosos. A guerra imperialista atual deixou de ser uma ação coordenada pelos países centrais através da ONU, para assumir a forma de guerras de interesses particulares de cada país, numa federalização da ONU. Os EUA atacam o Iraque e o Afeganistão, enquanto a França ataca a Líbia, e a Rússia ataca as ex-repúblicas soviéticas. Mas a principal guerra que se vislumbra são as novas guerras civis dentro dos países, com os aparatos repressores dos Estados contra sua população trabalhadora e a redução das liberdades democráticas.

Essa nova ofensiva belicista e imperialista, por sua vez, assume um caráter de redefinição da geopolítica de dominação de mercados e reservas por parte das grandes potências capitalistas, ao mesmo tempo em que cumpre o papel de fomento de uma vasta cadeia produtiva ligada à indústria bélica e à necessidade do controle ideológico das massas trabalhadoras, transferindo as tensões para inimigos fabricados pela mídia.

A chamada “Guerra ao Terror” tem servido, desde 11/09/2011, como instrumento de justificativa para o aumento de gastos com a indústria bélica e válvula de escape das tensões internas causadas pela crise capitalista. Republicanos e Democratas vêm se revezando no poder nos EUA, mas mantêm a mesma tônica nesses últimos dez anos.

Neste mundo conturbado, o Brasil não está imune à crise. A diferença é que, neste momento, a crise sistêmica que atinge os países centrais abriu espaço para um pequeno período de crescimento econômico e oportunidade de investimentos produtivos em alguns países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. O Brasil está recebendo volumes expressivos de investimentos produtivos e especulativos, tem saldo elevado de reservas internacionais e uma aparente tranquilidade econômica.

Esse cenário é repleto de contradições específicas, pois, em parte, o crescimento econômico está ancorado na política de concessão de crédito fácil a juros exorbitantes, os quais comprometem grande parcela dos rendimentos dos trabalhadores, forçando a que muitos entrem em uma verdadeira ciranda de endividamento pessoal.

Mesmo assim, os ideólogos do Capital pregam a barbárie quando, a todo momento, clamam por ajuste fiscal, reformas trabalhista e previdenciária, redução da participação do fundo público para atender os trabalhadores, como forma preventiva de criar um “consenso” entre a população brasileira de que dias piores virão; portanto, devem desde já se conformar e não agirem como os “vândalos” do hemisfério norte.

Desta forma, a ação política fica, aparentemente, enclausurada entre políticas que aprofundam a barbárie ou políticas reformistas para “melhorar” o capitalismo. Nós não cremos nesta dicotomia, são dois lados de uma mesma moeda e falaciosa. O capitalismo não tem mais nenhuma contribuição a dar à humanidade e nem concessões a fazer ao proletariado. Portanto, o enfrentamento desta crise é o próprio enfrentamento do capitalismo, a luta política que devemos enfrentar é a luta anticapitalista com a maior urgência. Em todo o mundo, os trabalhadores devem se organizar e mobilizar suas ações na perspectiva de, corajosamente, apresentar sua força na luta contra o capitalismo e a barbárie produzida pelo sistema. Cada vez mais ações radicais são necessárias, superando a ilusão de que meras reformas institucionais ou que a luta exclusivamente parlamentar ou restrita ao campo sindical levarão a um novo e melhor patamar de vida. É preciso fazer avançar a luta pela construção da sociedade socialista, no rumo do comunismo.

Ousar lutar, ousar vencer!

Setembro de 2011.

Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB)


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Democracia, Comunismo e Humanidade




Lincoln de Abreu Penna

Se a humanidade tivesse que ter uma representação partidária global esta representação seria necessariamente comunista. Os partidos são representações de contingentes sociais que expressam a opinião e os anseios de uma dada coletividade, seja uma classe social ou um segmento vinculado ao mundo do trabalho ou do capital, na diversidade que ambos organizam essa relação. Portanto, são partes de uma totalidade social. É claro que todos os partidos pretendem atrair o maior número de aderentes para que consiga sensibilizar o maior número possível de cidadãos.

Contudo, há pleitos que são comuns, geralmente desejos e necessidades que nem sempre os poderes públicos atendem adequadamente, e existem os pleitos universais. Estes são aqueles que têm a ver com a humanidade, independentemente de classes, nações, estados, ou outras formas de divisão do conjunto dos cidadãos no mundo. E essa ideologia de unidade comum, de realização inclusiva a atender as aspirações mais genuínas do ser humano, só o comunismo pode e tem legitimidade de representar, pelo simples fato de que o comunismo é a manifestação mais genuína da humanidade. Seu objetivo é o reencontro de uma comunidade irmanada e sem distinções de classe, uma vez que a exploração do homem sobre o homem inexistia.

O objetivo estratégico de um partido comunista é a instauração da sociedade da igualdade global. Este é o sentido da globalização para os comunistas. E a sua tática deve consistir no aprofundamento permanente, constante, da democracia como um bem universal, pois só os comunistas podem ser conseqüentes nesse sentido. Por isso que, a democracia só pode se realizar em sua plenitude no comunismo. No capitalismo a democracia não é nada mais que um engodo, porque ela se limita apenas ao funcionamento de instituições fundadas numa representação responsável pela ordenação de interesses supostamente comuns.

Assim, proclamar a democracia em sua essencialidade é contribuir para o agravamento das contradições entre capitalismo e democracia, cuja coexistência é imprópria para o capitalismo e deforma a democracia. Qualificar o sentido da democracia, como uma prática que deve incorporar a todos, que deve questionar a tudo que provêm dos poderes instituídos, e exercer a democracia em todos os espaços nos quais a cidadania esteja minimamente organizada, eis as tarefas essenciais dos comunistas. E a difusão desse comportamento, presente em todos os espaços caracteriza nos tempos atuais o que historicamente o movimento comunista define como internacionalismo proletário. Já agora não mais apenas para definir o papel dirigente do proletariado com vistas à construção do socialismo, como etapa necessária à edificação do comunismo, mas para situar a presença dos que produzem em todas as esferas os mecanismos da transformação, nos diversos universos de trabalho manual e intelectual de uma humanidade.científica e tecnologicamente apta a definir os seus rumos verdadeiramente libertários.

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Veja a Página do PCB – www.pcb.org.br

Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922




Aos que ousam lutar! - Por: Antônio Ozaí

“Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam por anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.”
Bertolt Brecht

Ocupação Manuel Gutierrez 25/08/11 - UEM (Foto: Andressa Modolo)

Eles ocuparam o prédio da reitoria da Universidade Estadual de Maringá em 25.08.2011 e saíram nesta sexta-feira, dia 02 de setembro de 2011. Nestes dias, muito se falou deles. Nas salas dos professores, salas de aulas e corredores da UEM; nas residências, ruas, ônibus, igrejas, shoppings e comércio de Maringá e região; na mídia local e estadual; nos blogs, facebook, etc. Em todos os lugares, eles dividiram opiniões!

Muitos os criticaram, alguns mais exaltados clamaram por repressão. “Baderneiros”, “maconheiros”, “vagabundos”, “vândalos” e outros epítetos foram lançados à face. Ironizaram a pauta de reivindicação, reduzindo-a um ou outro item. Outros críticos, quiçá moderados, quem sabe constrangidos, direcionavam suas farpas aos meios de luta utilizados e ao reiterado argumento da “partidarização” do movimento. O velho discurso da ordem foi brandido, sem a mínima análise crítica do significado desta. O clamor pela restauração da ordem tornou-se histeria na medida em que os dias passavam e os estudantes ousavam ainda mais.

A ousadia dos estudantes forçou o corpo docente a romper o marasmo e a indiferença. Pressionados pelas circunstâncias, muitos tiveram que se posicionar. Nas salas de aula, no campus, a violência simbólica assumiu ares de retórica democrática e o poder professoral revelou-se um fator inibidor do apoio e participação ativa dos alunos no movimento. Posicionar-se é um direito democrático. Não é isto que se questiona, mas sim o agir professoral, ou seja, se o(a) professor(a) exorbita em sua autoridade. Afinal, em sala de aula a relação é de poder!

Não obstante, o Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” conquistou o apoio ativo de muitos docentes e técnicos – ainda que sejam minoria no campus. O apoio de sindicatos, associações representativas e outras instituições maringaenses também foi importante.

Juliana Ozaí da Silva e a turma do curso de Pedagogia (30.08.2011)

Os estudantes resistiram e deram uma lição de política, de democracia. Eles souberam superar as divergências internas, próprias de um movimento politicamente pluralista, pela prática democrática da autogestão. Organizaram-se em comissões, sem hierarquizações e com a assembléia estudantil como órgão máximo de debate e decisão, a qual todos estavam submetidos, inclusive e principalmente os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) – Gestão Movimente-se UEM. Eles construíram na prática a unidade que as forças de esquerdas neste país têm se mostrado incapaz de consolidar.

A ironia é que a práxis democrática estudantil teve como locus o símbolo do que em tese representa a comunidade acadêmica, o Conselho Universitário (COU). Foi na sala de reuniões do COU que os estudantes debateram e decidiram os rumos do movimento. De fato, o COU expressa o poder docente (a eleição para os seus membros desconsidera até mesmo o critério da paridade).

Os acadêmicos deram uma demonstração de responsabilidade. Cuidaram do patrimônio público de forma exemplar. Oxalá, todos tivéssemos a mesma consciência em relação àres publica! Eles navegaram na contracorrente de uma certa prática privatista que vê o bem público como se fosse uma dádiva governamental a ser apropriada privadamente, por vias tortuosas ou mesmo sob o verniz burocrático-legal.

Outra lição dos estudantes foi a superação do individualismo. Estamos tão absortos em nossos projetos pessoais, concorrência por editais, cargos burocráticos, etc., que perdemos a dimensão social do nosso trabalho, do que significa ser intelectual, do compromisso da universidade pública com a comunidade e a realidade social que a circunda. Eles agiram por demandas coletivas. As conquistas do movimento contribuem inclusive com o trabalho docente e serão usufruídas pelos futuros estudantes. Eles constroem uma universidade de qualidade de fato

Os espíritos conservadores – às vezes travestidos de liberais ou até mesmo com retórica marxista – horrorizam-se diante da ação real e concreta dos que não apenas estudam a história, mas ousam fazê-la; dos que não se limitam a memorizar textos, conceitos e teorias, mas aceitam o desafio de aprender com a prática e, assim, superar seus próprios mestres. As atitudes dos jovens estudantes desafiam-nos a repensar a nossa práxis docente e a observar com maior acuidade as incoerências existentes entre o discurso e a prática.

Foto: Antonio Ozaí da Silva (30.08.2011)

Todavia, talvez a maior lição dos estudantes seja o ousar lutar. A luta é uma escola de política por excelência. Os que lutaram no passado, mas se acomodaram à mesmice ou se encastelam em cargos burocráticos, talvez possam aprender algo. De qualquer forma, o aprendizado que a luta proporciona aos diretamente envolvidos têm efeitos positivos. A direção aperfeiçoou seu aprendizado político. Pedagogicamente, talvez o mais importante tenha sido a educação política das dezenas de jovens, mulheres e homens, que viveram a experiência da luta concreta. Cresceram intelectual e politicamente, tornando-se seres humanos mais conscientes e críticos. Há quem prefira que os estudantes se restrinjam a estudar e tirar nota – este modelo favorece os mais adaptados. No fundo, porque é cômodo, pois acadêmicos politizados e conscientes dos seus direitos desafiam o poder burocrático e professoral.

Ainda há muito a fazer! É preciso, por exemplo, democratizar pra valer não apenas o COU, mas também o espaço da sala de aula. No entanto, os acadêmicos do Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” deram passos importantes e foram vitoriosos em seus objetivos. Deram-nos lições e estão de parabéns. Nós, professores, podemos nos orgulhar deles e delas!


Originalmente publicado em: http://antoniozai.wordpress.com/2011/09/03/aos-que-ousam-lutar/

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Viva o 1º Seminário Nacional de Universidade Popular

O 1 º Seminário Nacional de Universidade Popular que ocorreu nos dias 2, 3, e 4 de setembro contou com a presença de mais de 500 pessoas, estudantes comprometidos em criar um projeto popular de Universidade, que rompa com a produção de conhecimento sob o julgo do mercado. A UJC do Paraná se fez presente e participante, percebemos que o comprometimento e o consenso, além do respeito e bom diálogo entre as diversas forças presente, resultaram num excelente andamento do seminário, apontando os passos iniciais para travar a luta por uma Universidade Popular.

Saudações aos camaradas que se dedicaram a organizar o Seminário, e a todos os camaradas que participaram, lutando ao lado dos oprimidos, rumo ao socialismo!

Foto: Plenária final no dia 04, democrática e consensual.

Revoltas na Grã-Bretanha: Um aviso para a burguesia - Por: Alan Woods

Alan Woods
Tuesday, 30 August 2011

A revolta chegou na Inglaterra. Tudo começou com a repressão policial e a raiva contra o sistema apodrecido explodiu. Os protestos no Reino Unido são apenas um sintoma de uma crise geral do capitalismo. Os marxistas não se juntarão à burguesia e seus agentes em seu coro de denúncia. Nosso dever é encontrar um caminho para a juventude, ajudá-la a encontrar o caminho certo – o caminho revolucionário, em direção a reconstrução socialista do mundo.
A ex-líder do Partido Conservador Margaret (agora Lady) Thatcher uma vez disse: "Não existe sociedade". Três décadas depois, a sociedade tem dado um duro lembrete de sua existência para a classe dominante britânica.
No espaço de 48 horas, o país tem sido varrido por uma onda de rebeliões. Fogos queimaram por toda Londres em um terceiro dia de saques e desordem. Centenas de pessoas foram presas enquanto a policia era atacada, suas viaturas danificadas e lojas saqueadas. Nesta manhã, muitas partes da cidade acordaram com cenas que lembravam zonas de guerra.
O problema começou quando um jovem homem negro, Mark Duggan, foi assassinado a tiros pela policia em Tottenham, no norte de Londres. Os acontecimentos que cercam o incidente ainda não estão muito claros. O que houve foi um "pré-plano", parte da Operação Tridente, que investiga crimes com armas de fogo em comunidades africanas e caribenhas. Essa operação despertou, nessas comunidades, o sentimento de que estão sendo injustamente visadas pela polícia.
Aparentemente, a policia parou o táxi em que o senhor Duggan estava viajando. O relatório inicial da policia afirma que o rapaz foi morto em uma troca de tiros, que ele teria uma arma nas mãos e que teria disparado contra os policiais. Mentira. Agora é sabido que não houve nenhuma troca de tiros. Somente duas balas foram disparadas, ambas de armas da policia. Essa tentativa desastrada de encobrir os fatos só serviu para por mais lenha na fogueira.
Em um protesto em Tottenham no sábado, as pessoas, conduzidas pela família do senhor Duggan, marcharam em direção à estação de policia exigindo uma explicação pela morte. Nenhuma foi dada e a multidão teve que esperar por horas a fio. Mas isso foi rapidamente superado por uma explosão de revolta. A faísca que incendiou essa nova rebelião foi o tratamento brutal que a polícia deu para uma menina de dezesseis anos. A revolta se expandiu para as cidades vizinhas de Wood Green e Tottenham Hale. Quando perguntado por que estava se revoltando, um rapaz, com a cara encoberta, disse: "A policia tem muito poder e o esta usando. Não é certo, cara!"
Porém, a execução do rapaz e o teatro armado pela polícia rapidamente ficaram em segundo plano, enquanto que um sentimento generalizado de frustração tomou as ruas das áreas mais pobres com alta concentração de jovens pobres, sobretudo negros. A revolta que se viu ontem de noite e no Domingo é diferente daquela que explodiu no sábado. Em Tottenham se tratava da indignação da juventude contra a brutalidade policial. Mas isso era apenas a ponta de um imenso iceberg. Agora os eventos tomaram um rumo qualitativamente diferente.
A BBC relatou:
"Havia pessoas em seus carros, jovens com bicicletas, movendo-se rapidamente, deixando um rastro de destruição por onde passam. Assim que você os alcançava, eles já estavam em outro lugar."
"A policia dava tudo de si para pegá-los. Viaturas moviam-se para frente e para trás, luzes azuis das sirenes piscando e a tropa de choque tomando posição".
"Dez minutos depois eles voltavam, e outra vez, numa tentativa de combater o foco da revolta que se espalhava por Londres."

A Rebelião se espalha

Confrontos explodiram em Enfield, ao norte de Londres, na noite de domingo, quando vitrines foram quebradas e uma viatura danificada. Mas na segunda-feira a revolta se espalhou como um fogo selvagem em mato seco para diversas áreas da cidade: Hackney no leste, Ealing no oeste, Walthamstow e Floresta de Waltham no norte e Clapham, Croydon, Lewisham e Brixton no sul.
Grande número de jovens tomou as ruas para saquear lojas em profusão, inclusive nas zonas turísticas de Oxford Circus, no centro da cidade. Houve relatos de um bando de quase 200 jovens que saqueou lojas e desafiou a policia em Coldharbour Lane e High Street em Brixton, cenário das grandes manifestações nos anos 80.
O repórter da BBC de Londres, Paraic O'Brien, afirmou que viu cenas de vandalismo generalizado em Brixton.
Ele disse:
"Eles destruíram uma William Hill (loja de apostas). Eles incendiaram caixas."
"E agora o que estamos vendo é a repetição dessa cena por toda Brixton High Street."
O fotografo da Associated Press, Lewis Whydl, diz que viu vândalos lutando contra a policia em uma loja de Curry em Brixton.
"Havia duzentos jovens saqueando e vandalizando. A tropa de choque foi de encontro a eles e houve uma grande briga na rua."
"Jovens atiravam pedras e garrafas e um caixa estava em chamas. Eles usaram um extintor para afastar a policia, de maneira que pudessem voltar a loja de Curry e continuar a saqueá-la".
Cenas parecidas foram relatadas em diversos locais. Em Croydon, uma fabrica de moveis foi incendiada e reduzida a cinzas em duas horas. O transito foi prejudicado, sendo que duas estações de metro foram fechadas e ônibus desviaram de suas rotas para evitar as áreas de confronto. Já se fala em áreas "a serem evitadas".
Por toda a parte, a policia dá a impressão de ser completamente impotente. Durante três noites de revoltas, eles foram reduzidos ao papel de meros espectadores, sendo amplamente superados em numero pelos revoltosos e incapazes de fazer alguma coisa. Qualquer ação -mesmo a de tentar prender os saqueadores – arriscavam levar às piores consequências.
O Comandante da Policia Metropolitana, Christine Jones, declarou: "Os nossos homens estão chocados com o nível de violência dirigida contra eles". Trinta e cinco policiais já foram feridos. Outros três foram feridos quando um veículo os atingiu quando tentavam fazer uma prisão em Waltham, não longe de onde eu vivo no leste de Londres. Uma viatura foi atacada em Ilsington, norte da cidade. As cenas transmitidas pela televisão lembravam muito mais Beirute em meio a guerra civil, trinta anos atrás, do que Londres no meio do mê de Agosto.

Criminosos e criminalidade

De repente a classe política britânica levou um choque que os tirou de seu torpor de verão. Rapidamente, os lideres dos grandes partidos interromperam suas férias e retornaram ao Reino Unido para tentar dar alguma impressão de controle sobre a situação. Mas o controle sobre as ruas foi perdido – pelo menos por enquanto.
O "establishment" político reagiu de uma forma previsível. Kit Malthouse, vice-prefeito da cidade, chefe e autoridade da Policia Metropolitana, ficou preocupado com a imagem de Londres nas vésperas das Olimpíadas. Ele descreveu as cenas das duas últimas noites como "nojentas e chocantes" e disse que a policia estava fazendo um bom trabalho.
Ele acrescentou: "Obviamente, há pessoas nessa cidade com inclinação para a violência, que esperam pela oportunidade de incendiar um prédio e roubar, criando uma sensação de desordem, sejam eles anarquistas, parte de uma quadrilha organizada ou simples jovens rebeldes, honestamente, que querem um novo par de tênis.
A Secretária de Assuntos Internos, Teresa May, rapidamente denunciou a desordem como sendo mera "criminalidade", e todos aqueles que estivessem por de trás dela como criminosos que seriam punidos com todo o rigor da lei. Ela ainda disse: "Na noite passada, os policiais novamente se colocaram em perigo para proteger os londrinos e suas propriedades".
"Os Londrinos já deixaram claro que não há desculpas para a violência, e eu apelo para todos os membros das comunidades locais para que colaborem com a polícia para levar esses criminosos para a justiça."
É claro que o elemento criminoso esta sempre presente na sociedade capitalista. Marx se refere a ela no Manifesto Comunista como a "classe perigosa" (lumpenproletariat), a escória social, aquela massa que apodrece passivamente, sendo jogada para o ultimo plano da velha sociedade.
Nessa camada da sociedade há muitos elementos sem classe e criminosos que estão sempre prontos para queimar e roubar. Há também muitos bandidos profissionais. Mas a grande maioria dos jovens que foram às ruas não eram desse tipo. Havia sim criminosos, sem duvida. Mas a imensa maioria era movida por motivos bem diversos.
Será que essas revoltas não têm algo a ver com os cada vez maiores e mais abrangentes problemas sociais e econômicos na Grã Bretanha? Será que não estão relacionados com os altos índices de desempregos entre os jovens, especialmente jovens negros? Poderia também haver uma relação entre os cortes nas áreas sociais promovidos pelo governo Liberal-Democrata, que estão provocando enorme queda no padrão de vida da população e que estão caindo de forma desproporcional sob os ombros das camadas mais pobres? E quanto ás operações racistas da policia visando jovens negros e asiáticos?
Não! Os políticos declaram em coro. Isso não passa de "pura criminalidade" e os responsáveis devem ser punidos com todo o rigor da lei. Aqui temos a mentalidade policial da forma crua e ignorante possível. A ideia de que milhares de jovens tomariam as ruas e atacariam a policia apenas porque querem um novo par de tênis é o cumulo da estupidez. E se eles são criminosos hoje, também o devem ter sido antes. Porque esses levantes, então, não começaram há dois, cinco, dez anos atrás?
Vamos colocar a questão de forma simples, de maneira que até um Secretário de Assuntos Internos conservador possa entender. Se uma pessoa tem um emprego no qual é razoavelmente remunerada, não tem a necessidade de invadir uma loja para obter um tênis. É por isso que muito poucos banqueiros são condenados por roubar lojas. Eles não têm motivo para invadir lojas e roubar dinheiro do caixa porque tem em mãos algo muito maior: o Tesouro Público Nacional, que despejou muitos bilhões de dinheiro público em seus cofres, enquanto informam ás comunidades carentes que não há dinheiro para escolas ou hospitais.
A sociedade capitalista é uma sociedade doente, e cria uma doença moral que é o solo envenenado onde todo o tipo de crime floresce. Ali estão os grandes criminosos que prosperam e crescem gordos e ricos e vão parar na Câmara dos Lordes, e há os criminosos pequenos, que vivem em guetos tentando melhorar de vida com ações individuais, e que acabam por virar convidados de Sua Majestade em vizinhanças bem menos confortáveis.
Solon o Grande de Atenas uma vez disse: "A lei é como uma teia de aranha. Os pequenos ficam presos e os grandes a despedaçam". A mídia lança-se numa campanha contra os rebelados que supostamente estão motivados pelo desejo incontrolável de adquirir um novo par de tênis. Mas espere um momento. Não há uma falha nessa lógica? Se uma pobre criança negra invade uma loja em Brixton, ela é presa. Se um banqueiro lesa a economia nacional, é recompensado com bilhões de dólares.
A classe política também se move contra a criminalidade nas ruas de Hackney e Brixton. Mas com que moral os políticos britânicos podem dar palestras sobre retidão moral para a juventude britânica ou qualquer outra? Esses são os senhores e senhoras que a pouco tempo atrás eram expostos e denunciados por corrupção, mentira e fraude. Eles roubaram grande somas de dinheiro para decorar apartamentos de luxo, pagar por propriedades não existentes e até fossos ao redor de castelos. O que é isso, se não ganância e criminalidade?
E a mesma imprensa mercenária que agora esta pedindo o sangue da juventude rebelada e "criminosa" da Grã Bretanha? Não é essa mesma imprensa que enfrenta processos por invadir telefones celulares de garotas assassinadas, subornar policiais e de chantagear os ocupantes do Maior Posto em Toda a Terra (o primeiro ministro)? Comparada com essa máfia midiática, os revoltosos comuns de Hackney e Brixton são como cordeiros inocentes.

Nós condenamos os tumultos?

Nós, marxistas, apoiamos vandalismo e saques? Não, é claro que não. Mas também não apoiamos o câncer. Mas como todos sabem, não é suficiente condenar o câncer. É preciso encontrar sua causa e curá-lo.
Nós rejeitamos firmemente os saques e o vandalismo. Mas nossa rejeição em nada tem a ver com a hipocrisia fedorenta da burguesia. Nós rejeitamos essa prática destrutiva e sem sentido porque não faz nada para melhorar as condições de vida dos jovens, na verdade, as piora. Como a queima de lojas e produtos vai ajudar a dar empregos para a juventude?
Também rejeitamos essa prática porque a maior parte de suas vitimas são pobres, assim como os saqueadores. As lojas e negócios que estão sofrendo com os saques são de propriedade de pessoas locais, e sua força econômica é pequena. Os ricos não moram em Brixton ou Hackney. Os verdadeiros criminosos não são afetados por essa onda de violência, que observam a uma distância segura, protegidos por uma policia que notavelmente se faz ausente nas áreas mais pobres de Londres. Foram famílias pobres que perderam com suas casas e posses graças à loucura insana dos incendiários. E isso certamente é um crime.
Os reacionários já estão se aproveitando da situação para pressionar por medidas mais repressivas. O primeiro ministro David Cameron deu ontem uma coletiva de imprensa na qual ele repetiu diversas vezes a expressão "criminalidade pura e simples". Ele prometeu que os responsáveis sofreriam com o "rigor da lei" e que aceleraria as cortes para mandar muitos deles para a cadeia rapidamente. Sky News esta fazendo uma campanha particularmente vil, exigindo que a polícia utilize gás lacrimogêneo e balas de borracha e que o exército vá para as ruas.
Se o movimento trabalhista cumprisse com suas responsabilidades, já teria, há muito tempo, tomado providências para organizar a juventude desempregada e aproximá-la com a classe trabalhadora organizada. Mas os líderes sindicais adotaram uma visão estreita dos acontecimentos. Eles não fizeram nenhuma tentativa séria de organizar o desorganizado.
Quanto aos líderes de direita do Labour, eles estão a milhares de milhas de distancia da realidade da classe trabalhadora. A bancada parlamentar do partido está repleta de carreiristas de classe média: médicos, advogados, economistas e outros, que não fazem idéia do que é viver de benefícios sociais ou viver em áreas pobres.
Noite passada foi anunciado que Ed Miliband estava voltando de sua casa de férias em Devon (um lugar muito bonito). Eu não vi suas declarações sobre os levantes, mas já sei o que ele irá dizer. Também na noite passada um parlamentar "trabalhista" de Birmigham (onde também houve revoltas) que tudo não passou de ações de criminosos, que devem ser punidos com todo o rigor da lei etc, etc. Ou seja, exatamente a mesma musica cantada pelos conservadores, com a mesma melodia.
Desprovida de voz, a juventude é deixada de lado para enfrentar os efeitos da crise capitalista sozinha, para tirar suas próprias conclusões e agir em seu próprio interesse. Por um Aldo, eles são bombardeados pela propaganda que mostra a boa vida que alguns têm, mas da qual eles estão excluídos. Eles são atraídos pelos comerciais da festa consumismo como todos, mas quando tentam entrar, a porta é batida em suas caras.
"Porque os ricos devem ter tudo e nós nada?" Essa é uma pergunta bastante razoável. Mas na ausência de um partido revolucionário, que os aponte o caminho certo para se emancipar coletivamente, pela qual toda a sociedade seja levantada da pobreza e alçada a um nível mais alto, eles vão inevitavelmente buscar a salvação de forma individual: tentando tomar o que lhes falta como indivíduos, como vimos noite passada.
Isso é deplorável, mas e também uma conseqüência inescapável do capitalismo e da moralidade do mercado. O capitalismo ensina as pessoas a serem gananciosas e egoístas porque ganância e egoísmo são sua principal força motriz. O capitalismo é governado pela lei da selva, em que os mais fortes devem vencer e os fracos pisoteados. Isso agora é o mundo de homens de negócio. Porque reclamar se as pessoas comuns se portam da mesma forma?
Esses levantes são a expressão de uma raiva contida e impotente. Por umas poucas noites, os revoltosos se nutrem de uma falsa noção de poder. Eles ficam intoxicados, não apenas com a mercadoria roubada, mas com a adrenalina que sempre envolve movimentos de massa. Os jovens pensam: "é melhor do que uma partida de futebol". Certamente, é mais barato.
Mas assim como os efeitos de uma bebedeira, a exaltação logo desparece. Nas primeiras luzes do dia, os eventos da noite anterior parecem diferentes. O aparato de repressão do estado, que parecia derrotado, volta com força. Planos serão feitos para retomar a cidade, bairro por bairro, rua por rua, casa por casa. Prisões serão feitas, julgamentos serão realizados e todos os jovens que se acreditaram senhores das ruas por um dia pagarão um alto preço por isso.

Novas explosões serão inevitáveis

A crise capitalista já produziu movimentos de massa, greves e greves gerais em todos os países. Foi a verdadeira causa da Revolução Árabe, que levou a queda de dois ditadores e ainda está queimando. Na Grécia e na Espanha levou centenas de ilhares de pessoas para as ruas. Até mesmo Israel tem sido balançada por protestos de massa.
Os levantes na Grã Bretanha devem ser encarados como parte desse quadro. Assustou o "establishment" político. Mas na verdade eles eram totalmente inevitáveis. O beco sem saída do capitalismo forçou a juventude pobre a morrer a morte do desemprego. Milhões vivem em guetos, sob condições subhumanas, enquanto milhões de casas vivem vazias ou sub ocupadas. Residências para os mais pobres não estão sendo construídas, mas somente os ricos podem pagar até a mais modesta casa em Londres.
Por trás da calmaria e da ordem, uma raiva profunda estava sendo formada nas profundezas da sociedade britânica. Por décadas a sociedade ficou contente em fechar os olhos para a feia realidade dos guetos, onde os pobres se afundam em ainda mais pobreza e dividas, e onde drogas e armas são mais abundantes do que saúde, educação e lazer. Há dinheiro mais do que suficiente na City, onde os banqueiros e executivos se concedem bônus saídos do dinheiro público. Mas não há condições para promover uma existência semicivilizada para as pessoas em Brixton.
Essa é uma nova interpretação da bíblia: "Para o que tem, a ele deverá ser dado; para o que não tem, dele deverá ser retirado inclusive o que ele tem". Será surpresa, então, que haja um sentimento de revolta arraigado nessas comunidades, especialmente entre os jovens?
Os levantes coincidiram com uma grave crise nas bolsas de valores ao redor do mundo. Isso provocou um enorme nervosismo na burguesia internacional, que finalmente acordou para o fato de que a recuperação dos mercados está fora do possível nesse momento. O anuncio de um crescimento excepcionalmente pequeno tanto nos EUA quanto na União Européia foi suficiente para provocar pânico generalizado nos mercados, que já tinham tremido diante do problema da dívida publica em ambos os lados do Atlântico. Agora os economistas já falam de uma crise ainda mais grave, que pode vir mais cedo do que tarde.
Não há duvida de que a atual política de austeridade e corte de gastos só pode piorar os efeitos da crise. Diminuindo o padrão de vida, o consumo cai e agrava a crise de superprodução. Até ai, os Keynesianos estão certos. Mas eles não oferecem nenhuma alternativa. Como os gastos públicos podem aumentar se em todo o mundo os governos enfrentam problemas com os enormes déficits.
A única resposta é a saída quantitativa, ou seja, imprimir dinheiro. Mas isso acenderá a chama da inflação, provocando, no futuro, uma hecatombe ainda maior. A burguesia se encontra em um dilema entre o diabo e o mar profundo.
Cameron pode ganhar fôlego na popularidade por se colocar como defensor da ordem e "inimigo da anarquia". Mas a verdadeira anarquia é a anarquia capitalista, a anarquia do mercado. Foi o que privou milhões de pessoas de trabalho, casa e esperança. E é ausência dessas coisas que levam a explosões de revoltas violentas.
Em longo prazo, essas revoltas terão um alto preço político. O racha na coalizão Liberal-Democrata vai se aprofundar. A tática conservadora de "cortar e queimar", usando a crise e o alto déficit para destruir os serviços sociais na Grã Bretanha, está agora em risco.
As rebeliões no país são apenas um sintoma da crise capitalista mundial. A crise se aprofunda a todo o instante, e a burguesia não tem saída. Todas as tentativas de restaurar a harmonia econômica só servem para destruir a harmonia política e social. E também não será resolvido acelerando as cortes e enchendo as já lotadas prisões inglesas.
Novas explosões estão sendo preparadas. Amanhã haverá novos tumultos. A juventude esta tentando achar um caminho para fora do beco sem saída para onde foi condenada pelo capitalismo. Logo eles descobrirão que esses levantes são outro beco sem saída. Eles devem encontrar um caminho certo para se libertar da escravidão capitalista.
Os marxistas não juntarão forças com a burguesia e seus agentes nesse coro hipócrita de denúncias. Seguiremos o grande conselho de Spinoza: "Nem lágrimas, nem risos, mas compreensão". Nosso dever é encontrar um caminho para a juventude, ajudá-la a encontrar o caminho certo – o caminho revolucionário, em direção a reconstrução socialista do mundo.
Londres, 9 de Agosto de 2011.
Translation: Esquerda Marxista (Brazil)

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Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922




Palestina-Via Campesina Brasil



VIA CAMPESINA BRASIL EM DEFESA DO POVO PALESTINO
O POVO PALESTINO TEM O DIREITO DE TER O SEU PRÓPRIO ESTADO,
LIVRE, DEMOCRÁTICO E SOBERANO!!!
ESTADO DA PALESTINA JÁ!!!
Nós, trabalhadoras e trabalhadores dos diversos movimentos e organizações que fazem parte da Via Campesina Brasil, mais uma vez reafirmamos nosso total apoio e solidariedade com a justa e legítima luta do povo palestino.

O colonialismo israelense sempre foi parte da tentativa do imperialismo de sufocar as legítimas lutas de libertação nacional e por transformações sociais que se desenvolveram em diversos países do mundo.

Inspirados numa ideologia conservadora, racista e antidemocrática, o sionismo, os sucessivos governos do Estado de Israel violam cotidianamente os direitos inalienáveis do povo palestino.

Infelizmente a ONU, que se pretende defensora dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, não tem feito mais do que aprovar centenas de resoluções de condenação, reprovação e denúncia contra o Estado de Israel que nunca se transformam em ações concretas. Sob a proteção dos países imperialistas, como EUA, França, Inglaterra e seus lacaios, os mais brutais e violentos crimes são cometidos todos os dias contra a população que vive nos territórios ocupados em 1948 e em 1967.

As "Forças de Defesa de Israel" e todas as outras instituições do aparato repressor colonialista israelense são hoje conhecidas no mundo pela sua covardia e pela prática de genocídio e terrorismo contra o povo palestino e contra todos os que se rebelam em defesa de um Estado Palestino.

Nosso grande desafio é transformar essa indignação diante da violência do governo de Israel num gigantesco movimento social e político de massas de caráter internacional, que faça recuar esse monstro nazi-sionista.

A coragem, a sabedoria e as mobilizações do povo palestino são hoje símbolos e exemplos da resistência popular contra toda injustiça praticada em qualquer lugar do mundo.

O grito de Pátria Livre se faz ouvir em todo o território palestino. Judeus, cristãos, muçulmanos e todas as forças democráticas, progressistas e antiimperialistas dentro e fora da Palestina se mobilizam em um movimento unificado contra o inimigo de toda a humanidade: o governo do Estado de Israel e seus aliados, o imperialismo dos Estados Unidos e da União Européia.

Diante das novas manifestações populares na Palestina, a Via Campesina Brasil vem manifestar sua admiração e sua solidariedade com esse heróico povo, conclamando @s brasileir@s para:

1. Defender o direito legítimo do povo palestino de lutar contra a ocupação israelense e pela constituição do Estado da Palestina, bem como apoiar a campanha da Autoridade Palestina pelo reconhecimento do Estado da Palestina como membro pleno da ONU;

2. Apoiar as decisões soberanas do povo palestino e suas legítimas organizações políticas e sociais no que diz respeito ao caráter do Estado e às fronteiras. Acreditamos que tais decisões serão resultado das lutas e do processo de debate no interior das forças da resistência palestina, portanto, consideramos que não cabe a nós a decisão sobre como deve ser e qual será o caráter do Estado Palestino;

3. Fortalecer a luta pela libertação d@s pres@s polític@s que vivem hoje nos cárceres por participarem da legítima luta de libertação nacional palestina;

4. Fortalecer a luta em defesa dos camponeses, trabalhadores rurais e pescadores, que perderam o direito à terra, à água, ao trabalho e à liberdade com a ocupação colonialista israelense;

5. Intensificar a luta contra o Tratado de Livre-Comércio MERCOSUL-Israel, uma vergonha para o povo brasileiro, pois tal tratado estimula o comércio com um país que não respeita as resoluções da ONU, os direitos humanos e o direito internacional humanitário, além de possibilitar, para Israel, a exportação de produtos dos assentamentos judeus-sionistas que estão hoje ilegalmente nos territórios palestinos de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental;

6. Intensificar, no Brasil, a campanha pelo boicote e desinvestimento contra Israel, para impedir a compra de produtos deste país que pratica hoje um regime de apartheid contra o povo palestino. Boicotar a importação de produtos e/ou serviços, bem como propor também o boicote acadêmico e cultural contra esse país é mais uma forma de lutar pelo fim do apartheid de Israel;

7. Denunciar e lutar contra a compra, por parte dos governos estaduais e do governo federal (em especial as Forças Armadas e o Ministério da Defesa), de equipamentos militares, aviões não-tripulados, veículos blindados, armas e munições israelenses, pois esse tipo de comércio só alimenta e fortalece o complexo industrial-militar israelense-estadunidense, uma indústria que tem lucrado com o assassinato de milhares de pessoas em diversas partes do mundo;

8. Lutar contra o bloqueio econômico, político e militar imposto por Israel ao povo de Gaza, território palestino ocupado que luta cotidianamente e heroicamente pela sua libertação. Fortalecer a solidariedade com Gaza é tarefa de tod@s. Precisamos fazer um esforço para organizar uma missão humanitária de solidariedade à Gaza, com representantes de diversas organizações políticas e sociais da classe trabalhadora brasileira;

9. Intensificar a pressão sob o governo brasileiro para que o mesmo dê um tratamento digno e possa amparar de maneira mais intensa e efetiva os refugiados palestinos que se encontram hoje no Brasil, principalmente os 150 palestinos que saíram do Iraque e ficaram em um Campo de Refugiados na Jordânia, e que se encontram hoje no Estado de São Paulo;

10. Pressionar o governo brasileiro para que o mesmo se utilize de todos os mecanismos disponíveis na Carta das Nações Unidas e outras resoluções internacionais para exigir do governo de Israel que cumpra a decisão do Tribunal Internacional da ONU de derrubar o "muro da vergonha", que tem cerca de 700 km de extensão e separa o povo palestino, configurando uma situação de apartheid que priva dos palestinos o direito de ir e vir;

11. Discutir com o governo brasileiro ações mais intensas e mais concretas de apoio, estímulo e cooperação para implementar projetos de desenvolvimento econômico, social, cultural e esportivo na Palestina. O Brasil tem condições de dar apoio material e financeiro para garantir melhores condições de vida e de trabalho para o povo palestino. Algumas das propostas da Via Campesina Brasil são: construir as condições para que o Brasil e a América do Sul se transformem em espaços para a comercialização dos produtos dos camponeses palestinos e para intensificar as ações de apoio ao esporte na Palestina, principalmente o futebol, nas modalidades masculino e feminino.

12. Apoiar as lutas dos judeus e israelenses que lutam contra o sionismo e contra a ocupação da Palestina, pois existem dentro do Estado de Israel forças políticas e sociais progressistas, democráticas e anti-colonialistas que são constantemente reprimidas por defender os direitos inalienáveis do povo palestino;

13. Defender o direito de todos os refugiados palestinos de retornarem para sua terra/pátria, bem como o direito de serem reparados pelas perdas que tiveram durante a ocupação militar israelense;

14. Apoiar as mobilizações populares que visam desencadear uma "Terceira Intifada" contra a ocupação israelense. Também acreditamos que só a luta de massas pode alterar radicalmente a correlação de forças nas lutas políticas e sociais.

15. Para discutir como realizar concretamente tais ações propomos organizar um Encontro Nacional de Solidariedade ao Povo Palestino. A Via Campesina Brasil e demais organizações da classe trabalhadora estão convocando este encontro para os dias 26 e 27 de novembro, na Escola Nacional Florestan Fernandes – ENFF, na cidade de Guararema - São Paulo.

Sabemos que o campo de batalha decisivo nesta luta são as ruas, bairros, cidades, vilas, vales e montanhas da Palestina ocupada, e cabe a nós fortalecer as forças vivas da resistência popular palestina.

Sigam em frente irmãos e irmãs palestinos, com uma oliveira numa das mãos e uma pedra na outra, lembrando sempre de sua história, de sua origem e de sua tarefa: lutar permanentemente contra o sionismo e o governo de Israel, mesmo estando em condições bastante desiguais frente ao inimigo-agressor.

Quem não cansa de lutar semeia a cada dia o caminho da vitória. A Palestina será livre, justa e soberana. Esse é o seu caminho e o destino de seu povo. Liberdade e terra para o povo palestino.


VIA CAMPESINA BRASIL: Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF, Conselho Indigenista Missionário – CIMI, Comissão Pastoral da Terra – CPT, Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB, Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, Movimento das Mulheres Camponesas – MMC, Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA, Movimentos dos Pescadores e Pescadoras Artesanais, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, Pastoral da Juventude Rural – PJR.

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Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922




sábado, 3 de setembro de 2011

Tem inicio o Seminário Nacional de Universidade Popular - SENUP - em Porto Alegre - RS

"Um Arquipélago de mediocridade e ilhas de excelência" Diz o Camarada José Paulo Neto ao se referir ao ensino Universitário Brasileiro sob a hegemonia burguesa!

Por este e outros motivos é que construímos o movimento por uma Universidade Popular! Uma luta anti-capitalista!