quarta-feira, 17 de março de 2010

FARC: "Não somos belicistas nem lutamos por vinganças pessoais."










Memorando para um intercâmbio sobre o conflito colombiano.









Primeiro: Sempre acreditamos numa solução política para o conflito. Mesmo antes da agressão a Marquetalia, e durante esses 46 anos, temos reiterado, expressado e lutado por esse objetivo.









Segundo: Não somos belicistas, nem lutamos por vinganças pessoais. Não temos patrimônios materiais ou privilégios a defender, somos revolucionários comprometidos com nossa consciência, e desde sempre, com a busca de uma sociedade justa e soberana, profundamente humanistas, desprovidos de qualquer interesse pessoal mesquinho. Nós amamos nosso país acima de tudo e somos obrigados a desenvolver a guerra contra uma classe dominante posta de joelhos perante o império, que tem usado de maneira sistemática a violência e os atentados pessoais como uma arma política para manter-se no poder desde 25 de setembro 1828, quando buscou assassinar o Libertador Simón Bolívar, e até os dias de hoje, em que utiliza as práticas de terrorismo de Estado para manter o status quo.









Terceiro: A dificuldade que a Colômbia tem enfrentado para conseguir a reconciliação através do diálogo e de acordos se deve ao conceito de paz oligárquica do regime, que só aceita a submissão absoluta da insurgência à chamada "ordem estabelecida", ou, como alternativa, à "paz das cemitérios".









Quarto: Não temos lutado toda a nossa vida contra um regime excludente e violento, corrupto, injusto e anti-patriota, para agora, sem alterações em sua estrutura, aderirmos a ele.



Quinto: Na Colômbia, muitas pessoas boas e capazes que queriam um país melhor e que lutaram por esses objetivos por meios pacíficos, como Jaime Pardo Leal, Bernardo Jaramillo, Manuel Cepeda, entre outros, foram assassinados de forma premeditada, vil e covardemente pelos serviços de inteligência do Estado em aliança com os paramilitares e bandidos, inimigos do povo, em um genocídio sem precedentes que liquidou fisicamente todo um movimento político dinâmico e em pleno crescimento: A UNIÃO PATRIÓTICA.



Por conta dessa estratégia de Terrorismo de Estado, falhou-se na busca da solução política, durante as administrações de Belisario Betancur e Virgilio Barco e, em Caracas e no México, durante o governo de César Gaviria.



Sexto: Em El Caguán, como o Presidente Pastrana reconheceu em seu livro e em declarações públicas, o regime procurou apenas ganhar tempo para reconstruir a abatida força militar do estado com um cronograma, diretrizes, instruções e financiamento da Casa Branca, integrado ao Plano Colômbia e impostas pela administração de Bill Clinton para abortar uma solução política democrática para o conflito colombiano, e dar início a sua campanha para reverter as mudanças progressivas que desde então avançam no continente. O satanizado processo de Caguán estava condenado ao fracasso antes mesmo de começar, como tem corroborado o ex-presidente Pastrana, pois seu governo nunca buscou preparar o caminho para a paz, senão para reforçar e aperfeiçoar seu aparato de dominação para continuar a guerra.









Sétimo: Estes fatos não invalidam a possibilidade de uma solução política para o conflito colombiano. Evidenciam sim, a intenção quase nula da classe dirigente colombiana de ceder em sua hegemonia e sua intolerância frente a outras correntes ou opções políticas de oposição que questionam seu regime político e seu alinhamento internacional incondicional a favor dos interesses imperiais dos Estados Unidos, em detrimento de nossa soberania e contra os mais caros e significativos interesses da nação e da pátria.Sua concepção sobre o exercício do poder é marcada e sustentada pela violência, pela corrupção e pela ganância, o que torna ainda mais difícil uma saída sem derramamento de sangue; de todas as formas, uma solução política continuará sendo bandeira das FARC – EP, e certamente de amplos setores do povo que, afinal, são os que sofrem os efeitos da hegemonia oligárquica.











Oitavo: Os interesses dos diferentes setores sociais estão se confrontando permanentemente. Em momentos e por períodos definidos, a oligarquia exerce sua ditadura a fundo, sem respostas transcendentes por parte das maiorias em função da pressão, repressão, guerra suja e desqualificação que se desenvolve desde o Estado até elas de diferentes maneiras; em outros, as respostas são importantes, mas não são suficientes; porém, após um acúmulo de fatores sociais transbordantes, a resposta popular é contundente. Nós entendemos que os interesses dos diferentes setores de uma sociedade como a nossa estão em constante movimento e choque, nunca paralisados. Assim, falar na Colômbia de hoje do pós-conflito é propaganda enganosa.



Nono: Esta reflexão é pertinente, posto que as causas geradoras da revolta armada em nosso país existem mais vivas e pujantes do que há 46 anos, o que reclama, se queremos construir um futuro de convivência democrática, maiores esforços, desprendimento, compromisso, generosidade e imaginação realista para atacar a raiz dos problemas e não as consequências do mesmo.



Décimo: Após 12 anos da ofensiva total contra as FARC - EP por parte do governo dos Estados Unidos e do Estado colombiano, os assassinatos oficiais, verdadeiros crimes contra a humanidade, hoje chamados de falsos positivos, o terror crescente da nova máscara do narcoparamilitarismo denominada bandos criminosos, a asquerosa truculência do presidente para permanecer no poder através de trapaças, a desenfreada corrupção da administração e da iniciativa privada, que em troca dessa mesma corrupção e de milionárias somas apoia o governo, a descarada invasão do exército gringo na Colômbia e a crescente injustiça social com desemprego elevado, sem acesso aos serviços de saúde para a maioria, com um altíssimo êxodo interno, com um ridículo salário mínimo em oposição aos enormes lucros dos banqueiros, latifundiários e empresas multinacionais, e depois de haver rapinado com uma reforma trabalhista as conquistas salariais mais significativas dos trabalhadores do campo e da cidade, tudo que alcançaram foi adubar ainda mais o terreno para o crescimento da insurgência revolucionária.



SEGUNDA PARTE








1. O conflito armado colombiano possui profundas raízes históricas, sociais e políticas. Não foi a invenção de nenhum demiurgo, produto de ânimos sectários, nem consequência de alguma especulação teórica, mas o resultado e a resposta a formas determinadas de dominação específicas, impostas pelas classes governantes desde os germes do Estado - nação cujo eixo tem sido a sistemática violência terrorista anti-popular, propiciada desde o Estado, especialmente nos últimos 60 anos.



2. Superá-lo, por vias pacíficas, supõe que preliminarmente exista total disposição para abordar as questões do poder e do regime político, se a decisão é encontrar soluções sólidas e duradouras.



3. Temos levantado a necessidade de conversar, em princípio, para lograr acordos de troca, o que permitiria não só a liberdade dos prisioneiros de guerra de ambos os lados, mas também avançar na humanização do conflito e, certamente, ganhar terreno no caminho para acordos definitivos.



4. Conversar, buscar conjuntamente soluções para os principais problemas do país, não deve ser considerada como uma concessão de ninguém, mas como um cenário realista possível de se tentar, mais uma vez, pôr fim à guerra entre os colombianos a partir da civilidade dos diálogos.



5. Reunir-se para conversar sobre trocas e uma solução pacífica supõe plenas garantias para fazê-lo sem qualquer pressão, tendo por certo que aquele que pode outorgar-lhe, é, exclusivamente, o governo de turno, se realmente tiver vontade de encontrar caminhos de diálogo.



6. A nossa histórica e permanente disposição para encontrar cenários de confluência através do diálogo e a busca coletiva de acordos de convivência democrática que não dependam de conjuntura especial ou da correlação de forças políticas é, sensivelmente, parte da nossa dificuldade programática.



7. Durante os últimos 45 anos temos sido objeto de toda sorte de ofensivas políticas, propagandísticas, militares, com a presença aberta ou velada do Pentágono, com todo tipo de ultimatos e ameaças de autoridades civis e militares, sob uma permanente agressão terrorista contra a população civil nas áreas em que atuamos, etc, que não prejudicou a nossa determinação e vontade de lutar, por qualquer meio que nos deixem, por uma Colômbia soberana, democrática e com justiça social.



8. Entendemos os diálogos, na busca de caminhos para a paz, não como uma negociação, porque não o são, mas como um enorme esforço coletivo para chegar a acordos que possibilitem atacar as raízes que originam o conflito colombiano.









TERCEIRA PARTE









As FARC somos resposta à violência e à injustiça do Estado. A nossa insurgência é um ato legítimo, um exercício do direito universal que assiste a todos os povos do mundo a se rebelarem contra a opressão. De nossos libertadores aprendemos que, "quando o poder é opressor, a virtude tem o direito de aniquilá-lo", e que, "o homem social pode conspirar contra toda lei impositiva que tenha curvado seu pescoço".



Tal como foi proclamado pelo Programa Agrário dos Guerrilheiros, as FARC "somos uma organização política militar que recolhe as bandeiras bolivarianas e as tradições libertárias do nosso povo para lutar pelo poder e levar a Colômbia ao execício pleno de sua soberania nacional e fazer vigente a soberania popular. Lutamos pelo estabelecimento de um regime democrático que garanta a paz com justiça social, o respeito aos direitos humanos e um desenvolvimento econômico com bem-estar para todos que vivem na Colômbia."



Uma organização com estas projeções, que busca a realização do projeto social e político do pai da República, o Libertador Simón Bolívar, irradia em sua tática e estratégia um caráter eminentemente político impossível de refutar. Somente o governo de Bogotá, que atua como uma colônia de Washington, nega o caráter político do conflito. O faz no marco da sua estratégia de guerra sem fim para negar a saída política que reivindica mais de 70% da população. Este pretende impor pela força uma antipatriótica concepção de segurança idealizada pelos estrategistas do Comando Sul do exército dos Estados Unidos, relegando para um lugar secundário a dignidade da nação.



Para o governo de Uribe, na Colômbia não há conflito político-social, mas uma guerra do Estado contra o "terrorismo", e com este pressuposto, complementado pela mais intensa manipulação informativa, acredita-se com justificativa e carta branca para desencadear o seu terror de Estado contra a população, e negar a solução política e o direito à paz.



Agora que a Colômbia é um país formalmente invadido, ocupado militarmente por tropas estadunidenses, essa absurda percepção será reforçada, resultando no agravamento do conflito.



Uribe não foi instruído por seus mestres em Washington para a troca de prisioneiros políticos nem para a paz.







O presidente da Colômbia cria fantasmas para justificar a sua imobilidade frente à questão da troca de prisioneiros: que o acordo implica um reconhecimento do estatuto de beligerante do adversário e que a liberação de guerrilheiros provocaria uma grande desmoralização das tropas ... É a sua maneira de atravessar pedras no caminho do entendimento. Esta intransigência desnecessária do governo tem sido a causa da prolongação do cativeiro de prisioneiros de ambos os lados. Quando Bolívar assinou o armistício com Morillo em novembro de 1820, propôs ao general espanhol aproveitar a vontade de entendimento reinante para acordar um tratado de regulamentação da guerra "conforme as leis das nações civilizadas e os princípios liberais e filantrópicos". Sua iniciativa foi aceita, proporcionando a troca de prisioneiros, a recuperação dos corpos dos mortos em combate, e o respeito à população civil não-combatente. Quão distante está Uribe desses imperativos éticos de humanidade.



Sem dúvida, associa Uribe a solução política do conflito com o fracasso e a inutilidade de sua Doutrina de Segurança Nacional e a melancólica finalidade de seu frenesi bélico em aplastar pela força das armas o crescente descontentamento social. Parece um soldado da II Guerra Mundial, perdido em uma ilha, atirando em inimigos imaginários em meio à sua loucura.



Aos participantes deste intercâmbio sobre o conflito colombiano, reiteramos as observações feitas recentemente aos presidentes da UNASUL e da ALBA:



"... Com Uribe imbuído com o frenesi da guerra e encorajado pelas bases norte-americanas, não haverá paz na Colômbia nem estabilidade na região. Se não frearem o belicismo - agora repotenciado – incrementar-se-á em proporção dantesca a tragédia humanitária na Colômbia. É hora da Nossa América e o mundo voltarem seus olhos para este país violento desde o poder. Não se pode condenar eternamente a Colômbia a ser o país dos "falsos positivos", do assassinato de milhares de civis não-combatentes pelas forças de segurança, das valas comuns, do despejo de suas terras, o deslocamento forçado de milhões de camponeses, as detenções em massa de cidadãos, da tirania e da impunidade dos agressores protegidos pelo Estado ".



Como um princípio de solução política do conflito, solicitamos o reconhecimento do status de força beligerante às Farc. Seria o início da marcha em direção à paz na Colômbia. Se estamos falando de paz, as tropas norte-americanas devem deixar o país, e o senhor Uribe deve abandonar a sua campanha goebbeliana de qualificar de terrorista as FARC. De nossa parte, estamos prontos para levar a discussão sobre a organização do Estado e da economia, da política social e da doutrina que irá guiar as novas Forças Armadas da nação.







Com os melhores cumprimentos. Compatriotas,



Secretariado do Estado-Maior das FARC.



Montanhas da Colômbia, fevereiro de 2010



sábado, 13 de março de 2010

Grécia: Informação sobre a greve de Sexta-Feira, 05 de Março

Veja as fotos da greve - clique aqui

Do: Partido Comunista da Grécia, Sábado, 06 de Março de 2010.


http://inter.kke.gr




Tanto as demonstrações da massa, organizadas pelas forças da classe, na quinta-feira à tarde em 62 cidades, assim como a greve de 24 horas organizada pela PAME, na sexta-feira, dia 05 de Março, tiveram um grande sucesso.



A mobilização imediata das forças classistas foi uma forte resposta ao anúncio das novas medidas reacionárias que impuseram cortes severos e atacam os rendimentos da população.



As forças classistas revelaram o esforço coordenado pelo governo social democrata junto com os liberais do ND, os nacionalistas do LAOS, os oportunistas do SYN/ SYRIZA, os líderes do GSEE e ADEDY que procuram ocultar o fato de que as novas medidas constituem um resultado da estratégia do capital, que eles permanentes e afetam todos os trabalhadores.


Dez milhões de manifestantes lotaram o centro de Atenas e mais dez outras cidades protestando os cortes nos salários e pensões, os 30% nos cortes dos bônus de Natal-Páscoa e nos subsídios de férias, o drástico aumento de taxas em todas as categorias de produtos e serviços e, especialmente, em produtos de consumo público.



Desde o anúncio dessas medidas as federações de classe e os sindicatos filiados a PAME chamaram para uma greve na sexta-feira, dia 05 de Março. Ao mesmo tempo, sob pressão da resposta imediata da PAME que chamou para uma greve de 24 horas, os líderes comprometidos da GSEE e ADEDY chamaram paralisações de trabalhos de 3 horas e 4 horas. Dessa maneira eles provaram, na prática, que eles buscam a extinção do espírito militante do povo trabalhador. Nós deveríamos mencionar, somente, que o líder amarelo da ADEDY havia, inicialmente, chamado para uma greve no dia 16 de Março, mesmo o voto das medidas antipopulares tendo sido na sexta-feira, 05 de Março.



A chamada da PAME para uma greve de 24 horas teve um grande impacto. As federações de classe, os Centros de Trabalho e os sindicatos primários desempenharam um papel importante na organização da greve. É notável que o líder dos sindicatos do empregados nos transportes públicos de Atenas, que tradicionalmente segue a linha e a forma de luta da GSEE e ADEDY, foi forçado a chamar uma greve de 24 horas que paralisou o transporte público na capital. O mesmo aconteceu com alguns sindicatos primários que não fazem parte da PAME. O sindicalismo amarelo foi, novamente, isolado. Em momentos críticos a massa de trabalhadores acredita na PAME para organização da luta..



Desde sexta-feira, no amanhecer, as forças organizaram piquetes nos guetos e locais de trabalho possibilitando, aos trabalhadores, a adesão da greve, desafiando a intimidação dos empregadores e participando, ativamente, na greve.



O governo social democrata, apoiado pelo partido de extrema direita LAOS, comunicou as medidas enquanto dez milhões de grevistas dos palanques da PAME circundavam o prédio do Parlamento.



O grupo parlamentar do KKE abandonou o procedimento de discussão no parlamento por considerar que nenhum lugar para discutir tais contas hostis para a classe trabalhadora.




O Secretário Geral do KKE, Aleka Papariga, saudou a greve e explicou a postura do KKE sublinhando que: "Exatamente agora não vale a pena discutir um projeto de lei que está claramente em detrimento dos interesses dos trabalhadores e constitui o prelúdio de novas medidas. (...) Nessa fase, tudo discutido no parlamento é trágico para o povo trabalhador e, por isso, lutamos antes que o projeto em discussão seja definido. Quando discutido no parlamento há uma maioria que votará por isso. (...) Deste modo, hoje não é suficiente votar 'não" para um projeto de lei, porque isso pode ser relativamente fácil e acontecer quando o descontentamento das pessoas aumenta, sendo fácil manipulá-las. O que importa é o que o "sim" significa, o que você procura e como você afirma isso. Isso é o que, atualmente, importa. (...) Há um slogan que estará sempre válido: Pessoas, trabalhadores, empregadores, classe proletária, eles devem sempre carregar o caso em suas mãos; seja agora como oposição, ou amanhã com a classe no poder".



Outra resposta militante será dada imediatamente, na segunda-feira, através da organização da massa organizada pela PAME e a Federação Grega de Mulheres para o Dia Internacional da Mulher. Depois do recente desenvolvimento dessas manifestações, elas atingiram um novo patamar. Ao mesmo tempo a PAME organiza uma nova greve nacional para quinta-feira, 11 de Março (tradução do próprio texto).



Traduzido por Mariângela Marques.

Raúl Reyes, Iván Ríos e Manuel Marulanda: Vivos na memória e na luta dos povos! - por: Dax Toscano Segovia/MCB Equador


O mês de março de 2008 possui um significado importante, de grande e profunda dor para a insurgência colombiana, para as forças revolucionárias da América Latina e de todo o mundo. Nesse mês ocorreram as mortes dos Comandantes Raúl Reyes, Iván Ríos e Manuel Marulanda Vélez. Raúl foi assassinado em 1º de março, após um bombardeio empreendido contra seu acampamento guerrilheiro localizado em Angostura, na zona de Putumayo. O bombardeio provocou também a morte de outras vinte e quatro pessoas, entre elas cinco estudantes mexicanos que estavam no citado local.


Lucía Morett foi a única sobrevivente desse grupo de estudantes. Atualmente, ela é perseguida por parte do governo narco-paramilitar colombiano e por representantes da justiça equatoriana, que vêm tentando criminalizá-la por ter estado no acampamento guerrilheiro de Raúl.

O desenvolvimento e a execução da "Operação Fênix" estava a cargo das forças de segurança colombianas, que contaram com o respaldo de efetivos militares e de espionagem norte-americanos e israelenses. Membros dos serviços de inteligência do exército e polícia equatorianos também contribuíram para infiltrar e, posteriormente, estabelecer a localização precisa do acampamento do Comandante das FARC-EP. O major da polícia Manuel Silva e o coronel do exército Mario Pazmiño foram figuras-chaves nesta tarefa de trabalhar diretamente com os serviços de investigações policiais colombianos, recebendo auxílio de setores do Estado equatoriano.

A brutalidade caracterizou esta ação, sendo ressaltada positivamente pela indústria midiática colombiana que, ao mesmo tempo, se deleitava com a exposição mórbida das fotografias de Raúl Reyes abatido. Juan Manuel Santos, ex-ministro de Defesa colombiana, exibia um sorriso macabro ao dar a notícia, apresentando o cadáver de Raúl como um troféu de guerra.

Todavia, sem se restabelecer dessa dor, a insurgência colombiana se inteirava do assassinato do Comandante Iván Ríos, também membro do Secretariado das FARC-EP, em 3 de março de 2008. Iván foi vitimado por Pedro Pablo Montoya, conhecido como "Rojas", um homem covarde que, cego pelo dinheiro e pelos "benefícios" que a política de segurança democrática do uribismo oferece aos assassinos e traidores do povo colombiano, disparou um tiro em sua cabeça, assim como na de sua companheira, quando estavam dormindo em seu acampamento. Após atirar, cortou uma das mãos de Ríos para levar como prova ao exército colombiano, com o propósito de cobrar a recompensa de 5 bilhões de pesos que havia sido oferecido. Uma vez mais, Uribe, Santos e Padilla não podiam esconder sua cara de satisfação frente a este novo golpe contra as FARC-EP. As declarações destes mafiosos através da imprensa eram dadas umas após outras, mostrando uma euforia desmedida, afirmando que a derrota das FARC era uma questão de pouco tempo.

O êxtase do regime narco-paramilitar de Álvaro Uribe Vélez chegou ao seu clímax quando, no mês de maio, as FARC-EP confirmaram a morte de seu Comandante-em-Chefe, Manuel Marulanda Vélez, de 78 anos, em 26 de março de 2008, resultado de uma parada cardíaca. Animado com a informação, o criminoso Juan Manuel Santos dava ordem ao exército colombiano de buscar o cadáver de Marulanda, oferecendo uma milionária soma de dinheiro a quem entregasse informações sobre a sua localização.

Esses dias foram muito difíceis e muito tristes para os guerrilheiros das FARC-EP. Porém, pese a campanha da mídia desatada pela propaganda do uribismo, que enfatizava que a insurgência estava desorganizada e desmoralizada, os combatentes colombianos não perderam o rumo traçado desde sua origem para combater em prol da construção da Nova Colômbia. Existia a necessidade de tomarem as medidas necessárias para recomporem-se frente aos revezes e dificuldades sofridas e surgidas como resultado lógico da guerra em que está imerso o povo colombiano, consequência da política criminosa da oligarquia deste país e do imperialismo ianque. O Comandante Alfonso Cano foi designado como o novo líder das FARC-EP.

O ocorrido nesse fatídico mês de março do ano de 2008 para a insurgência colombiana, assim com para todos os revolucionários, não pode ser recordado com melancolia e com base em sentimentalismos que não conduzem à ação transformadora do sistema imperante e da ordem vigente. Porque isso é, precisamente, o que pretendem atingir aqueles que detém o poder através de um sem número de mecanismos de alienação e encenação, entre os quais está a subjugação, por meio do medo da morte e do que aconteceu nas situações passadas, que tiveram resultado negativo para as organizações revolucionárias e seus integrantes.

O revolucionário basco Iñaki Gil de San Vicente disse que "um povo só vive quando mantém vivas as pessoas que morreram para que esse povo vivesse". Não basta, então, recordar as nossas heroínas e nossos heróis a cada aniversário de sua morte ou tão somente fazer atos em sua homenagem nas datas nas quais morreram. Isso somente provocaria a mumificação ou petrificação de suas ações, de seus pensamentos. As recordações estéreis são também auspiciadas por aqueles que detém o poder para aproveitarem-se desses momentos com o objetivo de esvaziar a vitalidade dos combatentes revolucionários mortos ou para continuar denegrindo-lhes ou manchando sua imagem rebelde. Assim, fizeram com Che durante 43 anos.

"Um povo vive na medida que essa memória seja presente, seja ação, seja prática e não uma mera recordação podre entre os livros", expressa Iñaki. E acrescenta que um povo só pode viver "se for capaz de manter nas ruas, nas ações e nas mobilizações as contribuições das pessoas que lutaram e morreram, mas não titubearam em enfrentar os maiores riscos para manter suas reivindicações para si e para as gerações futuras. Porque a memória não é uma coisa somente do passado e sim uma arma carregada de futuro, um instrumento de libertação, de ação".

Marx assinalou, nas teses sobre Feurbach, a necessidade não só de contemplar a realidade, mas de transformá-la.

Para ele, é imprescindível que se repitam os ensinamentos, se usem bonés ou camisetas com as imagens de revolucionários ou se coloquem cartazes dos combatentes insurgentes nas portas ou paredes das casas e escritórios. Mas não apenas isso.

A práxis revolucionária implica nutrir-se de um corpo teórico adequado para compreender a realidade, não somente para explicá-la ou aprofundar seu conhecimento. O objetivo é, também, buscar transformá-la, modificá-la constantemente, muito mais se essa realidade é de miséria e exploração da maioria da população.

Porém, não se trata da ação individual, de uma pessoa sozinha, isolada dos coletivos sociais. Pelo contrário. São os povos e suas diversas organizações que devem levar adiante a tarefa política revolucionária de lutar contra os inimigos do gênero humano: o imperialismo, o sionismo, a burguesia mundial e as oligarquias, para assim alcançar a construção de uma sociedade diferente da capitalista.

Nesse processo, os povos não devem esquecer e nem perdoar aqueles que os infringiram dor e sofrimento. As ações criminosas cometidas por pessoas como Uribe, Santos, Padilla, Bush e seus aparatos militares e paramilitares, não podem ser relegadas ao passado, sem estar presentes na memória dos coletivos sociais. O propósito é dar impulso à luta revolucionária para acabar, efetivamente, com a política criminal e bélica da oligarquia e do imperialismo. De igual maneira, temos que manter vivos cada um dos feitos cometidos por criminosos a serviço daqueles que detém o poder na sociedade capitalista, para que, mais cedo ou mais tarde, prestem conta aos tribunais revolucionários.

Ao longo destes últimos cinquenta anos, as FARC-EP vêm demonstrando com sua práxis e seus combatentes, como Raúl, Iván e, especialmente, como o "velho querido", o Comandante Manuel, ser coerente com os princípios que eles estabeleceram para defender o povo, mostrando na prática a firmeza, a decisão, o antiimperialismo e o internacionalismo revolucionário, agora mais vigorosamente, por ter recuperado a espada de combate do Libertador Simón Bolívar.

No segundo ano do assassinato de Raúl Reyes e de Iván Ríos e da morte natural do Comandante-em-Chefe, Manuel Marulanda Vélez, os revolucionários devem praticar a solidariedade militante, ativa e frontal com as FARC-EP. O temor, a claudicação, não podem ocupar a mente daqueles que lutam pela construção de um mundo distinto ao imposto pelo sistema capitalista.

A oligarquia colombiana e o imperialismo pretendem que os povos do mundo internalizem suas mentiras, repetidas constantemente sobre a insurgência colombiana.

É triste escutar muitas personalidades, supostamente progressistas, assim como organizações políticas aparentemente de esquerda, repetir os argumentos defendidos pela propaganda da oligarquia colombiana e do imperialismo ianque sobre as FARC-EP. Essa gente e esses movimentos que jamais estiveram "ao lado do povo que sofre", no dizer de Che, não merecem nenhuma consideração por parte dos povos que lutam contra seus inimigos, seus exploradores.

Não cabem dúvidas de que a propaganda fascista possui um efeito poderoso também em grande parte da população, que é diariamente intoxicada com mentiras a respeito do movimento guerrilheiro colombiano.

Por isso, é vital o desmonte desse discurso e fazer as pessoas conhecerem, nos mais diversos espaços, o que realmente é a insurgência colombiana. Ganhar a hegemonia dos mentirosos oligarcas e imperialistas é tarefa fundamental dos revolucionários. A direita tem isso muito claro. Por isso, Uribe e o fantoche Gabriel Silva, atual ministro de Defesa da Colômbia, deram ordem às suas embaixadas para lançar uma campanha agressiva com o objetivo de denegrir as FARC-EP. Isso ocorreu logo após ser exibido na Argentina o documentário "FARC-EP: a insurgência do século XXI", onde se apresenta a guerrilha colombiana em sua verdadeira dimensão, como força popular, político-militar, a serviço dos pobres.

Guardar silêncio, permanecer escondidos ou sentados comodamente em frente de um computador num escritório de trabalho, não é digno de quem luta por um mundo melhor. A solidariedade, o respaldo à insurgência colombiana, não obstante o conhecimento dos riscos que ela implica, produto da perseguição desatada pelo regime narco-paramilitar dirigido por Uribe, tem que ser a viva voz, como se fez com os revolucionários vietnamitas e argelinos e como se faz com o povo palestino, vítima dos mais bestiais crimes por parte do Estado sionista de Israel.

Essa solidariedade também deve expressar-se com aqueles que são criminalizados por denunciar as violações dos direitos humanos cometidos pelo regime fascistóide colombiano e por defender a insurgência revolucionária, como é o caso dos jornalistas Jorge Enrique Botero e Dick Emanuelsson, entre outras e outros coerentes comunicadores e intelectuais sociais.

Esse é o melhor tributo à Manuel, Raúl, Iván, Martín Caballero, Efraín Guzmán, como também aos revolucionários que vem sendo capturados e confinados nos cárceres colombianos ou norte-amerianos pelo delito de lutarem pela construção da Nova Colômbia, como Sonia, Simón Trindad ou Iván Vargas.

Bolívar Vive! A Luta Continua!

Juramos vencer, venceremos!


Tradução: Maria Fernanda M. Scelza



BENVINDOS OS CAMARADAS DO COLETIVO UNIÃO COMUNISTA

O PCB se orgulha de receber em suas fileiras os camaradas que compunham o Coletivo União Comunista, com os quais, nos últimos anos, vínhamos mantendo um respeitoso diálogo, passando em revista nossos pontos de vista sobre os caminhos da revolução brasileira.



Este fato histórico se dá no momento em que o PCB tem chamado a atenção dos verdadeiros comunistas brasileiros, em função das mudanças que vem operando em sua linha política e em sua concepção de partido, rompendo com as ilusões reformistas e apontando para a necessidade de luta para além da institucionalidade burguesa.



Temos, com o mesmo orgulho, recebido camaradas que vêm de outras organizações e coletivos, com culturas e referências teóricas e práticas diferenciadas. Não temos tornado públicos estes recrutamentos individuais em respeito a eles e às organizações de onde vêm. No caso da União Comunista, por se tratar de um coletivo agora dissolvido e por ter tornado pública sua consensual adesão, por decisão soberana de seus ex-membros, permitimo-nos tecer algumas considerações.



O mais significativo desta adesão é a possibilidade, a atualidade e a riqueza do convívio fraterno dentro da mesma organização revolucionária de camaradas que têm distintas leituras do colapso do processo de construção do socialismo na União Soviética e em outros países, sobretudo do Leste Europeu. No PCB, que tem como referência principal o legado de Marx, Engels e Lênin, levamos em conta também as contribuições, os erros e acertos de outros revolucionários, mesmo os que suscitam discussões apaixonadas e, por vezes, maniqueístas.



O XIV Congresso do PCB, realizado há poucos meses – ao debater o balanço e as perspectivas do socialismo - teve a sabedoria de não aprovar um texto obrigatório para seus membros, mas um documento que, sendo resultado do acúmulo existente no nosso Partido sobre o tema, sirva de referência para a continuidade deste necessário debate, que exige uma discussão ainda mais profunda e desapaixonada, até porque, do ponto de vista histórico, é muito recente.



O centralismo democrático num Partido Revolucionário não significa que todos tenham a mesma visão acerca da história do movimento comunista, nacional e internacional. E nem mesmo sobre os rumos da Revolução Brasileira. O centralismo democrático, caminho de mão dupla, é a unidade de ação e a disciplina partidária em torno das resoluções das instâncias partidárias e dos fundamentos do Partido.



No presente, o que une os comunistas é que nos empenhamos na reconstrução revolucionária do PCB é a resolução aprovada no Congresso, que trata da ESTRATÉGIA E TÁTICA DA REVOLUÇÃO BRASILEIRA, que será amplamente divulgada nos próximos dias.



Sejam benvindos, os comunistas brasileiros, a um Partido que não tem qualquer vantagem para oferecer a ninguém, não é legenda eleitoral e que pretende crescer com qualidade revolucionária, organização leninista, disciplina consciente e inserção no movimento de massas.



Ivan Pinheiro


Secretário Geral do PCB


Rio de Janeiro, março de 2010

Por que aderimos ao PCB - Nota oficial do Coletivo União Comunista


Nosso Coletivo se formou com base na disposição de alguns militantes, em sua maioria rompidos com o PSTU no final dos anos noventa, de resistir ao processo de institucionalização e de capitulação ao regime democrático-burguês das organizações de esquerda no Brasil. Combinada com essa disposição, estava a intenção de batalhar pelo reagrupamento dos revolucionários, necessidade vital ante a ofensiva do capitalismo desde o desmonte da União Soviética.

Considerando as condições da conjuntura adversa, as debilidades de um punhado de militantes isolados, podemos dizer que sua trajetória rendeu alguns frutos. Nosso coletivo não se restringiu a discussões internas, manteve uma permanente ação militante, editou panfletos, boletins e até mesmo um jornal regular, O Proletário. Além disso, orientou seus membros no sentido de se estruturar e se organizar junto a nossa classe, animando suas atividades sindicais e culturais.

A consciência de que nosso caminho não deveria ser o de construir mais uma seita de esquerda, atrelada a um "messias do marxismo", detentor de todas as respostas, nos levou desde o começo a nos reconhecer enquanto marxistas militantes, portando, comunistas. Reconhecemos e partimos das elaborações e aportes dos nossos dirigentes históricos: Marx, Engels, Lênin, Trotski, Gramsci e Rosa Luxemburgo. Procurando nos afastar, corretamente, dos exclusivismos sectários e reducionistas.

Mantendo coerência com essa linha de pensamento, buscamos estabelecer acordos e relações políticas com outras organizações da esquerda comunista. Fizemos parte do movimento que viria a resultar posteriormente na fundação do PSOL, ali defendemos a formação de uma frente de esquerda, em base a um programa mínimo, aberta as organizações e partidos legalizados, onde estes manteriam sua independência organizativa e política, proposta que se viu derrotada ante a intenção majoritária naquele movimento de se constituir enquanto partido meramente eleitoral, nos marcos do regime burguês, fato que nos levou ao afastamento definitivo.

Apesar deste revés, a UC não esmoreceu, pelo contrário, continuou seu trabalho militante. Orientou-se, então, por um combate permanente contra os desvios sectários e ultra-esquerdistas, adotando, no interior do movimento dos trabalhadores, a proposta de Frente Única de todos aqueles que se colocam no campo da luta contra a ofensiva capitalista.

É a partir desse período que, nas lutas dos trabalhadores, nas eleições e nas campanhas antiimperialistas, onde tivemos alguma participação aqui no Rio de Janeiro, verificamos que nossas posições estavam muito próximas das defendidas pelo PCB. A partir desse reconhecimento, procuramos estabelecer relações políticas com este partido, coerentes com nosso objetivo estratégico de reagrupamento dos revolucionários. Esta aproximação culminou com o convite para participarmos do seu XIV Congresso.

Nossa compreensão é de que o PCB demonstrou neste XIV Congresso ter o potencial para se transformar no aglutinador da esquerda comunista brasileira. Nos debates que o antecederam, observamos os posicionamentos dos militantes e simpatizantes ter livre acesso à mídia do partido, permitindo a todos tomar conhecimento não só das teses elaboradas pela direção, mas de um conjunto de aportes vindos das mais diversas instâncias partidárias. As teses colocaram em discussão uma rica análise da situação internacional e nacional, avançando também no exame da derrocada do modelo burocrático na URSS e das deformações estalinistas ali produzidas.

As conclusões do XIV Congresso apontaram corretamente a caracterização do capitalismo, enquanto sistema global, como principal inimigo do proletariado mundial e conseqüentemente colocando o internacionalismo proletário na ordem do dia. A nível nacional, define o caráter socialista da revolução brasileira, a partir do entendimento de que o capitalismo está plenamente consolidado no Brasil, conduzido por um bloco burguês acoplado de forma umbilical ao imperialismo.


O PT no governo cumpre um papel nefasto; demonstrou ser a quinta coluna da burguesia no seio do proletariado, reforçou o predomínio do capital monopolista em aliança com o imperialismo, desmobilizando e contribuindo para fazer retroceder a consciência de classe dos trabalhadores.

Como estratégia de combate a esse bloco burguês e seus aliados, o Congresso do PCB levanta a necessidade de se constituir um Bloco Revolucionário do Proletariado para aglutinar as forças políticas e sociais antiimperialistas e anticapitalistas, visando a emancipação dos trabalhadores. Esse Bloco precisa ir além de meras coligações eleitorais, devendo se concretizar nas mais diversas trincheiras da luta de classes.

Para nós, da União Comunista, estas são as questões fundamentais. Se temos acordo sobre elas, entendemos que seria um grande equívoco nos mantermos divididos em função de particularidades táticas ou locais. Por estas razões, coerentes com o que sempre defendemos, chegamos à deliberação de dissolver a UC e aderir, como soldados da revolução, ao Partido Comunista Brasileiro.

Viva a União dos Comunistas!

Viva a Revolução Socialista!

Viva o Partido Comunista Brasileiro!

Rio de Janeiro, março de 2010.






quarta-feira, 10 de março de 2010

PRESTES VIVE!

Discurso proferido por Marcus São Thiago,

Secretário Geral do Instituto Luiz Carlos Prestes (ILCP) em 07/03/2010,

por ocasião da homenagem pela passagem dos 20 anos do falecimento de Prestes.




Em 7 de março de 1990, desaparecia da vida cotidiana política do Brasil, o inesquecível Senador Luiz Carlos Prestes, nosso Cavaleiro da Esperança, na homenagem de Jorge Amado, sem dúvida um ícone revolucionário da América Latina e do Mundo.


Sua efetiva atuação histórica começou na década de 20, com a Coluna Prestes – o momento culminante do tenentismo – que reuniu um exército guerrilheiro de aproximadamente 1.500 homens e mulheres, comandados por uma dúzia de oficiais do Exército e da Força Pública de São Paulo, entre os quais se destacava Prestes. A Coluna percorreu 25.000 quilômetros, através de 13 estados do Brasil, derrotando 18 generais governistas, sem jamais ter sido desbaratada, apesar do enorme poderio bélico mobilizado contra ela. Inspirados nos ideais de "representação e justiça", os "tenentes" batiam-se por conquistas como o voto secreto e pela moralização dos costumes políticos, corrompidos pelo domínio oligárquico em vigor durante a República Velha


O assassinato da companheira de Prestes, Olga Benário, resultado de uma perseguição imposta pelo governo de Getúlio Vargas, que a entregou, com respaldo do Supremo Tribunal Federal, à Alemanha Nazista; as prisões; a clandestinidade; os exílios; a perseguição de vários governos ao Partido Comunista Brasileiro, do qual foi secretário geral por muitos anos - nada disso abalou sua convicção de dedicar sua vida à causa de um mundo melhor para todos. Prestes nos falava que guardava do testemunho de vida de Olga "a lição de que o ser humano resiste a qualquer provação com dignidade, quando a sua luta é pela justiça e liberdade".


Prestes lutou uma vida inteira em prol do ser humano. Nunca se rendeu ao capital. Constituiu-se num exemplo de conduta reta na vida pública. Foi eleito senador, após 10 anos de prisão impostos pelo governo Vargas, e ajudou a elaborar a Constituinte de 1946, uma carta magna avançada para a época, graças à atuação e às propostas aprovadas pela bancada de deputados do PCB, como o direito de greve.


No período do golpe militar de 64, ainda secretário geral do partido, exilou-se em Moscou, por determinação do PCB, pois era o primeiro da lista de perseguições políticas do regime de exceção, que cassou o mandato do presidente João Goulart, de muitos políticos e, principalmente, de militantes de esquerda no país. Na sua volta do exílio, em outubro de 1979, o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, foi tomado por uma multidão de 10.000 pessoas, principalmente de correligionários, que queriam ver e ouvir uma das maiores lideranças políticas da América Latina no século passado. O "velho", como era carinhosamente chamado nesta época por nós que militávamos com ele, discursou, de improviso, do teto de um automóvel e lembrou de citar, um por um, todos os membros do comitê central do PCB, "desaparecidos" pela ditadura que estava no fim.


Por muitos anos minha geração e outras não puderam estudar e conhecer melhor a história do Cavaleiro da Esperança, devido aos anos de arbítrio e restrição dos direitos civis, impostos pelos autoritários de plantão em vários períodos do século 20 no país, fantoches dos interesses imperialistas, que enxergavam e ainda enxergam em Prestes uma ameaça constante à manutenção de um sistema baseado na exploração do homem pelo homem.


A perseguição implacável exercida pelos representantes do capital, durante toda a sua vida, não foi suficiente para fazer calar em Prestes suas convicções socialistas, nem arrefecer seu ímpeto constante no combate ao capitalismo selvagem, que tanta desigualdade, miséria e exclusão social provoca no mundo. Por vezes surgiam divergências entre Prestes e companheiros de lutas quanto às táticas para combater o capitalismo. Nas discussões e embates travados só não abria mão de seus princípios. Não havia possibilidade de conciliar com o inconciliável. Por vezes, esta postura o deixou isolado politicamente. Não importava: seu maior compromisso era com o povo e com as lutas travadas para a sua efetiva libertação e avanços.


Sua maior virtude foi lutar e se entregar pelo que acreditava ser responsabilidade de todos: um mundo melhor. PATRIOTA, COMUNISTA E REVOLUCIONÁRIO, Prestes deixou um exemplo de dedicação integral ao povo brasileiro e à causa internacionalista do socialismo. Neste momento em especial, a classe política de nosso país deveria se mirar na sua conduta. Prestes, apesar de toda a sua liderança e importância histórica, faleceu sem possuir bens e sobrevivia apenas com a colaboração de alguns sinceros e dedicados companheiros de luta e ideais. Inclusive chegou a recusar ofertas e possibilidades legais de pensões e indenizações oferecidas pelo governo como reparação ao que passou nas mãos de seus algozes.


A fim de preservar o seu legado e acervo documental histórico, um grupo de companheiros e correligionários, capitaneados por Anita Prestes, fundou o INSTITUTO LUIZ CARLOS PRESTES, no Rio de Janeiro. As finalidades e atividades do ILCP pretendem envolver, fundamentalmente, a preservação documental e do acervo relacionado às vidas de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário Prestes, além da realização, no futuro, de atividades educacionais que visem promover o legado de Prestes junto às novas gerações e a inclusão social, através da implantação de projetos e programas. Além disso, o ILCP vai manter parceria e apoio constantes aos movimentos sociais, principalmente à luta pela reforma agrária, como instrumento fundamental para promover a inclusão social, através da maior riqueza e patrimônio desta nação e do seu povo: a terra.


No mais, fica a nossa convicção de que a conduta e o exemplo de Prestes servem à história deste país como referências permanentes para a construção de um Brasil bem melhor no futuro.


Seu exemplo de dedicação inabalável e intransigente, na causa de uma sociedade mais justa foi o maior legado que devemos transmitir às atuais e futuras gerações. Essa é a nossa grande responsabilidade! Suas idéias não morrerão jamais! Continuarão em cada um que faça da dedicação integral ao ser humano a verdadeira razão de sua existência, para a efetiva colaboração na construção de uma sociedade e mundo mais justos e melhores!


Prestes vive! Viva Prestes!


Grupo encena peça de rua sobre Marighella nesta sexta (12/03)


Cena do espetáculo sobre Marighella
Autor: Divulgação

O grupo "Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz", de Porto Alegre (RS), apresenta nesta sexta-feira (12/3) em Curitiba o espetáculo de rua "O Amargo Santo da Purificação – Uma Visão Alegórica e Barroca da Vida, Paixão e Morte do Revolucionário Carlos Marighella".

O início da peça está marcado para as 16 horas, na Praça Rui Barbosa. Em caso de chuva forte, o espetáculo será transferido para o sábado, no mesmo horário e local.

Com patrocínio da Petrobras, através da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura, o projeto percorrerá ao todo doze cidades brasileiras.

Na sequência de cenas da peça, o público assiste a diversas passagens da trajetória de Marighella: origens na Bahia, juventude, poesia, ditadura do Estado Novo, resistência, prisão, democracia, constituinte, clandestinidade, ditadura militar, luta armada, morte em emboscada.

"É uma história de coragem e ousadia, perseverança e firmeza em todas as convicções", diz a sinopse. "Marighella não abdicou ao direito de sonhar com um mundo livre de todas as opressões. Viveu, lutou e morreu por esse sonho."

A peça parte de poemas escritos por Marighella que, transformados em canções, são o fio condutor da narrativa. Com o uso de máscaras e de elementos da cultura afro-brasileira, a encenação cria uma fusão do ritual com o teatro dança.

Professor de estudos teatrais da UFPR e integrante do grupo de pesquisa Literatura e outras Artes, Walter Lima Torres ajuda a coordenar a agenda do grupo em Curitiba.

"Trata-se de um grupo bastante consolidado, um dos mais importantes da região Sul", afirma Torres, que inclusive já assistiu à peça meses atrás em São Paulo. "Como espectador, posso dizer que eles tratam de um assunto contundente, mas de uma forma bastante alegórica, leve, com uma narrativa colorida que sensibiliza e atrai públicos de diferentes faixas etárias."


Debate e palestra

O grupo também participa de outras três atividades em Curitiba. Na manhã de quinta-feira (11), os integrantes realizam a palestra "Ói Nóis Aqui Traveiz – 30 anos: O Teatro de Rua no Brasil". O evento acontece às às 10 horas, na Companhia Senhas de Teatro, localizada na rua São Francisco, 35.

No mesmo dia, às 18 horas, integrantes do grupo participam de uma mesa-redonda sobre Carlos Marighella, política e repressão, no Teatro da Caixa.

Também estarão presentes no debate Judite Trindade, professora do Departamento de História da UFPR e ex-presa política; Silvia Calciolari, mestre pela UFPR em Sociologia das Organizações e diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná; e Narciso Pires, integrante do Tortura Nunca Mais e ex-preso político. A mediação cabe a Walter Lima Torres.

No sábado (13), às 17 horas, o grupo promove ainda o workshop "Teatro de Rua – Uma Vivência com a Tribo", na Faculdade de Artes do Paraná, situada na Rua dos Funcionários, 1.357. Todas as atividades são gratuitas e abertas a todos os interessados.


O grupo

A "Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz" surgiu em 1978, com uma proposta centrada no contato direto entre atores e espectadores, de forma a superar a clássica divisão entre palco e platéia.

O grupo desenvolve um trabalho contínuo de pesquisa em relação à linguagem cênica e ao processo criativo do ator.

Entre os espetáculos já encenados pelo grupo e premiados pela crítica estão "Aos Que Virão Depois de Nós Kassandra In Process", "A Missão Lembrança de Uma Revolução", "A Saga de Canudos", "A Exceção e a Regra" e "Antígona Ritos de Paixão e Morte".


Carlos Marighella

Fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupo guerrilheiro que combateu o regime militar no Brasil, Carlos Marighella (1911-1969) foi morto aos 57 anos, numa emboscada do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) em São Paulo.

Ex-deputado, Marighella ingressou no Partido Comunista aos 18 anos. Em 1932, aos 21 seria preso pela primeira vez, por escrever um poema com críticas ao então interventor da Bahia, Juracy Magalhães.

Cassado, preso por várias vezes, baleado e torturado, Marighella combateu a ditadura do Estado Novo (1937-1945) e, na condição de guerrilheiro, foi considerado "o inimigo número 1" do regime militar (1964-1985).

Escreveu, entre outros textos, Por que resisti à prisão(1965) e A Crise Brasileira (1966).


Serviço

• Palestra

"Ói Nóis Aqui Traveiz - 32 anos: O Teatro de Rua no Brasil"
"Conversa com os Grupos e Cias de Teatro de Curitiba"
11 de Março, quinta-feira, 10h
Sede da Ciasenhas de Teatro
Rua São Francisco, 35, Centro


• Mesa-redonda sobre Carlos Marighella, política e repressão
11 de Março, quinta-feira, 18h
Teatro da Caixa
Entrada Franca mediante retirada de ingresso duas horas antes
(capacidade 120 pessoas)
Integrantes do Grupo Ói Nóis Aqui Traveiz
Judite Barbosa Trindade é professora do Departamento de História da UFPR e ex-presa política.
Silvia Calciolari é jornalista, mestre pela UFPR em Sociologia das Organizações e autora do livro Ex-presos políticos e a Memória social da tortura no Paraná.
Narciso Pires é presidente do Tortura Nunca Mais – Pr, militante de direitos humanos e ex-preso político, roteirista do vídeo Ditadura nunca mais.
Mediação: Walter Lima Torres, professor de Estudos Teatrais da UFPR


• Espetáculo "O Amargo Santo da Purificação – Uma Visão Alegórica e Barroca da Vida, Paixão e Morte do Revolucionário Carlos Marighella"
Dia 12 de Março, Sexta Feira, 16 horas
Praça Rui Barbosa – Centro
(Se chover muito o espetáculo acontece no Sábado dia 13 no mesmo horário)

• Workshop de teatro de rua
Dia 13 de Março, Sábado às 17hs na FAP(Faculdade de Artes do Paraná)
Rua dos Funcionários, 1357 - Cabral

Fernando César Oliveira











terça-feira, 9 de março de 2010

8 de março: dia internacional DE LUTA das mulheres



8 DE MARÇO: DIA INTERNACIONAL DE LUTA DAS MULHERES

(Nota Política do PCB)

OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!

É muito comum encontrarmos pessoas explicando a violência e a opressão às mulheres ou como algo que ocorre desde o princípio da humanidade, sendo natural em todas as sociedades e buscando para isso argumentos dos mais diferentes possíveis, desde religiosos (a mulher é o fruto do pecado) até científicos (existem diferenças biológicas que explicam as atitudes de mulheres e homens); ou que esse processo é produto do capitalismo e aqui, tanto para aqueles que se posicionam à esquerda quanto para a direita, propõem-se soluções reducionistas para a questão de gênero. Mas é preciso dizer ainda que essas formas de encarar a questão podem aparecer muitas vezes compartilhadas e gerar uma confusão ainda maior que tem em si um conteúdo ideológico que não avança em nada a nossa luta. Pelo contrário reproduzem de forma mais intensa e sutil a exploração e a dominação das mulheres.

Assim é necessário esclarecer o terreno sob o qual se coloca a questão de gênero, ou seja, as relações entre homens e mulheres que na nossa perspectiva são construções sociais. A dominação e a exploração sobre as mulheres é um processo que assumiu diferentes formas ao longo da história da humanidade. Se na Grécia Antiga, por exemplo, em Atenas as mulheres não eram consideradas cidadãs dignas de participar da vida política da polis e serviam simplesmente à reprodução biológica da vida, em Esparta as mulheres tinham uma participação diferenciada, pois eram fundamentais na educação e, portanto na reprodução social da vida até os sete anos da criança, já que a cidade priorizava a educação militar. Já na Idade Média as mulheres vão aparecer na cena histórica como bem e passível de negociações econômicas; aparecem também como bruxas e serão caçadas pela Igreja durante a Inquisição, já que detinham conhecimentos adquiridos por conta de sua função social que desafiavam a ideologia dominante naquele momento.

De fato então temos sim a dominação e a exploração das mulheres como algo muito além do capitalismo, porque a primeira divisão do trabalho teve base na divisão sexual do trabalho, entre o homem direcionado à caça e a mulher restrita à reprodução da vida e aos cuidados da "casa". Entretanto, o capitalismo vai se apropriar de maneira particular desse processo e assimilá-lo como um dos pilares da dominação de classe. O tripé Estado, Igreja e Família dão sustentação particular às relações sociais capitalistas de produção no sentido de garantir a propriedade privada e a acumulação de capital, restringindo às mulheres a uma condição de exploração e dominação ainda maior atualmente sob o véu da igualdade de direitos conquistada com a luta das mulheres durante o século XX. As mulheres agora inseridas do mercado de trabalho reproduzem antigas funções sociais como trabalho (doméstica, profissões ligadas à indústria têxtil e de alimentação) colaborando para a acumulação direta de capital ou ainda indireta nos casos em que ainda restrita ao lar são responsáveis pela reprodução da força de trabalho masculina. Em casos em que houve a feminização de profissões, como com professores e bancários no Brasil, serviu à redução dos salários já que ela participa do mercado de trabalho como Mao de obra barata. Portanto, se por um lado ser inserida no mercado de trabalho foi uma conquista, por outro foi uma forma de intensificar a exploração, articulando, portanto, a dimensão de classe com a dimensão de gênero.

Nesse sentido é importante lembrar que o dia 08 de março foi uma data sugerida por Clara Zetkin, uma comunista Alemã, durante a II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910 em decorrência das inúmeras manifestações que ocorriam no mundo inteiro propunha marcar a luta das mulheres por melhores condições de trabalho, fim da opressão e direito ao voto feminino. Por considerar o contexto histórico de sua criação e de seu desenvolvimento ao longo do século XX, devemos encarar o 08 de março como uma construção da luta das mulheres e não apenas como data comemorativa, bem como não pensá-lo somente como um dia, mas como resultado de um processo que deve ser permanentemente reavaliado entre seus progressos e retrocessos pelas feministas com objetivo de avançar nessa luta.

Mas é preciso lembrar que a luta feminista tem suas vertentes e aqui vamos defender não o feminismo burguês. A democracia burguesa promete e diz garantir a igualdade e a liberdade das mulheres, mas o que vemos na prática é que as mulheres ainda são escravas do trabalho doméstico, seja ele um dever de casa imposto socialmente ou uma profissão de fato; preenchem cada vez mais as fileiras do trabalho precarizado, com poucos ou quase nada de direito por conta dos mecanismos que o capitalismo encontra para explorar a classe trabalhadora (cooperativas, trabalho informal, etc.), se submetendo a salários inferiores aos dos homens nos mesmos cargos e sofrendo constantemente no ambiente de trabalho e nos espaços de organização política assédio sexual e discriminação; são levadas a reproduzir ideologicamente a educação machista e homofóbica que o Estado e as demais instituições sociais difundem por conta de que o processo de socialização é sutil, ao mesmo tempo em que violento; não têm garantido os direitos de reprodução sexual em termos de saúde e educação, seja em casos de prevenção à concepção como em casos de interrupção de gravidez, se submetendo a situações constrangedoras do ponto de vista psicológico e colocando sua vida em risco; são alvo constante de exploração sexual e violência doméstica, bem como estão constantemente expostas à mercantilização de seu corpo.

Enquanto comunistas, não queremos somente a igualdade de direitos. Não queremos que as nossas conquistas se reduzam à questão meramente jurídica, legal. Porque o capitalismo é a exploração do homem pelo homem e, portanto, as questões pertinentes às mulheres se potencializam por conta da dominação de classe. Lutamos pela libertação das mulheres e homens de toda e qualquer forma de dominação, subordinação, opressão, seja ela de gênero, etnia ou opção sexual, porque a nossa luta, guardada sua particularidade, é acima de tudo de classe, é em direção à revolução socialista. Nossa conquista deve ser no sentido de transformações objetivas e subjetivas que garantam a todos e todas as diferenças, sem que estas se traduzam em dominação e subordinação de um pelo outro.

Não compartilhamos também de um feminismo sexista porque não identificamos nosso inimigo no homem, mas sim o queremos nas fileiras não só das lutas de classes, como na luta pelo fim do machismo, da violência e opressão à mulher. Por tudo isso, não defendemos a organização independente de mulheres, sem vinculação partidária ou ideológica: a luta das mulheres é a parte integrante da luta de classes e, portanto, para que seja extinta a exploração sobre seu corpo e sua alma, deve ser uma luta revolucionária: OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!

A luta das mulheres no século XXI ainda está em construção. Carrega todo o peso da história de luta das mulheres do mundo inteiro. Ainda traz no bojo da luta feminista socialista as mesmas bandeiras táticas protagonizadas pela Segunda Internacional, tais como direito a creche, salários iguais, direito ao aborto legal e seguro, fim da violência doméstica e da exploração sexual, luta pela paz dos povos oprimidos, entre outras. Bandeiras que ainda pertinentes devem ser enquadradas de acordo com o avanço da nossa luta, com a nossa conjuntura atual e com as demandas históricas que se impõem para a classe trabalhadora, ou seja, devem estar no escopo das lutas de classes, pois somente a extinção da dominação de classes promove a emancipação plena da mulher. Essa é uma contribuição inicial e necessária para que possamos garantir que a plena subversão da ordem e a construção de outra sociedade livre da exploração do trabalho pelo Capital, leve no bojo das lutas de classes a luta das mulheres: muito mais do que uma luta de gênero, por demandas específicas perfeitamente possíveis de serem apropriadas como bandeira do Capital, queremos uma luta de classes que supere as desigualdades de gênero imbricadas nas desigualdades de classes. Que se mantenham as diferenças, porque somos diferentes, mas que elas jamais se reproduzam nas nossas lutas em termos de dominação e exploração. É uma luta contra o sectarismo, contra a tentativa de guetizar o específico que é uma luta geral de nossa classe. Uma luta das mulheres e dos homens que devem lutar pela Revolução socialista e feminista.

PCB – Comissão Política Nacional do CC

sábado, 6 de março de 2010

Já trabalham os médicos cubanos no Chile


Inauguración hospital cubano en Rancagua. Foto: Diario El Pulso, de Chile

Inauguración hospital cubano en Rancagua. Foto: Diario El Pulso, de Chile

Una brigada médica cubana, que llegó a Santiago de Chile tras el devastador terremoto del sábado, instaló hoy un moderno hospital de campaña en la ciudad de Rancagua y comenzó a atender a los damnificados chilenos.
El conjunto de carpas de emergencia, que albergan los equipos médicos y a 27 profesionales de Cuba, denominado Hospital No. 16 Henry Reeve, fue visitado por el ministro de Salud, Álvaro Erazo, el alcalde Eduardo Soto, la embajadora de la isla, Ileana Díaz Arguelles, y otras autoridades.
Erazo agradeció el apoyo al esfuerzo nacional por enfrentar los efectos del sismo de 8,8 grados Richter y explicó que el número 16 se debe a que en la región de O Higgins, cuya capital es Rancagua, 90 kilómetros al sur de Santiago, existen 15 hospitales y ahora el cubano también quedó incorporado a su red asistencial.
Varias de esas instalaciones, incluido el Hospital Regional de Rancagua, sufrieron daños de distintos grados durante el sismo, por lo que este y otros hospitales de campaña contribuirán a la atención médica de los lesionados y enfermos, dijo a Prensa Latina el doctor Marcelo Yévenes, director del Servicio Regional de Salud.
Según las más recientes informaciones, 60 mil personas quedaron damnificadas en Rancagua.
El doctor Juan Pablo Andux, jefe de la brigada cubana, relató a su vez el origen del nombre Henry Reeve, contingente médico especializado en situaciones de desastres y graves epidemias, con experiencia en emergencias en Pakistán, Indonesia, El Salvador, China, Perú, México, Bolivia y Guatemala y otros países.
Estamos aquí para aportar asistencia médica al pueblo chileno, prestos a trabajar en cualquier circunstancia, las horas que sea necesario, de modo humanitario y desinteresado, subrayó Andux.
El ministro agradeció la disposición técnica y humana de los cubanos desde el primer minuto, con plena solidaridad y espíritu de cuerpo, que es lo que necesitamos ahora para darle tranquilidad a la población .
Un especial reconocimiento a la solidaridad y a la labor del gobierno y de los profesionales de Cuba, agregó.
Durante el recorrido por el hospital, al que ya acudieron los primeros pacientes, la embajadora Díaz Arguelles reiteró la disposición de su país de colaborar en lo que disponga el gobierno a raíz del actual desastre.
Tras recordar que médicos de la Mayor de las Antillas también vinieron a Chile durante un gran terremoto en 1960, dijo asimismo que la solidaridad entre ambas naciones se fortalece a través de estas acciones concretas, prácticas y efectivas.
Otra autoridad presente en la inauguración del hospital cubano, instalado en el Complejo Deportivo Patricio Mekis de Rancagua, fue Rubén Torres, directivo de la Organización Panamericana de la Salud (OPS), quien destacó la solidaridad entre los pueblos de las Américas y, como siempre, puntualizó, Cuba está entre los primeros que hace su aporte en este caso.
Al resaltar el rápido apoyo para enfrentar la catástrofe, Torres dijo a Prensa Latina que "la calidez humana de los equipos de trabajo son tan o más importantes que el propio equipamiento que los hospitales puedan tener.
El hospital, con un potencial de 20 camas, cuenta con 11 médicos especialistas en medicina general integral, terapia intensiva, cirugía, ortopedia, medicina interna y anestesia, así como con enfermeras intensivistas, instrumentistas, circulantes, técnicos de rayos X, farmacia, electromedicina y banco de sangre.

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Sentença da Corte Constitucional, contundente derrota para as intenções de violar a constituição

O Partido Comunista Colombiano, integrante do Pólo Democrático Alternativo, saúda com grande satisfação o pronunciamento final da Corte Constitucional sobre os vícios de inexequibilidade que continha o projeto de referendo que intentava assegurar a permanência no poder do presidente Álvaro Uribe através de inumeráveis manobras e atos viciados que pretenderam desrespeitar as leis vigentes e a própria Constituição da República.



Sem dúvida, se trata de um fato histórico que se antepõe ao apetites pessoais e ao desejos de controlar sem limitação alguma todas as instâncias do poder, os preceitos do respeito à legalidade e ao acordo social que encarna a Constituição de 1991, incluídos os mecanismos de contrapeso e a independência dos poderes públicos, indispensáveis para a administração equilibrada do Estado.



Consideramos que no campo puramente político, se trata da mais clara e decidida derrota da forças que levaram o país a uma de suas mais profundas crises, refletida nos abismais desequilíbrios sociais hoje presentes na sociedade colombiana, nas imoralidades que conduzem boa parte das decisões governamentais, na associação de um setor importante do stableshment com grupos criminosos que não só assaltam de maneira gravíssima os cofres estatais como provocam um das maiores tragédias humanitárias da história, ao levar ao deslocamento forçado de milhões de compatriotas.



O Partido Comunista Colombiano chama os setores democráticos, as forças políticas que ainda não se contaminaram com o narco-paramilitarismo e todos os colombianos e colombianas que acreditam no possibilidade de uma saída política à gravíssima encruzilhada em que se encontra a Colômbia, para respaldar a Corte Constitucional, que se converteu num bastião importante em defesa do que nos resta de democracia e da garantia dos direitos do povo colombiano. Hoje mais que nunca, consideramos que a mudança democrática é possível e que as portas estão abertas para procurar uma sociedade justa e transparente.



Convidamos os democratas a fortalecer o Pólo Democrático Alternativo e os processos unitários para impedir qualquer saída forçada e buscar as convergências necessárias para alcançar as reivindicações sociais das maiorias populares, as mudanças democráticas e a paz com justiça social, negada por um regime contrário à salvação do país.



PARTIDO COMUNISTA COLOMBIANO



Bogotá, fevereiro de 2010