quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O fim da ética da Isto É, a revista que vende reportagens por quilo



18 de setembro de 2011

Da Secretaria Nacional do MST

A revista IstoÉ publica na capa da edição desta semana um boné do MST bem velho e surrado, sob terras forradas de pedregulhos.

Decreta na capa "O fim do MST", que teria perdido a base de trabalhadores rurais e apoio da sociedade.

Premissa errada, abordagem errada e conclusões erradas.

A mentira

A IstoÉ informa a seus leitores que há 3.579 famílias acampadas no Brasil, das quais somente 1.204 seriam do MST.

A revista mente ou equivoca-se fragorosamente. E a partir disso dá uma capa de revista.

Segundo a revista, o número de acampamentos do MST caiu nos últimos 10 anos. E teria chegado a apenas 1.204 famílias acampadas, em nove acampamentos em todo o país.

Temos atualmente mais de 60 mil famílias acampadas em 24 estados.
Levantamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aponta que há 156 mil famílias acampadas no país, somando todos os movimentos que lutam pela democratização da terra.

A revista tentou dar um tom de credibilidade com as visitas a uma região do Rio Grande do Sul, onde nasceu o Movimento, e ao Pontal do Paranapanema, em São Paulo.

Se contassem apenas os acampados nessas duas regiões, chegariam a um número bem maior do que divulgou.

A reportagem poderia também ter ido à Bahia, por exemplo, onde há mais de 20 mil famílias acampadas que organizamos.

O repórter teve oportunidade de receber esses esclarecimentos e até a lista de acampamentos pelo país.
Mas não quis ou não fez questão, porque se negou a mandar as perguntas por e-mail para o nosso setor de comunicação.

Outra forma seria perguntar para o Incra ou pesquisar no cadastro do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).

Tampouco isso a IstoÉ fez.

Se foi um erro, além de incompetente, a direção da IstoÉ é irresponsável ao amplificá-lo na capa da revista.

Se não foi um erro, há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia, como escreveu William Shakespeare.

O desvio

A IstoÉ se notabilizou nos últimos tempos nos meios jornalísticos como uma revista venal. A revista é do tipo "pagou, levou". Tanto é que tem o apelido de "QuantoÉ".

Governos, empresas, partidos, entidades de classe, igrejas (vejam a capa da semana anterior) compram matérias e capas da revista. E pagam por quilo, pelo "peso" da matéria.

A matéria da IstoÉ não é fruto de um trabalho jornalístico, mas de interesses de setores que são contra os movimentos sociais e a Reforma Agrária.

Não é de se impressionar uma vez que a revista abandonou qualquer compromisso com jornalismo sério com credibilidade, virando um "ativo" para especuladores.

Nelson Tanure e Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, banqueiro marcado por casos de corrupção, disputaram a compra da revista em 2007.
Com o que esses tipos têm compromisso? Com o dinheiro deles.

Reação do latifúndio

A matéria é uma reação à nossa jornada de lutas de agosto.

Foram mobilizados mais de 50 mil trabalhadores rurais, em 20 estados.

Um acampamento em Brasília, com 4 mil trabalhadores rurais, fez mobilizações durante uma semana e ocupou o Ministério da Fazenda para cobrar medidas para avançar a Reforma Agrária.

A jornada foi vitoriosa e demonstrou a representatividade social e a solidez das nossas reivindicações na luta pela Reforma Agrária.

O governo dobrou o orçamento para a desapropriação de terras para assentar 20 mil famílias até o final do ano, liberou o orçamento para cursos para trabalhadores Sem Terra, anunciou a criação de um programa de alfabetização e a criação de um programa de agroindústrias.

Interesses foram contrariados e se articularam para atacar o nosso Movimento e a Reforma Agrária. Para isso, usam a imprensa venal para alcançar seus objetivos.

Os resultados da jornada e a reação do latifúndio do agronegócio, por meio de uma revista, apenas confirmam que o MST é forte e representa uma resistência à transformação do Brasil numa plataforma transnacional de produção de matéria-prima para exportação e à contaminação das lavouras brasileiras pela utilização excessiva de agrotóxicos.

A luta vai continuar até a realização da Reforma Agrária e a consolidação de um novo modelo agrícola, baseado em pequenas e médias propriedades, no desenvolvimento do meio rural, na produção de alimentos para o povo brasileiro sem agrotóxicos por meio da agroecologia




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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Discurso de Nikos Seretakis (PC da Grécia) Seminário sobre os 140 anos da Comuna do Paris




(Universidade Federal do Rio de Janeiro, 14/09/2011)
Caros amigos;

Em nome do KKE (Partido Comunista de Grécia), gostaria de agradecê-los por seu gentil convite para participar e contribuir neste seminário importante sobre os 140 anos da Comuna de Paris.


Aproveito esta oportunidade para agradecer todos os camaradas, trabalhadores e jovens do Brasil que manifestam sua solidariedade com as lutas do KKE e da PAME (Frente Militante de Todos os Trabalhadores), o movimento sindical classista em nosso país.


O tema que este seminário aborda é de grande importância teórica, política e prática, especialmente em condições de crise capitalista,
porque o estudo das experiências, positivas e negativas, das revoluções anteriores e da construção socialista, a defesa das leis do desenvolvimento do socialismo e a defesa da contribuição histórica da União Soviética e em geral do socialismo no século XX, são condições imprescindíveis para construir hoje uma estratégia revolucionária, cientificamente elaborada.
O legado político da Comuna de Paris


O
grande heroísmo de homens, mulheres e até crianças que deram suas vidas por uma nova sociedade no primeiro assalto operário ao céu, a experiência da Comuna de Paris e as lições tiradas do curso dos 72 dias do primeiro poder operário no mundo, continuam vigentes.

A burguesia mostrou-se capaz de cometer os maiores crimes, a fim de salvar o poder do capital. Optou por se aliar aos invasores do exército prussiano, para massacrar a classe trabalhadora de Paris. Provou que tinha deixado para trás definitivamente seu papel progressista anterior.

A principal lição
das experiências da Comuna de Paris é, como escreveu Marx, que "a classe operária não pode simplesmente tomar posse da máquina estatal existente e colocá-la em movimento para os seus próprios fins." Ao contrário, como afirmou Lenin, "a classe operária deve quebrar, destruir a "máquina do Estado", não se limitando apenas a se assenhorear dela ". A ditadura do proletariado, o poder mais democrático até quando haja estado, em vez da ditadura do capital.

A segunda lição fundamental que a história da Comuna nos ensina é que o novo poder deve começar imediatamente "a expropriação dos expropriadores", isto é, a socialização dos meios de produção concentrados.

A Comuna
de Paris resposta a todos os derrotistas e conformistas que consideram a correlação de forças como algo estático, que fecham os olhos à objetiva agudização das contradições e a maturação da luta de classes.

Finalmente, a história da Comuna ensina, através da experiência de sua derrota, que o proletariado deve ter estratégia e tática com base científica, conhecimento profundo das leis que regem a luta de classes. Esta tarefa pode ser realizada apenas por um partido comunista com teoria revolucionária, em conflito com a ideologia burguesa, o reformismo e o oportunismo.

Estas conclusões têm
importância vital para o movimento revolucionário. Foram confirmados pelas experiências seguintes, ou seja, da Grande Revolução de Outubro, na Russia, da Revolução Cubana e da construção socialista no século passado. As lições extraídas das experiências das revoluções e contra-revoluções, dos êxitos e retrocessos nos dão força para a luta que travamos hoje. Avançamos para o futuro ensinados pelo passado.

Essas experiências tiram ilusões de que seja possível um governo
colocar o Estado burguês a serviço dos interesses do povo. Tais ilusões custaram caro ao movimento popular no passado (como no caso do Chile) e hoje em dia tornam-se ainda mais perigosas, sendo que o movimento operário encontra-se perante desafios muito grandes, onde a escolha entre a linha de ruptura e a adaptação determinará a direção dos acontecimentos.

As contra-revoluções, os retrocessos do socialismo na União Soviética e em outros países socialistas, não alteram o caráter da nossa época, como época da transição do capitalismo para o socialismo.

A necessidade da revolução socialista, a derrubada do capitalismo e a construção da nova formação sócio-econômica comunista, não é determinada pela correlação de forças num dado momento histórico, mas pela exigência histórica da resolução da contradição fundamental entre o capital e o trabalho, a abolição da exploração do homem pelo homem, a abolição das classes.
A Crise Capitalista e as Lutas na Grécia

Permitam-me apresentar alguns aspectos da luta atual do KKE que talvez sejam interessantes para vocês, do ponto de vista da troca de experiências.
A crise econômica capitalista encontrou o KKE ideológica e politicamente preparado, em razão de nossas análises sobre as seguintes questões:
- o desenvolvimento do capitalismo grego, nas condições da sua incorporação à União Européia;
- a política de alianças, que aperfeiçoamos e que se baseia na estrutura social e de classes do país;
- o trabalho que desenvolvemos nos últimos dezoito anos para tirarmos conclusões científicas sobre a construção socialista no século XX e sobre as causas da vitória da contra-revolução, particularmente aquelas de caráter interno.

O KKE enfatizou, desde o primeiro momento, que a crise atual é uma crise de superprodução capitalista, que exprime a agudização da contradição principal do capitalismo. Mostrou que as medidas antipopulares expressaram necessidades do capital para assegurar sua competitividade e rentabilidade.

O nosso Partido chamou atenção para as contradições dentro da União Européia, os conflitos entre as potências imperialistas principais e com as forças capitalistas emergentes, como a China – onde todos os fatos provam que as relações de produção capitalista já predominam - a Índia, o Brasil, o papel da Rússia, etc.

Mais de 20 greves gerais no âmbito nacional foram organizadas com êxito, de 2010 até agora, além de inúmeras greves por ramos, setores e empresas, manifestações, ocupações, com a participação de centenas de milhares de trabalhadores.

Os comunistas estão na vanguarda destas batalhas, lutando nas fileiras da PAME, que congrega todos os Sindicatos, Federações, Centros Laborais e Comitês de Luta das empresas e setoriais de orientação classista, envolvendo milhares de trabalhadores.

A organização das lutas se faz em condições de polêmica aguda com as forças do sindicalismo a serviço do patronato, com as direções das confederações gerais no setor privado e público, cujas maiorias são compostas por quadros do PASOK (partido socialdemocrata, atualmente no poder) e da ND (partido liberal) tendo, ao mesmo tempo, o apoio das forças oportunistas. Este bloco constitui um pilar para a estratégia do capital. Defende a União Européia, semeia ilusões e mistificações e cultiva a colaboração de classes.
Organização Nos Locais do Trabalho – Aliança Social

Tomamos medidas adicionais para consolidar a intervenção do partido e realizar trabalho de massas nas fábricas e na indústria em geral, porque aqui se coloca o terreno principal da luta e serão decididos o desenvolvimento da luta de classes e a perspectiva das alianças sociais. Neste quadro, procedemos a uma reestruturação interna na organização dos membros do Partido e à unificação das organizações partidárias que têm um campo de ação unificado.

Colocamos a questão do reagrupamento do movimento operário como questão ainda mais urgente. Elaboramos um quadro de
ação e de revindicações comuns para o movimento operário e sua aliança com as camadas médias mais pobres, os autônomos, os artesãos, os pequenos comerciantes e agricultores, os movimentos da juventude e das mulheres.

Déramos impulso à formação duma aliança social a nível nacional na base desse quadro comum de objectivos de luta. É um acontecimento que se dá pela primeira vez na Grécia em tal direção. Esta iniciativa tomada pela PAME foi apoiada pela Frente Militante dos Camponeses (PASY), a Frente Antimonopolista dos Trabalhadores por conta própria e Pequenos Comerciantes (PASEVE). Este agrupamento alargou-se com a participação da Frente de Luta dos Estudantes (MAS) e a Federação das Mulheres Gregas (OGE). Nasceu assim um núcleo da aliança social sustentada em organizações e forças classistas e radicais. Isto levou à formação de comités populares desta aliança em bairros, comités de luta em locais de trabalho etc.

Nós queremos que os comités populares sejam formados de maneira bem preparada, através de amplos processos de massas, que não sejam uma mera "etiqueta". Que se dirijam às mais vastas massas populares em volta de problemas específicos ou de um conjunto de problemas. Cada parte constituinte desta aliança (sindicato, associação de mulheres, outra organização) continua a sua atividade no seu campo ou setor, em locais de trabalho, zonas industriais, bairros, universidades e escolas. Não se trata de um agrupamento temporário, mas de uma força que facilita a entrada dos trabalhadores e outras camadas populares à luta organizada numa direção antimonopolista e antiimperialista.

O êxito e força desta aliança jogam-se nas fábricas, nos locais de trabalho, onde o conflito entre o trabalho e o capital se expressa clara e directamente. Tem havido já alguns resultados positivos na readmissão de trabalhadores despedidos, no pagamento de salários e indenizações e na ligação da eletricidade a famílias que não pagaram as faturas, devido à sua pobreza. Têm-se dado e continuam a dar-se importantes mobilizações pela abolição dos pedágios nas auto-estradas, os novos impostos, as problemas da saúde, contra o fechamento de escolas e outros.

Reivindicações e Politização da Luta

Prestamos cuidado imenso às reivindicações do movimento operário. As lutas que se limitam a certas reivindicações parciais, cujo objetivo é mitigar as consequências da crise, não são eficazes; os governos mostram dureza, correm riscos, contudo, não podem fazer as concessões que faziam no passado.

Cada luta por questões específicas deve contribuir na organização, concentração e preparação das forças populares para a derrubada do sistema explorador, e abrir o caminho para o poder do povo e a economia do povo, para o socialismo.

O critério nosso é se as exigências forem ao encontro das necessidades atuais dos trabalhadores. Ponto de partida é a afirmação de que a classe operária é a produtora da riqueza e deve reivindicá-la. Desta maneira, elevamos a exigência dos trabalhadores, promovemos a consciência dos interesses de classe comuns entre as camadas populares e forjamos a aliança social.

Existe hoje uma oportunidade histórica no terreno da incessante luta de classes: dirigir o pensamento e a ação dos povos em luta – sob a direção da classe operária – para o poder da classe trabalhadora. Deve-se entender que, se mesmo num determinado país, for eleita pelo povo uma maioria parlamentar favorável aos trabalhadores e se nessa base se formar um governo, este não será capaz de ultrapassar os limites das leis básicas do capitalismo se não resolver as questões da socialização dos principais meios de produção, da desvinculação do país da União Europeia e da OTAN, da planificação da economia e do estabelecimento do controle operário. É uma oportunidade para amadurecer a ideia de que é imperativa a mudança da classe que detém o poder estatal e não apenas uma mudança de governo.

A Proposta Politica do KKE
Α proposta politica do KKE resume-se à consigna: Frente Democrática, Anti-Imperialista, Anti-Monopolista pelo poder popular e economia Popular.

Para que a economia popular possa existir, visando satisfazer as necessidades da população e não às necessidades do lucro, é necessário resolver a questão da propriedade.

Isto implica: mudança nas relações sociais de propriedade, historicamente ultrapassadas, que determinam o sistema politico. Socialização dos meios de produção básicos e concentrados nas seguintes áreas: energia, telecomunicações, riqueza mineral, mineração, indústria, abastecimento e distribuição de água, transportes. Socialização do sistema bancário, do sistema de extração, transporte e gestão dos recursos naturais; do comércio exterior; construção de uma rede centralizada de comércio interno. Sistemas exclusivamente públicos, gratuitos e universais de educação, saúde, de bem estar e de previdência social.


Ao lado do setor socializado, poderá se formar um setor de cooperativas de produção em nível de pequena agricultura, em ramos onde a concentração tenha um nível baixo. Ambos setores estarão incluídos num mecanismo central de planejamento econômico.

O planejamento central é imprescindível para que se formulem as escolhas e os objetivos estratégicos, para priorizar setores e ramos da produção, para determinar aonde nossas forças e nossos meios deverão ser concentrados. É uma necessidade que deriva do próprio desenvolvimento social.

Que Poder Pode Assegurar Um Tal Rumo de Desenvolvimento
Hoje é possível agrupar a classe operária, camadas intermédias da cidade e do campo, todos os trabalhadores apesar do nível de acordo com a concepção do KKE sobre o socialismo, em torno de reivindicações e de objetivos anti-imperialistas e antimonopolistas. No âmbito da aliança popular podem existir forças com diferentes concepções sobre o poder. Para nós comunistas, o poder popular não pode ser outro senão o poder da classe operária, o poder socialista.

O nosso partido em seu 18º congresso enriqueceu sua concepção programática sobre o socialismo, utilizando as conclusões sobre a construção do socialismo na URSS durante o século XX.

O Estado revolucionário da classe operária, a ditadura do proletariado, tem o dever de obstruir as tentativas da classe burguesa e da reação internacional para restaurar o domínio do capital. Tem o dever de criar uma sociedade nova com a abolição da exploração do homem pelo homem. As suas funções organizativa, cultural, política, educacional e defensiva são guiadas pelo Partido da classe operária. Dará expressão a uma forma mais elevada de democracia, tendo como característica fundamental a participação enérgica da classe operária, do povo, na resolução dos problemas básicos da construção da sociedade socialista e no controle do poder de Estado e dos seus órgãos. É um órgão da classe operária na luta de classes, que continua através de outras formas e sob novas condições.

O centralismo democrático é princípio fundamental do Estado socialista. É indispensável que o exercício do controle operário seja garantido na prática.

O poder revolucionário da classe operária basear-se-á nas instituições que nascerão da luta revolucionária. As instituições parlamentares burguesas serão substituídas por novas instituições do poder operário.

O poder de Estado da classe operária será baseado nas unidades de produção, nos locais de trabalho, através dos quais a classe operária exercerá o controle social da administração e eleger a maioria dos representantes para os órgãos de poder (outras vias de eleição são as escolas e faculdades, as organizações de massas e das mulheres).

A representação das cooperativas de agricultores e de pequenos produtores autónomos assegura sua aliança com a classe operária. O poder popular cuida da composição social dos órgãos em todos os níveis e em particular dos órgãos superiores do poder.

O mais alto órgão do poder de Estado será um organismo de trabalho – que legislará e governará
ao mesmo tempo – investido dos poderes executivo e legislativo dentro do seu âmbito de competências. Não é um parlamento, os seus representantes não são permanentes, podem ser destituídos, não se desligam da produção e não têm nenhum benefício económico especial pela sua participação nos órgãos de poder do Estado.

As conclusões sobre o caráter do poder popular, a importância da organização dos trabalhadores nos locais do trabalho constituem provisões valiosas. Nos dão força, nos ajudam na luta quotidiana, reforçando a nossa orientação principal para a organização da classe operária dentro das empresas e dos locais do trabalho e a consciência sobre os limites objetivos que têm as instituições e as estruturas que o movimento operário desenvolve nos marcos do capitalismo, promovendo formas da aliança popular que puderem, em viragens da luta de classes, tornarem-se embriões do novo poder.

Estimados amigos e camaradas,

Temos a convicção firme de que o século XXI será marcado por uma nova onda de revoluções socialistas ou seja, como o grande poeta comunista grego Yianis Ritsos afirmou, vivemos «o último século antes do homem».
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

11/Set: Demolições controladas - Por: Manlio Dinucci

Aço fundido no WTC.O que pensaria você se a polícia, após uma explosão suspeita que teria feito ruir uma casa matando as pessoas que nela habitavam, antes de mais nada removesse e destruísse tudo aquilo que restasse? Foi o que fizeram, há dez anos, as autoridades estado-unidenses: ordenaram a remoção imediata das estruturas em aço das torres caídas a 11 de Setembro em Nova York. Não há nenhuma dúvida, na versão oficial, de que a causa não foi o incêndio provocado pelo impacto dos aviões desviados por terroristas. As 300 mil toneladas de aço das torres foram em grande parte recicladas em fundições asiáticas, salvo 24 toneladas dadas à sociedade Northrop Grumman (um dos maiores empreiteiros militares do Pentágono) para construir um navio-símbolo, o New-York: o primeiro de uma nova geração de unidade de assalto anfíbias para a guerra global ao terrorismo, justificada pelo ataque contra as torres gémeas mostradas em directo.

Em contrapartida, nem um grama de aço foi dado aos engenheiros especialistas de estruturas que o haviam pedido com o objectivo de examinar as colunas e vigas, para remontar algumas secções a fim de determinar com certeza as causas da derrocada. "Uma tal decisão – declara Frederick Mowrer da Universidade de Maryland, professor de engenharia de protecção contra incêndios – compromete todo o inquérito sobre as derrocadas. Julgo muito inquietante a rapidez com a qual foram removidas e recicladas provas potencialmente importantes" ( The New York Times,25/Dezembro/2001). Nenhuma torre deste tipo, de facto, jamais ruiu por causa de um incêndio. O combustível dos aviões não teria podido desenvolver um calor capaz de fundir a maior parte no exterior das torres ainda que, no interior do ponto de impacto, se vejam pessoas indemnes. A dinâmica da derrocada das torres gémeas e da torre 7 (que não foi tocada pelos aviões) – sustentam diferentes peritos – lembra uma demolição controlada, provocada por explosivos situados no interior. Por ter sustentado isso, o professor Steven Jones, professor de física, foi expulso da Universidade Brigham Young (Utah). Contudo, ele não desistiu. Com uma equipe de que fazem parte também cientistas de outros países, publicou em 2009 na revista The Open Chemical Physics Journal (que submete a uma revisão científica todos os seus artigos a publicar) um estudo fundamentado na análise das amostras de poeiras recolhidas no Ground Zero. Estas revelam a presença de termite , uma substância não explosiva que produz uma reacção química a uma temperatura de 2500 graus Celsius, com capacidade de fundir o aço, cortando-o como uma faca quente corta a manteiga. Vê-se numa foto uma coluna de aço cortada limpamente, em diagonal, com cores semelhantes às de uma vela. E como a termite não precisa de ar para queimar, a reacção continua durante vários dias a desenvolver calor sob os escombros, enquanto os bombeiros as arrefecem com jacto de água contínuos.

É sobre estas provas e outras, todas científicas, que se fundamenta o estudo do professor Steven Jones que desafia os cientistas apoiantes da versão oficial a refutarem a sua. Estes, contudo, recusaram-se a lê-la, dizendo que não tinham tempo para isso. Mas a versão oficial está em vias de ruir do mesmo modo como ruíram as torres: como um castelo de cartas.

06/Setembro/2011

[*] http://en.wikipedia.org/wiki/Steven_E._Jones

Ver também: Why Indeed Did the WTC Buildings Completely Collapse?

O original encontra-se em http://www.ilmanifesto.it/area-abbonati/in-edicola/manip2n1/...
e a versão em francês em http://www.legrandsoir.info/demolition-controlee-il-manifesto.html


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

I Seminário Nacional de Universidade Popular (SENUP)


imagemCrédito: UJC


Depois de 3 dias de intensos, fraternos e ricos debates em torno de um PROJETO DE UNIVERSIDADE, em Porto Alegre - RS, durante os dias 2,3 e 4 de Setembro de 2011, com mais de 500 estudantes de vários Estados do Brasil, de várias organizações e independentes, foi aprovado o documento consensual resultante do I SENUP (Seminário Nacional de Universidade Popular), por aclamação na plenária final.

imagemCrédito: UJC


Este foi um sinal de grande unidade dos participante em torno da necessidade de construir um PROJETO DE UNIVERSIDADE para além do capital e também de maturidade das forças empenhadas diretamente na construção do I SENUP. Um projeto articulado com a luta geral por transformações sociais profundas.
Um gigantesco contraste com os habituais outros encontros estudantis, principalmente em se tratando dos fóruns da UNE do presente e do passado recente. O I SENUP se constituiu como um momento de debates políticos com profundidade, uma forte ferramenta política prática na orientação das nossas ações dentro e fora da Universidade.
imagemCrédito: UJC


O seminário aprovou também a criação de um Grupo de Trabalho Nacional para dar continuidade aos trabalhos desenvolvidos no I SENUP e que tem como tarefa criar condições favoráveis à construção de um Movimento Nacional pela Universidade Popular.
A União da Juventude Comunista (UJC) tem grande orgulho pela contribuição que deu, conjuntamente com as demais forças que construíram o I SENUP, para a efetivação desta tarefa politica.
O grande desafio agora é dar continuidade ao projeto que estamos construindo de forma a articular nacionalmente nossa prática política em coerência com nossas reflexões sobre a Universidade.


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A crise e a luta anticapitalista (Nota Política do PCB)

As recentes quedas nas bolsas de valores de todo o mundo e as crises das dívidas públicas dos países centrais são anunciadas pela imprensa como uma nova crise, que viria a atrapalhar as tentativas de recuperação econômica mundial após a “crise de 2007/2008”. Esses analistas procuram a todo custo diferenciar o movimento atual e mostrar que a economia privada vai bem, o problema agora é dos países extremamente endividados, portanto, a “saída” para o capitalismo deveria ser de ajustes fiscais por parte dos Estados, com cortes nos gastos públicos e nos direitos dos trabalhadores e aposentados. Essa visão de curto prazo, tão comum aos ideólogos do capitalismo nos últimos anos, não permite perceber os reais problemas por que passa o capitalismo e deixa claro que essa “crise atual” nada mais é do que a continuação e o aprofundamento da crise sistêmica em que se encontra o capitalismo desde a década de 1990.

O que ocorre hoje é consequência direta das medidas tomadas há dois anos para tentar salvar o grande capital financeiro e os grandes bancos que especularam e sugaram enormes massas de valores produzidos, num movimento irracional de acumulação fictícia em escala global. Quando a crise sistêmica do capitalismo se deixou mostrar claramente com o estouro dos fundos especulativos em 2007 e 2008, levando à falência grandes bancos de investimentos e instituições que aplicavam nos mercados de títulos privados (principalmente nos mercados dos EUA e da Europa), os Estados usaram seu arsenal monetário para salvar estes bancos e fundos. Na prática, os Estados assumiram os títulos podres que apareceram após a farra financeira do setor privado e transferiram as dívidas privadas para o setor público. Agora, a burguesia quer sacrificar ainda mais a população com ajustes fiscais por parte dos Estados.

Naquele momento, havia quase uma unanimidade em pensar que começara o “início do fim” do neoliberalismo e que as políticas públicas keynesianas voltariam a dominar o cenário econômico, com os Estados voltando a atuar fortemente na economia, com os bancos centrais atuando como emprestadores de última instância. Muitos alimentaram ilusões de que teríamos um novo ciclo de crescimento econômico como o verificado no pós-guerra, quando os mercados financeiros foram dominados por políticas públicas que elevavam os salários e o bem-estar dos trabalhadores, além de aumentar a lucratividade das empresas produtivas. Isso não ocorreu, a farra especulativa continuou, e os “reformadores” não conseguiram regular o “livre mercado”.

A crise é de todo o sistema capitalista, muito mais profunda do que a simples oscilação das bolsas de valores permitem enxergar. O capitalismo é um sistema em que a produção da riqueza é coletiva e a apropriação é privada, cada vez mais concentrada e, diante da concorrência em mercados livres, os capitais competem por taxas de apropriação da riqueza cada vez mais elevadas. Ocorre que o capital não se reproduz sozinho. É o trabalho produtivo, humano e desempenhado no processo de produção de mercadorias que produz a riqueza. Quanto mais se concentra o capital e se esmaga o trabalho, menos valor novo é produzido, provocando crises de acumulação que podem ser cíclicas, quando há possibilidades de retomada dos investimentos produtivos e novos ciclos de emprego e produção de valor, ou pode chegar a um estágio em que as possibilidades de saída para a retomada da acumulação de capital encontram entraves que, para serem superados, levam à barbárie.

O que vemos hoje é a expressão de uma crise estrutural muito mais séria que qualquer crise cíclica anterior.

É estrutural, pois possui um caráter universal. A crise não é reservada a um ramo específico da produção, ou estritamente financeira; e não envolve apenas um número específico de países; assumiu uma linha cronológica contínua e sequencial, diferentemente dos períodos de crises cíclicas em que, após certo tempo, os capitalistas conseguiam superar suas contradições mais imediatas.

Os capitais já não conseguem sair da pura especulação fictícia e voltar à esfera da produção do valor. Mesmo nesta esfera, dado o grau de produção em escala mundial, utilização dos recursos humanos e ecológicos em todo o mundo, a retomada do desenvolvimento capitalista só ocorrerá com o aprofundamento da barbárie, tanto ecológica quanto humana. Para se retomarem as taxas de lucros, o capital vai procurar esmagar os trabalhadores em processos produtivos cada vez mais intensos e brutais, a fim de extrair o máximo de mais-valia absoluta e relativa. Se não for detido por forte resistência no âmbito mundial, o imperialismo vai explorar os recursos naturais até a impossibilidade da continuidade da reprodução da vida humana na terra.

No plano da conjuntura, depois de se livrar das dívidas impagáveis produzidas pelo ciclo de créditos baratos e especulação desenfreada dos anos 2008/2010, os capitalistas agora querem extrair dos fundos públicos dos Estados os recursos para continuar seu caminho de acumulação fictícia. Querem que os Estados honrem com suas dívidas públicas (aumentadas na tentativa de salvar bancos e fundos), paguem juros e transfiram recursos oriundos de tributação sobre os trabalhadores, para o setor privado. Por isso, querem o ajuste fiscal, cortes nos gastos públicos sociais, desoneração da folha de pagamento, redução de salários e aposentadorias, mais privatização na saúde e educação. Enfim, querem o Estado mínimo para a população e máximo para o capital.

Os trabalhadores dos países centrais também estão pagando pela crise. Já penalizados com o desemprego e o alto endividamento das famílias, teriam que pagar ainda mais abrindo mão de uma mínima estrutura de bem-estar, já bastante debilitada pelas reformas nas políticas públicas. As manifestações na Grécia, Espanha, França, EUA, Inglaterra demonstram a insatisfação da população com estas políticas. Trabalhadores e populares saem às ruas, depredam prédios públicos, incendeiam casas e carros, marcham pelas principais cidades e capitais.

Estas resistências espontâneas das populações não encontram forças e frentes políticas organizadas capazes de canalizar sua energia e revolta para um movimento realmente transformador e revolucionário. Os partidos comunistas e operários encontram-se em reconstrução e, em sua maioria, ainda não se tornaram uma vanguarda que pudesse promover a transformação de todo o sistema para um novo patamar de vida. Desta forma, a repressão se faz brutal e o aparato repressor do Estado é direcionado contra a população, provocando verdadeiras guerras internas que podem resultar num movimento crescente de um espectro político fascista, totalitário e ainda mais opressor.

A concentração de renda verificada em todo o mundo nas últimas décadas tem contribuído para desviar a luta política de parte despolitizada dos trabalhadores mais estáveis contra seus próprios companheiros precarizados e desempregados. Movimentos xenófobos, as intolerâncias religiosas, principalmente a “islamofobia” e as ações contra os mais pobres crescem em todo o mundo, criando um quadro propício para o crescimento de organizações e ações fascistas.

Além disso, os Estados imperialistas centrais precisam cada vez mais promover suas guerras contra países detentores de recursos naturais valiosos. A guerra imperialista atual deixou de ser uma ação coordenada pelos países centrais através da ONU, para assumir a forma de guerras de interesses particulares de cada país, numa federalização da ONU. Os EUA atacam o Iraque e o Afeganistão, enquanto a França ataca a Líbia, e a Rússia ataca as ex-repúblicas soviéticas. Mas a principal guerra que se vislumbra são as novas guerras civis dentro dos países, com os aparatos repressores dos Estados contra sua população trabalhadora e a redução das liberdades democráticas.

Essa nova ofensiva belicista e imperialista, por sua vez, assume um caráter de redefinição da geopolítica de dominação de mercados e reservas por parte das grandes potências capitalistas, ao mesmo tempo em que cumpre o papel de fomento de uma vasta cadeia produtiva ligada à indústria bélica e à necessidade do controle ideológico das massas trabalhadoras, transferindo as tensões para inimigos fabricados pela mídia.

A chamada “Guerra ao Terror” tem servido, desde 11/09/2011, como instrumento de justificativa para o aumento de gastos com a indústria bélica e válvula de escape das tensões internas causadas pela crise capitalista. Republicanos e Democratas vêm se revezando no poder nos EUA, mas mantêm a mesma tônica nesses últimos dez anos.

Neste mundo conturbado, o Brasil não está imune à crise. A diferença é que, neste momento, a crise sistêmica que atinge os países centrais abriu espaço para um pequeno período de crescimento econômico e oportunidade de investimentos produtivos em alguns países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. O Brasil está recebendo volumes expressivos de investimentos produtivos e especulativos, tem saldo elevado de reservas internacionais e uma aparente tranquilidade econômica.

Esse cenário é repleto de contradições específicas, pois, em parte, o crescimento econômico está ancorado na política de concessão de crédito fácil a juros exorbitantes, os quais comprometem grande parcela dos rendimentos dos trabalhadores, forçando a que muitos entrem em uma verdadeira ciranda de endividamento pessoal.

Mesmo assim, os ideólogos do Capital pregam a barbárie quando, a todo momento, clamam por ajuste fiscal, reformas trabalhista e previdenciária, redução da participação do fundo público para atender os trabalhadores, como forma preventiva de criar um “consenso” entre a população brasileira de que dias piores virão; portanto, devem desde já se conformar e não agirem como os “vândalos” do hemisfério norte.

Desta forma, a ação política fica, aparentemente, enclausurada entre políticas que aprofundam a barbárie ou políticas reformistas para “melhorar” o capitalismo. Nós não cremos nesta dicotomia, são dois lados de uma mesma moeda e falaciosa. O capitalismo não tem mais nenhuma contribuição a dar à humanidade e nem concessões a fazer ao proletariado. Portanto, o enfrentamento desta crise é o próprio enfrentamento do capitalismo, a luta política que devemos enfrentar é a luta anticapitalista com a maior urgência. Em todo o mundo, os trabalhadores devem se organizar e mobilizar suas ações na perspectiva de, corajosamente, apresentar sua força na luta contra o capitalismo e a barbárie produzida pelo sistema. Cada vez mais ações radicais são necessárias, superando a ilusão de que meras reformas institucionais ou que a luta exclusivamente parlamentar ou restrita ao campo sindical levarão a um novo e melhor patamar de vida. É preciso fazer avançar a luta pela construção da sociedade socialista, no rumo do comunismo.

Ousar lutar, ousar vencer!

Setembro de 2011.

Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB)


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Democracia, Comunismo e Humanidade




Lincoln de Abreu Penna

Se a humanidade tivesse que ter uma representação partidária global esta representação seria necessariamente comunista. Os partidos são representações de contingentes sociais que expressam a opinião e os anseios de uma dada coletividade, seja uma classe social ou um segmento vinculado ao mundo do trabalho ou do capital, na diversidade que ambos organizam essa relação. Portanto, são partes de uma totalidade social. É claro que todos os partidos pretendem atrair o maior número de aderentes para que consiga sensibilizar o maior número possível de cidadãos.

Contudo, há pleitos que são comuns, geralmente desejos e necessidades que nem sempre os poderes públicos atendem adequadamente, e existem os pleitos universais. Estes são aqueles que têm a ver com a humanidade, independentemente de classes, nações, estados, ou outras formas de divisão do conjunto dos cidadãos no mundo. E essa ideologia de unidade comum, de realização inclusiva a atender as aspirações mais genuínas do ser humano, só o comunismo pode e tem legitimidade de representar, pelo simples fato de que o comunismo é a manifestação mais genuína da humanidade. Seu objetivo é o reencontro de uma comunidade irmanada e sem distinções de classe, uma vez que a exploração do homem sobre o homem inexistia.

O objetivo estratégico de um partido comunista é a instauração da sociedade da igualdade global. Este é o sentido da globalização para os comunistas. E a sua tática deve consistir no aprofundamento permanente, constante, da democracia como um bem universal, pois só os comunistas podem ser conseqüentes nesse sentido. Por isso que, a democracia só pode se realizar em sua plenitude no comunismo. No capitalismo a democracia não é nada mais que um engodo, porque ela se limita apenas ao funcionamento de instituições fundadas numa representação responsável pela ordenação de interesses supostamente comuns.

Assim, proclamar a democracia em sua essencialidade é contribuir para o agravamento das contradições entre capitalismo e democracia, cuja coexistência é imprópria para o capitalismo e deforma a democracia. Qualificar o sentido da democracia, como uma prática que deve incorporar a todos, que deve questionar a tudo que provêm dos poderes instituídos, e exercer a democracia em todos os espaços nos quais a cidadania esteja minimamente organizada, eis as tarefas essenciais dos comunistas. E a difusão desse comportamento, presente em todos os espaços caracteriza nos tempos atuais o que historicamente o movimento comunista define como internacionalismo proletário. Já agora não mais apenas para definir o papel dirigente do proletariado com vistas à construção do socialismo, como etapa necessária à edificação do comunismo, mas para situar a presença dos que produzem em todas as esferas os mecanismos da transformação, nos diversos universos de trabalho manual e intelectual de uma humanidade.científica e tecnologicamente apta a definir os seus rumos verdadeiramente libertários.

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Veja a Página do PCB – www.pcb.org.br

Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922




Aos que ousam lutar! - Por: Antônio Ozaí

“Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam por anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis.”
Bertolt Brecht

Ocupação Manuel Gutierrez 25/08/11 - UEM (Foto: Andressa Modolo)

Eles ocuparam o prédio da reitoria da Universidade Estadual de Maringá em 25.08.2011 e saíram nesta sexta-feira, dia 02 de setembro de 2011. Nestes dias, muito se falou deles. Nas salas dos professores, salas de aulas e corredores da UEM; nas residências, ruas, ônibus, igrejas, shoppings e comércio de Maringá e região; na mídia local e estadual; nos blogs, facebook, etc. Em todos os lugares, eles dividiram opiniões!

Muitos os criticaram, alguns mais exaltados clamaram por repressão. “Baderneiros”, “maconheiros”, “vagabundos”, “vândalos” e outros epítetos foram lançados à face. Ironizaram a pauta de reivindicação, reduzindo-a um ou outro item. Outros críticos, quiçá moderados, quem sabe constrangidos, direcionavam suas farpas aos meios de luta utilizados e ao reiterado argumento da “partidarização” do movimento. O velho discurso da ordem foi brandido, sem a mínima análise crítica do significado desta. O clamor pela restauração da ordem tornou-se histeria na medida em que os dias passavam e os estudantes ousavam ainda mais.

A ousadia dos estudantes forçou o corpo docente a romper o marasmo e a indiferença. Pressionados pelas circunstâncias, muitos tiveram que se posicionar. Nas salas de aula, no campus, a violência simbólica assumiu ares de retórica democrática e o poder professoral revelou-se um fator inibidor do apoio e participação ativa dos alunos no movimento. Posicionar-se é um direito democrático. Não é isto que se questiona, mas sim o agir professoral, ou seja, se o(a) professor(a) exorbita em sua autoridade. Afinal, em sala de aula a relação é de poder!

Não obstante, o Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” conquistou o apoio ativo de muitos docentes e técnicos – ainda que sejam minoria no campus. O apoio de sindicatos, associações representativas e outras instituições maringaenses também foi importante.

Juliana Ozaí da Silva e a turma do curso de Pedagogia (30.08.2011)

Os estudantes resistiram e deram uma lição de política, de democracia. Eles souberam superar as divergências internas, próprias de um movimento politicamente pluralista, pela prática democrática da autogestão. Organizaram-se em comissões, sem hierarquizações e com a assembléia estudantil como órgão máximo de debate e decisão, a qual todos estavam submetidos, inclusive e principalmente os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) – Gestão Movimente-se UEM. Eles construíram na prática a unidade que as forças de esquerdas neste país têm se mostrado incapaz de consolidar.

A ironia é que a práxis democrática estudantil teve como locus o símbolo do que em tese representa a comunidade acadêmica, o Conselho Universitário (COU). Foi na sala de reuniões do COU que os estudantes debateram e decidiram os rumos do movimento. De fato, o COU expressa o poder docente (a eleição para os seus membros desconsidera até mesmo o critério da paridade).

Os acadêmicos deram uma demonstração de responsabilidade. Cuidaram do patrimônio público de forma exemplar. Oxalá, todos tivéssemos a mesma consciência em relação àres publica! Eles navegaram na contracorrente de uma certa prática privatista que vê o bem público como se fosse uma dádiva governamental a ser apropriada privadamente, por vias tortuosas ou mesmo sob o verniz burocrático-legal.

Outra lição dos estudantes foi a superação do individualismo. Estamos tão absortos em nossos projetos pessoais, concorrência por editais, cargos burocráticos, etc., que perdemos a dimensão social do nosso trabalho, do que significa ser intelectual, do compromisso da universidade pública com a comunidade e a realidade social que a circunda. Eles agiram por demandas coletivas. As conquistas do movimento contribuem inclusive com o trabalho docente e serão usufruídas pelos futuros estudantes. Eles constroem uma universidade de qualidade de fato

Os espíritos conservadores – às vezes travestidos de liberais ou até mesmo com retórica marxista – horrorizam-se diante da ação real e concreta dos que não apenas estudam a história, mas ousam fazê-la; dos que não se limitam a memorizar textos, conceitos e teorias, mas aceitam o desafio de aprender com a prática e, assim, superar seus próprios mestres. As atitudes dos jovens estudantes desafiam-nos a repensar a nossa práxis docente e a observar com maior acuidade as incoerências existentes entre o discurso e a prática.

Foto: Antonio Ozaí da Silva (30.08.2011)

Todavia, talvez a maior lição dos estudantes seja o ousar lutar. A luta é uma escola de política por excelência. Os que lutaram no passado, mas se acomodaram à mesmice ou se encastelam em cargos burocráticos, talvez possam aprender algo. De qualquer forma, o aprendizado que a luta proporciona aos diretamente envolvidos têm efeitos positivos. A direção aperfeiçoou seu aprendizado político. Pedagogicamente, talvez o mais importante tenha sido a educação política das dezenas de jovens, mulheres e homens, que viveram a experiência da luta concreta. Cresceram intelectual e politicamente, tornando-se seres humanos mais conscientes e críticos. Há quem prefira que os estudantes se restrinjam a estudar e tirar nota – este modelo favorece os mais adaptados. No fundo, porque é cômodo, pois acadêmicos politizados e conscientes dos seus direitos desafiam o poder burocrático e professoral.

Ainda há muito a fazer! É preciso, por exemplo, democratizar pra valer não apenas o COU, mas também o espaço da sala de aula. No entanto, os acadêmicos do Movimento de Ocupação da Reitoria “Manuel Gutierrez” deram passos importantes e foram vitoriosos em seus objetivos. Deram-nos lições e estão de parabéns. Nós, professores, podemos nos orgulhar deles e delas!


Originalmente publicado em: http://antoniozai.wordpress.com/2011/09/03/aos-que-ousam-lutar/