terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Cuba: Um povo culto é um povo livre - Por: Por Otávio Dutra*




Uma pitada de poesia é suficiente para perfumar um século inteiro (José Marti)

De 09 a 19 de fevereiro a capital dos cubanos e das cubanas se perfumou de poesia, de conto, de ciência e ficção.

O mundo tornou-se pequeno para as letras e a imaginação desse rebelde povo. Quando nos referimos ao número de visitantes da 21° Feira Internacional do Livro de Cuba não nos basta falar de milhares, mas sim de milhões de cubanos e latino-americanos que participaram desta festa de cultura e conhecimento. Os livros nas mãos do povo, vendidos a modestos preços, também ultrapassam as cifras milionárias, em um país com pouco mais de 11 milhões de habitantes. Crianças conduzidas por seus pais e professores transformam cultura em brincadeira, e seus olhos brilham nas salas de leitura infantis; sua imaginação aflora com cada nova estória. Cada uma das crianças cubanas ganhou um livro infantil a sua escolha.

Os caminhos do histórico Forte de La Havana, que por séculos serviram aos canhões dos dominadores (espanhóis ou estadunidenses), hoje conduzem todo um povo para o único caminho de liberdade: a cultura e o conhecimento. É dessa forma que a revolução cubana muniu seu povo com a mais eficaz arma contra a opressão e a dominação, os livros. Nenhuma outra arma poderia manter e revigorar permanentemente as mais de cinco décadas de construção socialista, décadas de ataques imperialistas incessantes, mas principalmente de criatividade e unidade de um povo que jurou jamais voltar a viver de joelhos. Um povo culto não se submete a ser enganado ou dominado.

Talvez seja este o grande segredo da revolução cubana, que ousou manter seus princípios quando o bloco socialista ruiu com as contra-revoluções dos 80 e 90. Desde a campanha nacional de alfabetização – uma das primeiras medidas revolucionárias – os livros não mais abandonaram a cabeceira dos cubanos e das cubanas. A partir de então, ainda que pobre e bloqueada política e economicamente pelo maior império que a humanidade já conheceu, Cuba transformou-se numa potência científica e no maior pólo de cultura da América Latina, ultrapassando as fronteiras impostas aos povos para levar letras e ações de emancipação ao mundo. Hoje é um dos países do planeta com o maior número de escritores e escritoras registrados per capita, número inigualável nas Américas, e omitido pelos meios de comunicação hegemônicos.

Dessa forma seguem seu caminho os cubanos e as cubanas, com as estantes carregadas de livros nacionais e internacionais, com os punhos preparados para lutar pelo mundo sonhado desde as primeiras revoluções populares, com a convicção científica de que é possível construir uma sociedade de riqueza coletiva e oportunidades iguais, com as mentes cheias de criatividade e com os corações transbordando solidariedade e amor aos oprimidos do mundo.

* Otávio Dutra é estudante da Escola Latino Americana de Medicina em Havana e militante da base Paulo Petry da UJC e do PCB.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A privataria petista - Por: Paulo Schueler*




Está para ser escrito o livro que relata as privatizações durante os governos do PT, elevadas a patamar superior com a concessão de aeroportos.

É recente a publicação do livro A privataria tucana, que desmascara os interesses e negociatas por detrás das privatizações que tornam a "biografia" do PSDB e de alguns de seus principais próceres numa ficha corrida de banditismo deslavado.

Sua publicação, aliás, demarcou mais uma vez campos anteriormente estabelecidos: foi amplamente ignorada pelos principais veículos de imprensa do país - aliados ideológicos do modus operandi e da visão de mundo do grão-tucanato, e divulgado com o fervor dos evangelizadores pela parcela da mídia, principalmente virtual, ligada aos interesses e defensora dos governos petistas.

A posterioridade deverá trazer o segundo capítulo dessa história, envolvendo outros canastrões como atores, o PT à frente. É o que podemos depreender do leilão dos 3 principais aeroportos do país, ocorrido na última terça-feira. Realizada em meio ao pregão da Bovespa, a operação dos vendilhões da pátria eleva a novo patamar o entreguismo de PT e aliados.

O PT, durante os dois mandatos de Lula, foi responsável pela privatização de cerca de 2,6 mil quilômetros de rodovias federais, para exploração do grupo espanhol OHL por 25 anos. Também foi responsável pela concessão, por 30 anos, de 720 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul. A vencedora foi a Vale. O PT privatizou os bancos do Estado do Ceará e do Estado do Maranhão. O PT privatizou ainda as hidrelétricas Santo Antônio e Jirau. Aliás, este é o segundo leilão de aeroportos protagonizado pelo PT: o povo brasileiro já havia perdido o controle do terminal de São Gonçalo do Amarante (RN), em agosto de 2011.

Mais que isso, o PT - sob gerenciamento do PCdoB na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) - privatizou algumas vezes as reservas petrolíferas do país, para empresas nacionais e estrangeiras, e em alguns casos essa privatização foi direcionada a um vencedor, como pode demonstrar a recente descoberta de óleo em área da empresa de extração do milionário preferido do Planalto, Eike Batista.

É o que você acaba de ler: assim como no governo tucano, as privatizações petistas precisam beneficiar os amigos da corte. Não é por outro motivo que a economista Elena Landau, que comandou a Diretoria de Privatizações do BNDES entre 1993 e 1994, foi "fonte" do jornal Valor Econômico para elogiar a participação do banco e dos fundos de pensão no processo dos aeroportos.

O BNDES financiará em 80 % dos recursos dos investimentos totais previstos e até 90% dos itens financiáveis, com juros baixos, a entrega do controle dos três terminais que respondem por 30% do fluxo de passageiros e 57% da carga movimentada ao capital privado.

E a doação do patrimônio público será feita com prazo de 180 meses (para as vencedoras de Guarulhos e Campinas) e de 240 meses (para Viracopos). Apressado para dar satisfação aos interesses por detrás do negócio, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, esteve na Bovespa, considerou o leilão um "sucesso" e disse que o banco está preparado para "auxiliar" os consórcios vencedores.

Se há tantas benesses para o setor privado, em momento de expansão do setor, por que não fazê-lo para a Infraero, reconhecida internacionalmente pela sua competência na operação da infraestrutura aeroportuária? Aliás, 85% dos aeroportos em todo o mundo são públicos, inclusive nos EUA. O que leva o presidente da estatal, Gustavo do Vale, mesmo com a participação de 49% garantida nos 3 aeroportos, a declarar que a empresa "não vai interferir na administração. Vai ser um sócio parceiro"?

Uma dessas "parcerias", aliás, é de longa data dos petistas. E é através dela que A privataria petista será escrita, quando o for: são os três maiores fundos de pensão do país, comandados por... petistas!

Senão, vejamos: o consórcio Invepar Investimentos e Participações e Infraestrutura, vencedor do leilão por Guarulhos (com participação de 90%, os outros 10% são da operadora Airport Company South Africa), tem 82,7% de seu capital controlado pelos fundos de pensão Previ, Petros e Funbcef. A OAS, braço privado da Invepar, tem apenas 17,67% do capital.

Finalizando de forma clara: o BNDES vai bancar a aquisição do principal aeroporto do país para os "capitalistas sem capital" que são filiados ao PT. Vale ou não vale um livro?

* Membro do Comitê Central do PCB

sábado, 4 de fevereiro de 2012

PCB participa de ato nacional em solidariedade ao Pinheirinho


Cerca de cinco mil pessoas participaram neste dia 2 de abril do ato nacional em solidariedade à comunidade de Pinheirinho, assentamento de sem teto composto por 1.600 famílias na cidade de são José dos Campos, em São Paulo. O assentamento foi invadido no mês passado pela Polícia Militar do governo Alckmin e todos os moradores foram desalojados brutalmente, tendo suas casas sido destruídas num verdadeiro ato de guerra contra a população.

O ato nacional contou com a participação unitária de quatro centrais sindicais, a Conlutas, as duas intersindicais, o MST, a CUT, o MTST, centenas de sindicatos e movimentos sociais e populares de vários Estados do Brasil, além de partidos políticos, como o PSTU, o PCB, o PSOL e o PT, delegações internacionais e outras organizações de esquerda e revolucionárias do país. Durante o ato foram lidas ainda mensagem de várias organizações sindicais e populares do Brasil e do exterior, além de organizações de solidariedade de vários países.

A manifestação começou com uma concentração na Praça Afonso Pena, quando falaram aos manifestantes as várias organizações do movimento popular. Depois os manifestantes seguiram por quatro quilômetros em passeata, cantando palavras de ordem contra a repressão e de solidariedade aos moradores de Pinheirinho, tais como “Quem luta, não está sozinho, somos todos Pinheirinho”.

Posteriormente, os manifestantes se concentraram em frente à prefeitura Municipal de São José dos Campos, onde falaram as organizações nacionais, como a Conlutas, as duas Intersindicais, Unidos Prá Lutar, representante dos moradores de Pinheirinho e os partidos políticos como o PSTU, o PCB, o PSOL e o PT. Representado no ato por uma delegação de companheiros, falou no ato em nome do PCB o camarada Edmilson Costa, membro da Comissão Política do Comitê Central, que afirmou que a repressão pode ter destruído as casas dos moradores, mas não destruiu a solidariedade e a resistência dos trabalhadores.

“Prova disso é este ato unitário está reunindo operários, camponeses, os movimentos sociais e os partidos de esquerda”.

O ato nacional significou um importante momento de unidade de ação das forças do movimento popular e dos partidos de esquerda e indicou concretamente que somente a unidade do bloco de forças populares e revolucionárias é capaz de derrotar as forças conservadoras e o capital no Brasil.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os sonhos dos revolucionários não envelhecem

Ser moderno é ser revolucionário

Venha construir a UJC

É um trágico erro separar a classe burguesa em “nacional” e “estrangeira”... - Por: Elisseos Vagenas

É um trágico erro separar a classe burguesa em “nacional” e “estrangeira”. É igualmente perigoso e equivocado escolher apoiar uma união imperialista ou outra.

A posição dos comunistas contra toda união imperialista é um critério fundamental

Elisseos Vagenas – Membro do Comitê Central do Partido Comunista Grego (KKE), responsável da Seção de Relações Internacionais do CC

"Desgraçadamente, estas análises não são apoiadas apenas pelas forças burguesas, mas também partidos caracterizados como “de esquerda” e, inclusive, comunistas,como o PC do Brasil (enquanto as uniões nas regiões da América Latina) ou o PC da Federação Russa (na denominada região da Eurásia)".

(Publicado em “Rizospastis” em 15 de janeiro de 2012)

A crise capitalista global, consequência da contradição básica do sistema capitalista, conduz a um maior aprofundamento das contradições interimperialistas e à aparição de novas e poderosas potências imperialistas. Estas potências tratam de formar novas uniões interestatais com múltiplos objetivos: o fortalecimento de sua posição frente a seus rivais globais, o controle das matérias primas, a energia, as rotas de transporte de energia, o controle de esferas de mercado para favorecer seus monopólios, assim como uma maior exploração da classe trabalhadora e o reforço do poder burguês em todos os países, utilizando as “ferramentas” que provêem das uniões interestatais imperialistas.

Assim, assistimos, junto a nossas “bem conhecidas” uniões, como a UE, que surgem novas uniões no território da antiga URSS e na América Latina. Tais uniões podem ser novas, porém as “raízes” de sua criação não são outras que as assinaladas nas obras de Lênin: que na época do imperialismo, fase final do capitalismo, são formadas uniões internacionais de capitalistas que repartem o mundo.

Uma tentativa de mascarar as intenções

Certas forças estão levando a cabo uma tentativa de “mascarar” este objetivo das classes burguesas dessas regiões, em nome da formação de um “mundo multipolar”. Segundo este ponto de vista, é positivo para os povos que surjam outros “pólos” fortes no cenário internacional, além dos EUA e da UE. Como argumento adicional, é citado o período de existência da URSS, que operava como um “contrapeso”.

Ao mesmo tempo, a tentativa de “mascarar” as novas uniões interestatais afirma que estas uniões aparecem para ajudar ao “capital nacional” contra o denominado capital “comprador submetido aos estrangeiros”, reforçando assim “o desenvolvimento”, impedindo a penetração dos EUA e de outras organizações imperialistas, como a OTAN e a UE, nestas regiões e, inclusive, salvaguardando a “soberania nacional”, que de outra forma estaria ameaçada pelo imperialismo internacional.

Desgraçadamente, estas análises não são apoiadas apenas pelas forças burguesas, mas também partidos caracterizados como “de esquerda” e, inclusive, comunistas, como o PC do Brasil(enquanto as uniões nas regiões da América Latina) ou o PC da Federação Russa (na denominada região da Eurásia).

O que está sendo esquecido

Não obstante, estes partidos se esquecem de observar o assunto sob a perspectiva de classe. Se eles não tivessem esquecido, teriam observado que a União Soviética não se parecia com estas novas uniões interestatais. Atualmente, nós enfrentamos as uniões que estão construídas sobre o terreno do capitalismo monopolista, do imperialismo. Além disso, o imperialismo não deve ser entendido de maneira simplista, como uma política agressiva das potências mais fortes que vem impor-se aos povos, de fora para dentro, com o poder do dinheiro e das armas. Nas condições atuais, todo país em que prevaleçam as relações de produção capitalistas, independentemente do nível do desenvolvimento de suas forças produtivas, se incorpora ao sistema imperialista internacional, sendo uma seção do mesmo.

Então, se analizarmos o processo de formação de novas uniões interestatais, que estão sendo criadas na Eurásia ou na América Latina, com um enfoque de classe, veremos que estas não estão se formando para servir aos interesses dos povos, mas para promover os interesses do capital de países concretos e de seus monopólios.

Por exemplo, o Brasil, onde o capital está vendo hoje um importante crescimento de sua rentabilidade, opera como “motor” nas novas uniões interestatais que estão sendo criadas na América Latina. A atividade econômica e diplomática do estado brasileiro tem o objetivo de converter o Brasil num forte competidor capitalista no marco da “pirâmide” imperialista. Já em alguns mercados da América Latina são predominantes as empresas multinacionais brasileiras, que gozam de financiamento público. A Rússia opera de forma similar, assim como os monopólios russos, no território da antiga URSS.

Com a formação de novas uniões interestatais, que constituem expressões de unificação capitalista regional e sempre surgem sobre a base das leis da economia de mercado, as classes burguesas tratam de unir suas forças contra seus rivais e às custas da classe trabalhadora. A política de apoio a estas uniões transforma o movimento comunista e operário numa ferramenta de apoio ao “desenvolvimento” capitalista, o que fortalece as posições do capital e leva os trabalhadores à “câmara de tortura”, ao consenso social favorável ao investimento da “competitividade” da “economia nacional” e ao fortalecimento da união interestatal imperialista específica.

Por outro lado, o “mundo multipolar” não é realmente mais pacífico e seguro para os povos, já que é um mundo de duras e predadoras alianças e conflitos imperialistas, que se fundamentam em todas as formas possíveis: econômicas, políticas, diplomáticas, espionagem, militar, etc.

Tal enfoque de apoio às novas uniões imperialistas poderia ser catastrófico para o movimento comunista, já que deixaria ao povo a incumbência de escolher entre imperialistas. Poderia levar a posições e ações que o deixariam exposto.

Não a toda união imperialista

Não há dúvida de que todas as potências imperialistas e, sobretudo, os EUA e a UE, obstaculizam o surgimento e funcionamento de outras uniões imperialistas, posto que ambos operam conforme seus interesses. Além disso, sabe-se que as potências imperialistas têm mecanismos muito diversos de intervenção, desde os meios de comunicação eletrônica às ONG’s, até “institutos de investigação”, aos quais dão dinheiro para que influam e corrompam as consciências, etc. Existem informações específicas sobre o papel jogado por uma série de agências imperialistas no treinamento de forças que estiveram ativas na denominada primavera árabe e/ ou estariam ativas agora na Síria.

Está claro que não podemos ignorar os interesses e planos de cada potência imperialista em distintas regiões e em distintos momentos. A luta contra os planos imperialistas deve fortalecer-se em todos os lugares. Não obstante, nós comunistas cairemos em trágicos erros e adotaremos posições inaceitáveis se substituirmos o enfoque de classe para analisar os acontecimentos por teorias não classistas, supostamente “geopolíticas”, que exijam a escolha do lado imperialista, ocultando a contradição básica entre capital e trabalho, que é a mesma em todos os países capitalistas.

Por isso, é um erro separar a classe burguesa em “nacional” e “estrangeira”. É igualmente perigoso e equivocado escolher apoiar uma união imperialista ou outra. Os movimentos comunista e operário devem ter um posicionamento claro de oposição a toda união imperialista, lutando pela saída de nossos países dos planos e das uniões imperialistas, com o simultâneo derrocamento do sistema capitalista que as cria.

Tradução: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Pinheirinho, novo patamar do "higienismo" fascista em São Paulo

(Entrevista com militantes do PCB que participaram ativamente da solidariedade à comunidade do Pinheirinho)
28 de janeiro 2012
Um discurso fascista e higienista, utilizado em ações como a da Cracolândia e que pode estar por detrás de vários incêndios ocorridos nos últimos tempos nas favelas de São Paulo, novamente veio a tona na ação da PM de São Paulo no Pinheirinho, em São José dos Campos: a desocupação do terreno, além de legal, serviria para melhorar as condições de segurança na cidade.
Assim o membro do Comitê Central e Secretário de Organização do PCB em São Paulo, Wagner Farias, identifica o que nas palavras dele é "um novo modelo de tratamento" da direita aos problemas sociais do país. Ao lado dos moradores desalojados desde domingo, Wagner ajudou na organização de uma caravana de médicos ao local para prestar atendimento aos desalojados, que contou com a participação do militante comunista Klaus Nunes Ficher.
Nesta entrevista ao Portal do PCB, os dois avaliam a situação.
PCB - Como o partido se organizou para estar presente?
WAGNER - No domingo, tivemos a notícia da invasão da PM por volta das 11 h da manhã. No sábado, tudo indicava que não haveria a reintegração de posse. Quando soube, os relatos eram de que havia muitos mortos e feridos, então precisávamos deslocar o maior número possível de pessoas para lá para evitar uma carnificina. Tomei a decisão de me deslocar e, no caminho para São José dos Campos, começar a montar nossa atuação. De lá, dentro do Pinheirinho, não tive contato com todos os camaradas, devido ao cerco da Polícia Militar. Sei que estiveram lá o Rockeiro, a Lais Branco, o Klaus, o Ernesto Pichler, além do Milton Pinheiro e da Sofia Manzano.
PCB - É verdade que os desalojados estão usando fitas de identificação? Por que?
WAGNER - Sim, os moradores foram separados em quatro alojamentos e para conseguirem se locomover e voltar ao acampamento precisam ser identificadas por fitas em seus pulsos, que foram impostas pela Prefeitura de São José dos Campos. Mas as pessoas estão começando a arrancar essas fitas dos pulsos, pois alguns moradores já foram agredidos nas ruas, inclusive pela Polícia Militar, porque viraram alvos, devido às fitas.
PCB - E isso cria dificuldade para quem está aí, como o PCB, para prestar solidariedade?
WAGNER - Todas. Eu e todos que prestamos solidariedade estamos no Centro Poliesportivo do Morumbi, e nós dos movimentos de solidariedade não conseguimos entrar nos três outros alojamentos. Muitos moradores estão no Colégio Caíque, e sabemos que em péssimas condições, ainda piores que as daqui.
PCB - Quais são os alojamentos?
WAGNER - São o alojamento da Escola do Latão, o Colégio Caique, no bairro Dom Pedro; o Centro Esportivo do Vale do Sol e o Centro Poliesportivo do Morumbi, onde estamos. Mas a Prefeitura de São José dos Campos já quer separar as famílias que estão no Morumbi, levando algumas para o Colégio Limoeiro.
PCB - A tática deles então é dividir as pessoas...
WAGNER - Sem dúvidas. Aqui a prefeitura é do PSDB e deve estar recebendo orientação do alto tucanato. Eles querem dividir para desarticular o povo do Pinheirinho. E isso sob uma presença ostensiva da Guarda Civil Municipal no entorno dos acampamentos, com sinal de celular que desaparece, sites e blogs que desaparecem...
PCB - A direita se preparou mesmo para essa invasão?
WAGNER - Eles parecem querer criar um modelo de tratamento para todas as outras ocupações Brasil afora, assim como a UPP do Rio de Janeiro virou bandeira eleitoral por todo o país. Não conseguimos nem nos comunicar, o Yahoo está bloqueando meus e-mails, não consigo enviar mensagens daqui. O Twitter censurou, tudo isso muito rápido.
PCB - Quais os próximos passos?
WAGNER - Nossa principal tarefa aqui é publicizar o massacre e tentar sensibilizar a opinião pública. Nesta semana, a militância do PCB e de outras organizações fizeram panfletagens em São Paulo, nas estações do Metrô. Estivemos presentes no Ato da Praça da Sé, o convescote que reuniu Dilma, Alckmin e Kassab. Aqui em São José dos Campos, estamos articulados em apoio e com aceitação do movimento dos moradores. Estamos ao lado da CST e do C-Sol, Sindicato dos Metalúrgicos daqui, Unidos para Lutar, PSTU. Há intensa solidariedade entre as correntes políticas, independente das diferenças de formulação. Queremos tornar as condições para os desalojados mais dignas.
PCB - E o PT, deu as caras?
WAGNER - O PT não apareceu aqui enquanto partido. Há boatos de que há um acordo à beira de ser formalizado entre a Prefeitura do PSDB e o Governo Federal, através do Minha Casa Minha Vida, para a compra do terreno do Pinheirinho. Mas o Governo Federal diz que só fará isso com concordância do Governo estadual. Estão jogando o problema para o PSDB para depois dizerem: nada pudemos fazer porque o governo paulista não aceitou o acordo. É politicagem das mais absurdas.
PCB - E s desalojados, vão para onde?
WAGNER - A Prefeitura diz que vai oferecer uma bolsa aluguel, que seria de cerca de R$ 500 por família. Mas é algo parecido com o que ocorreu antes da PM invadir o local; jogam esses boatos para desmobilizar e dividir os moradores. Mas eles estão radicalizados, as pessoas adoecidas não querem nem ser transportadas nas ambulâncias da Prefeitura porque não confiam. O serviço de Assistência Social da Prefeitura apareceu aqui sabe para que? Para oferecer aos moradores passagens de ônibus para suas áreas de origem. Tem gente de outros estados que está aqui há mais de 10 anos...
PCB - E o que eles pretendem fazer?
WAGNER - Nesse sábado, às 18 horas, haverá uma assembléia dos moradores, com pessoas dos 4 acampamentos, no "Campão". Estaremos presentes. Queremos denunciar a "limpeza" social que pretendem fazer em São José dos Campos, as pessoas estão sem casa e muitos foram demitidos de seus trabalhos sob a justificativa de que faltaram ao trabalho. As pessoas estão sendo empurradas para a criminalidade.
PCB - Soubemos que foi montada uma brigada de profissionais da área de saúde...
WAGNER - Essa brigada de saúde chegou com seis médicos. No final de semana, virão mais. As pessoas não tiveram tempo de retirar seus pertences. Então temos pessoas que não conseguiram pegar seus remédios e receitas. Diabéticos e hipertensos, gente ferida sem antibióticos. De início, os serviços de saúde da Prefeitura estavam negando atendimento para a população; só começaram a fazê-lo sob a imposição da Defensoria Pública Estadual, que veio aqui. Temos gestantes sem acompanhamento, crianças com desidratação. muita gente com febre e infecções. Nas primeiras horas, quem garantiu atendimento médico foram dois médicos voluntários.
KLAUS - Essa brigada foi composta por mim, 2 médicos e 1 estudante de medicina do PSTU e mais 4 médicos e um psicólogo sem filiação partidária. Estamos articulando com enfermeiros e psicólogos, alguns do PSOL.
PCB - E como vocês chegaram ao local?
KLAUS - A delegação saiu de São Paulo depois de participar do ato público no centro da cidade, contra a ação da PM no Pinheirinho e na Cracolândia. Só tivemos contato com a população que está no Ginásio do Jardim Morumbi. A assistência social da cidade impede o acesso a diversas informações.
PCB - Qual o quadro ali?
KLAUS - Os problemas de saúde são muitos e vão desde o saneamento básico até a atenção profissional em saúde propriamente dita. No momento em que chegamos ao alojamento, na tarde de quarta-feira, a população estava com pouca água para beber (em uma quadra poliesportiva que se transformou em uma grande estufa) e não havia água para os banheiros, que só chegou mais tarde em um caminhão pipa.
Há gente com escoriações no alojamento e precisam de um tratamento adequado para dor. Além dos doentes crônicos, como o Wagner já comentou, que saíram de suas casas sem a medicação de uso contínuo e não conseguiram resgatar nem a receita. Muitas crianças estão com infecções respiratórias e diarréia.
PCB - Esse coletivo de saúde planejou alguma ação de curto prazo?
KLAUS - No curto prazo, a proposta é realizar uma grande triagem ambulatorial dos desalojados nos próximos dias, tentando esmiuçar os problemas de saúde e resolver os problemas imediatos, como renovar uma receita médica de anti-hipertensivos, por exemplo, para que a população volte a ter a possibilidade de retirá-los na rede pública. Essa ação deve se concentrar, sobretudo, no próximo final de semana, quando poderemos contar com um maior efetivo de profissionais de saúde que se solidarizaram com a situação dos moradores do Pinheirinho e se prontificaram em ajudar.

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Veja a Página do PCB – www.pcb.org.br

Partido Comunista Brasileiro – Fundado em 25 de Março de 1922




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um outro mundo é possível... e necessário: O Socialismo!!!

“Na luta de classes

todas as armas são boas

pedras

noites

poemas”

Paulo Leminski


A União da Juventude Comunista (UJC), Juventude do Partido Comunista Brasileiro (PCB) saúda os participantes do Fórum Social Mundial Temático 2012 e propõe debates necessários na construção de mudanças estruturais na sociedade vigente.

Mais uma vez, o Brasil se torna centro de diversos movimentos, entidades e partidos do campo popular de todo o mundo. Estudantes, trabalhadores urbanos e do campo, sem terras, indígenas, negros, mulheres, dentre outros, se unem em um grande evento mundial para denunciar as mazelas produzidas por aqueles que detêm o poder econômico e político.

Vivemos uma conjuntura de crise do capitalismo, porém já há algum tempo o FSM - Fórum Social Mundial deixou de lado sua artilharia contra o modo de produção vigente, ao propor como solução para os crescentes problemas sociais, econômicos e ambientais que afligem a humanidade, um pacto por um capitalismo mais humanizado e sustentável. O capitalismo, para nós Comunistas, hoje, entra em choque com as demandas mais básicas para as necessidades humanas como moradia, saúde, educação, ou seja, é impossível humanizar o capitalismo!!!

A estrutura atual do Fórum Social Mundial é descentralizada, mas quem “dá as cartas” são as ONGs e os grupos social-democratas que dirigem os espaços de organização e debate do Fórum, negando a importância de partidos e organizações revolucionárias, assim como de espaços deliberativos que confrontem a ordem. Entre avisos e faixas de que “Outro Mundo é Possível", não se permite dizer o nome deste outro mundo, nem tão pouco falar em superação do capitalismo, mas falar em igualdade, distribuição mais justa, protagonismo, tudo isso se ouve aos montes. Da Fundação Ford até o Instituto Luis Eduardo Magalhães, a ABRINQ e a ABONG todos estão comprometidos com a integração de culturas, a defesa da Amazônia e com um futuro melhor. Mas que futuro é esse? Com certeza o outro mundo possível e necessário para os trabalhadores não é o mesmo destas organizações e sujeitos que vivem da exploração do trabalho.

Porém, mesmo no clima de dispersão montado por sua organização, o Fórum pode ser válido na articulação de organizações, entidades e pessoas inseridas na luta popular anticapitalista. Para nós comunistas, as lutas pelas necessidades básicas para os trabalhadores como a luta contra as privatizações da saúde e educação, pelo direito a moradia, ao transporte público e barato, pela soberania e paz entre os povos, são lutas que entram em choque com a própria necessidade de expansão dos lucros e interesses dos capitalistas. Por isso, propomos que neste Fórum consigamos articular experiências e lutas concretas que possibilitem edificarmos uma frente política e unitária anticapitalista e anti-imperialista.

No campo da saúde, precisamos fortalecer a unidade de luta e proposição da frente nacional contra a privatização da saúde. Lutar contra a privatização da saúde também representa colocar na ordem do dia a luta por um SUS público, estatal e de alta qualidade. Para a educação, em particular nas universidades, nós da UJC destacamos a necessidade de durante o FSM pensar um projeto de universidade alternativo ao projeto do capital. O projeto hegemônico para a universidade brasileira é global e dinâmico, é nossa tarefa questioná-lo e contrapô-lo, o que exige que trabalhemos não somente a partir de ações pontuais e reativas a seus avanços, mas principalmente a partir da formulação de um projeto alternativo igualmente global. Desta forma, a discussão em torno de uma educação e universidade popular se revela muito mais do que uma oposição às reformas universitárias atuais, visto que se insere na reflexão ativa sobre um outro projeto de sociedade, a ser protagonizado por todos os setores explorados e oprimidos pela sociabilidade vigente.

O chamado à luta popular é uma tarefa árdua e deve ser tratada de maneira criativa valorizando experiências locais ligadas a um projeto global de superação do capitalismo. É neste sentido que convidamos as organizações, entidades e indivíduos a realizar e apoiar atividades paralelas que evidenciem o caráter predatório do capitalismo em crise, a luta anti-capitalista dos povos, na Grécia, em toda Europa e no Oriente, e também a lógica elitista do governo brasileiro de Dilma (PT), que se coloca a serviço da classe dominante, quando beneficia setores do agronegócio, da especulação financeira e do empresariado em detrimento dos trabalhadores.

E não nos furtamos de chamar a atenção de que a humanidade pode caminhar para dois rumos opostos: o Socialismo ou a Barbárie! Por isso afirmamos que um outro mundo é possível... e necessário: o mundo socialista!!!

União da Juventude Comunista

CIRCULAR A TODOS OS MILITANTES, SIMPATIZANTES E AMIGOS DO PCB

COMITÊ CENTRAL

90 ANOS DO PCB!

Em 25 de março de 2012, o PCB estará comemorando 90 anos de uma extraordinária história, de alegrias e tristezas.

Em função de vários períodos de clandestinidade, da repressão de ditaduras e da ação de oportunistas, dispomos em nossos arquivos de poucos documentos (livros, fotografias, áudios, vídeos, objetos e outros registros políticos, históricos e literários) que retratem a intensa vida do PCB nestes 90 anos.

Carecemos também de depoimentos escritos ou gravados, com narrativas sobre aspectos diversos da vida partidária, curiosidades, histórias inéditas, alegres ou tristes.

O Secretariado Nacional do PCB está encarregado de centralizar a recepção de todo este material espalhado pelo país. O material pode ser enviado ao PCB pessoalmente, por via postal ou eletrônica.

Com a tecnologia hoje disponível, você não precisa se desfazer do seu acervo pessoal, que certamente tanto lhe orgulha. Fotos e documentos podem ser escaneados e enviados por via eletrônica. Se o doador não tiver conhecimentos tecnológicos ou recursos materiais para a reprodução e remessa de sua contribuição, providenciaremos formas de ajudá-lo, inclusive com a interação de camaradas do PCB em sua região.

Todo este material será divulgado nos sítios eletrônicos do PCB e da Fundação Dinarco Reis, ligada ao Partido. Muitas das doações serão aproveitadas para publicações e outras iniciativas comemorativas dos 90 anos. Os doadores só serão identificados, se desejarem.

VEJAM AS FORMAS DE ENTREGA DO MATERIAL:

Por via postal:

- PCB – Partido Comunista Brasileiro

Rua da Lapa, 180 – grupo 801 – Lapa (Rio de Janeiro) – CEP 20.021-180.

Por telefone:

(021) 2262-0855 (secretária eletrônica)

Por via eletrônica:

pcb@pcb.org.br



(Secretariado Nacional do PCB), janeiro de 2012