quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Hobsbawn: lições do mestre (por ocasião do recente falecimento do eminente historiador)



Em meados dos anos noventa, Eric Hobsbawn esteve entre nós, no Brasil, para lançar seu livro A Era dos Extremos (Editora Schwarcz, 1994). Estávamos a poucos anos do fim do curto século XX, 1989, marcado pela queda do muro de Berlin. Testemunha da história que historiava o velho e bom mestre nos brindou com uma fina síntese dialética  e do que estava por vir: “Nós, socialistas, somos responsáveis por algo que não queríamos. Nós humanizamos o capitalismo quando nós queríamos destruí-lo”. Poderia haver melhor síntese do curto século XX? Não creio. A Revolução Russa que, segundo o mestre, iniciara o século abrira um período histórico de grandes esperanças e mobilizações em luta por transformações com justiça e igualdade sociais. Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, expressão de John Reed o repórter que experimentou o calor dos acontecimentos daquela Revolução, projetaram de fato em todo o século a idéia de que era possível transformar o mundo, enfim, que a Revolução estava no horizonte histórico do possível.

O fim da 2ª Guerra consagrou, inclusive no plano geopolítico, uma bipolaridade onde o socialismo mostrava sua força impondo, até mesmo fora de suas fronteiras geográficas, condições de vida que humanizaram o capitalismo. O estado de bem estar social, que a democracia européia reivindica para si é, em grande parte, o resultado da ameaça real de uma transformação socialista no território da Europa Ocidental, como bem perceberam os estrategistas estadunidenses em sua iniciativa com o Plano Marshall. Bertolucci o percebeu com seu Novecento.

Eric Hobsbawn com sua fina análise dialética não só lia o passado presente como projetava o futuro quando nos alertava, na mesma ocasião, com uma pergunta à época ousada, sobretudo diante do clima de euforia que tomava conta dos ideólogos do fim da história, então e ainda agora, certos da vitória do capitalismo diante da queda do muro. Indagava Hobsbawn: “que será da humanidade quando o capitalismo já não mais teme o socialismo?”

A pergunta hoje já não parece delírio de um velho historiador rigoroso, mas posicionado diante das questões de seu tempo. A social democracia caiu junto com o muro e os 200 anos de história de luta dos pobres contra os ricos para conquistar direitos se tornaram nos últimos 20 anos a luta dos ricos contra os pobres para acabar com os direitos. A crise européia de hoje mostra sobejamente que deixado a si mesmo o capitalismo mostra toda sua face bárbara que, para nós latino-americanos, africanos e asiáticos não é nada novo, mas o é para os europeus.

Que os indignados se inspirem na dignidade desse intelectual e se transformem numa força política capaz de humanizar o mundo, tal como ele nos ajudou com suas análises e compromisso político.

Carlos Walter Porto-Gonçalves, 63 anos,
é professor da Universidade Federal Fluminense

sábado, 29 de setembro de 2012

PCB de Foz do Iguaçu em campanha eleitoral vitoriosa

O camarada do PCB de Foz do Iguaçu, Claudio Siqueira, vem sendo na atual campanha eleitoral para a Câmarada de Vereadores a cara e a voz de uma campanha vitoriosa. A camapanha Outra Foz é possível é vitoriosa no sentido da reconstrução Revolucionária do PCB. Mesmo que não seja eleito, pois a campanha é de baixo custo e dispõe de poucos recursos, o camarada vem trazendo à tona uma série de denúncias de questões que a cidade de Foz desconhecia, são problemas sobre os quais não se falava. Geralmente a cidade famosa pelas belezas naturais é lembrada por ser o local das Cataratas do Iguaçu e da Usina de Itaipu, mas é também uma das mais violentas cidades do país. Localizada em local estratégico, na Tríplice Fronteira, Foz é rota do tráfico, como o de drogas, e uma das principais bases do crime organizado no país. No entanto não compreendemos os paradoxos que envolvem Foz se não entendemos também as contradições do sistema capitalista. O capitalismo produz riquezas, mas sempre tendo como seu corolário a miséria, a pobreza, a desigualdade e a injustiça sociais - todos esses aspectos não são mais do que frutos da exploração capitalista. Sem usar os artifícios das campanhas milionárias do partidos da ordem, a campanha do PCB de Foz tem se mostrado vitoriosa pelo fato de ser independente e de ter no horizonte o futuro socialista e a libertação da classe trabalhadora. Assista a seguir o video e confira você mesmo. 




Assista mais videos no canal Outra Foz é possível no Youtube, clique aqui.


A Reorganização Revolucionária do PCB (Ivan Pinheiro - Mesa 90 anos do PCB)


Lênin


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Fomos, somos e seremos comunitas porque nossos sonhos jamais envelhecem!


A Luta de Classes se Acirra no Brasil

A UJC deve ser protagonista da luta da juventude e da classe trabalhadora contra o capital!!
A Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista – Brasil, reunida entre os dias 7 e 9 de setembro em São Paulo, debateu a atual conjuntura nacional, identificando claramente a intensificação da contradição fundamental de nossa sociedade: a relação capital x trabalho. Entendemos que o momento de crescimento da UJC – fruto do acerto da linha política do PCB e da UJC – deve pautar suas ações no enraizamento nos movimentos sociais, sindicais e juvenis.
O recente período de greve de inúmeras categorias de trabalhadores, as diversificadas manifestações estudantis como a do passe livre, por mais espaços de cultura, pela expansão e melhoria da educação pública, pela retirada da PM de diversas universidades, dentre outras, apontam-nos os constantes ataques e perdas de direitos que a classe trabalhadora e a juventude vem sofrendo por parte das forças do capital. Contudo, todas estas ações, precisam ser vinculadas a um projeto de sociedade e de entendimento de mundo que rompa com a essência real do problema, para que sejam potencializadas. Para tanto, a UJC em todo o país, desde os seus núcleos de base, com atuações locais, até ações articuladas nacionalmente, deve apresentar ao conjunto da juventude que as meras reformas das políticas de estado, apesar de importantes aos trabalhadores conjunturalmente, não bastam para a transformação estrutural e concreta da realidade. Como exemplo primordial, e demonstrando o acerto tático da UJC, vem sendo a construção dos núcleos e experiências de luta por uma universidade popular além do GTUP (Grupo de Trabalho Nacional de Universidade Popular) apesar de sua recente articulação, que naturalmente traz problemas de organicidade, vem conquistando corações e mentes para um projeto que ultrapassa a simples reforma da Universidade e aponta concretamente o tipo de Universidade e sociedade que queremos.
Tendo a firmeza ideológica e um longo caminho a trilhar de reencontro da UJC com a juventude, está na ordem do dia a juventude comunista dar um salto de qualidade quanto à organização. Para este salto qualitativo em nossa organização são fundamentais as reuniões periódicas dos núcleos da UJC, que possibilitem a compreensão da conjuntura local e consequentemente uma intervenção qualificada, fortalecendo organicamente nossa militância. Soma-se a este salto, o diálogo constante das Coordenações Estaduais com a Coordenação Nacional no sentido da construção coletiva de nossa organização.
Também reafirmamos nosso compromisso com os povos em luta contra o capitalismo e o imperialismo, manifestamos nossa total solidariedade com o povo Paraguaio, o povo Cubano, as mobilizações sociais na Colômbia e todas as mobilizações que visam a superação do capitalismo tendo em vista a construção de uma sociedade socialista.
Nesse sentido, a Coordenação Nacional da UJC, aprovou algumas tarefas a serem executadas de curto e médio prazo neste final de 2012 e início de 2013, como a regularização do repasse das Coordenações Estaduais à Coordenação Nacional, bem como o acúmulo teórico sobre temas ligados a juventude (drogas, aborto, opressões etc.) e a realização dos Seminários Nacionais sobre o mundo do trabalho, o II Encontro dos Estudantes da UJC e o Acampamento de Formação Política.
O cenário que nos leva a intervenções reais e modifica concretamente a realidade está colocado: cada vez mais os trabalhadores são explorados; o Estado vem retirando os direitos sociais em detrimento da ampliação de incentivos e benesses para a burguesia; e a juventude, além de sentir estes efeitos diretos em suas vidas, vive a mercantilização da educação e a precarização de seus empregos. É nossa tarefa, intervir neste cenário e o transformar, no sentido da alteração concreta da realidade.
JUVENTUDE QUE OUSA LUTAR, CONSTRÓI O PODER POPULAR!!
São Paulo, setembro de 2012.
COORDENAÇÃO NACIONAL DA UJC.

domingo, 16 de setembro de 2012

Não tô nem aí pra política...


"Temos os comunistas como camaradas e irmãos, tomando como exemplo de vida a capacidade de luta e de entrega dos dirigentes e militantes do PCB" - Flávio Tavares




Temos os comunistas como camaradas e irmãos, tomando como exemplo de vida a capacidade de luta e de entrega dos dirigentes e militantes do PCB, tão diferente do oportunismo reles que norteia e comanda hoje a política partidária no Brasil

Todas as grandes campanhas nacionais e populares no Brasil do Século XX foram iniciativas do Partido Comunista e, com elas, superamos a óptica atrasada com que o País encarava a sociedade e a vida. A luta pela exploração do petróleo, a defesa da Amazônia, a preservação das riquezas minerais, a denúncia da voracidade dos grandes monopólios privados -- tudo começou como um grito de alerta do PCB, mesmo na ilegalidade. Antes ainda, em 1922, o PCB leva à rua as reivindicações que serão lei na década de 1930, como a jornada de oito horas de trabalho, as férias obrigatórias e o voto feminino. Em 1946, na Constituinte, o direito à participação dos lucros nas empresas é a grande tese do PCB, numa definição socialista em pleno auge do capitalismo.

Bastaria isto para nos orgulharmos do PCB. Os marxistas, como eu, que não pertencemos aos quadros oficiais do partido, nos orgulhamos de ter estado ombro a ombro com o PCB nessas campanhas e, depois, na luta pelas liberdades nos anos da ditadura iniciada em 1964. Por isto, temos os comunistas como camaradas e irmãos, tomando como exemplo de vida a capacidade de luta e de entrega dos dirigentes e militantes do PCB, tão diferente do oportunismo reles que norteia e comanda hoje a política partidária no Brasil.

Em seus 90 anos, o PCB é o grande exemplo de luta social.

Flávio Tavares