segunda-feira, 15 de junho de 2009

CONTRA A MP 458, EM DEFESA DA AMAZÔNIA (Nota Política do PCB)

O Partido Comunista Brasileiro - PCB - vem a público externar seu mais veemente repúdio à Medida Provisória 458, editada pelo governo Lula e aprovada pelo Congresso Nacional, pois se trata de enorme empreendimento imobiliário a favor dos grileiros que, ao longo dos últimos anos, se apropriaram de terras públicas. Conforme denúncia feita pela Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), mais de 67 milhões de hectares (uma área superior ao território da França) foram ocupados irregularmente por grileiros na Amazônia Legal.

A Medida Provisória 458 legaliza o roubo, ao decretar o aumento de tamanho das áreas passíveis de regularização. Ela regulariza, sem licitação, áreas da Amazônia Legal que possuem até 1.500 hectares e cujas posses sejam anteriores a dezembro de 2004. As grandes propriedades podem ser adquiridas por meio de licitação, sendo garantido ao ocupante (ou seja, o grileiro) o "direito de preferência". A MP ainda estabelece que as posses podem ser pagas em até 20 anos!

Sob o argumento oficial de legitimar os pequenos posseiros e combater a criminalidade, o ato do governo favorece justamente os que se apropriaram impunemente de grandes extensões de terras públicas. Valida, assim, a grilagem e contribui grandemente para a aceleração do desmatamento da Amazônia, aprofundando a tendência verificada neste governo de descaracterização da legislação ambiental e de mutilação do código florestal para beneficiar empreendimentos capitalistas, como o latifúndio e o agronegócio.

O grande problema da Amazônia sempre foi a questão fundiária. Foi exatamente a ausência de uma política definida anteriormente que permitiu a ocupação desordenada, o crescimento de uma pecuária de baixíssima produtividade (2 cabeças por hectare enquanto a média nacional é de 7) e de uma extração de madeira que corresponde a 35% do PIB de Rondônia. Agora o governo Lula e o Congresso Nacional, mais uma vez demonstrando de que lado estão na luta de classes, resolvem a questão em favor dos grandes proprietários e do capital.

O PCB, uma vez mais, se posiciona pela vida e contra o capital e se coloca ao lado dos movimentos sociais e ambientalistas, dos povos originários e trabalhadores da Amazônia, em defesa de uma reforma agrária sob controle popular, assim como de uma nova política agrícola voltada à vida e não ao lucro, uma política de autossustentação ecológica que trate o patrimônio ambiental como recurso indispensável à vida e não matéria prima para o lucro privado das corporações capitalistas.

PCB - PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO
Comissão Política Nacional

JUNHO DE 2009

Petróleo em debate: Lobby internacional começa a dar resultado - por: Fernando Siqueira

Temos dito e repetido que os dois segmentos por trás do lobby internacional sobre os três poderes da nossa República são os EUA, que só tem 29 bilhões de barris de reservas e consomem 10 bilhões por ano, e o cartel internacional das 7 irmãs, que já tiveram 90% das reservas mundiais sob o seu domínio e hoje tem cerca de 3% apenas.

O pré-sal brasileiro pode ajudar os Estados Unidos a sobreviver. Esses dois blocos de poder jogam pesado na obtenção de reservas por todo o mundo: suborno, corrupção, assassinato de líderes e invasão de países com reservas de recursos não renováveis como petróleo e minérios estratégicos.

Na era Obama, ao contrário da era Bush, a atuação tem sido mais sutil: massagem no ego do "público alvo". Vejamos alguns exemplos: 1) Obama diz que Lula é o Cara (My men), portanto, o líder mais popular do mundo; 2) Câmara de Comércio Brasil EUA homenageia Gabrielli com o título de "homem do ano"; 3) O Ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foi homenageado pela Câmara Brasileira de Comércio da Grã-Bretanha, no dia 20 de maio, sendo agraciado com o título de "Personalidade do Ano". A solenidade de agraciamento ocorreu em um Jantar de Gala realizado no Hotel Dorchester de Londres, Inglaterra. Falando francamente, não há um único requisito em Lobão para justificar tal título. A não ser o golpe no ego para abrir a sua guarda para as corporações estrangeiras que querem manter a atual legislação do petróleo, favorável a eles. É o lobby domesticando o Lobão.

Portanto, quando Lobão declara, em Londres: "A Petrobrás não pode encarar sozinha a grande tarefa de desenvolver o pré-sal", e acrescenta: "Certamente faremos leilões no próximo ano". É o efeito do novo tipo de assédio.

Lobão disse ainda que espera que o Congresso aprove a proposta do grupo interministerial, encampada pelo presidente Lula, ainda este ano, para retomar os leilões no fim de 2011. Segundo a imprensa, Lobão e Dilma declararam que as áreas serão entregues à empresa que oferecer maior percentual de participação para a União . "Se a Petrobrás não quiser participar dos leilões, é problema dela".

Já vimos filmes parecidos com este: no 6o leilão, a americana Devon ganhou parte do bloco BC-60 oferecendo um percentual de conteúdo nacional inviável (A ANP havia dado um peso de 40% nesse requisito). A Devon, até então parceira da Petrobrás, portanto, sabia da oferta dela, "divorciou" e fez uma proposta vitoriosa pagando menos que a oferta Petrobrás. No 9º leilão, a empresa OGX, do Eike Batista, comprou alguns geólogos da Petrobrás (pagando salários altíssimos) e quando o leilão terminou eles saíram da Petrobrás para aquela empresa. Resultado: a Petrobrás fez oferta para 57 blocos e perdeu cerca de 20 para o Eike.

Relembremos que, já no governo de transição, estivemos com a Dilma e ela perguntou como parar o 5o leilão. Respondemos que ele já estava muito adiantado e que a Petrobrás havia ganhado 75 dos 78 blocos ofertados; portanto, ela deveria cuidar para não haver novos leilões. "Isto é ponto pacífico no Governo Lula", disse ela. Um mês depois, emitiu a portaria no 8 do CNPE mandando a ANP retomar os leilões. Era a plástica ideológica para se credenciar como candidata a presidente. Assim, a nova estatal apregoada, ao que parece, virá para continuar os leilões e, se possível alijar a Petrobrás da competição. Lembremos também que a americana Halliburton comanda a ANP de fato e o Haroldo Lima, de direito.

Logo, é fundamental que todas as entidades e o povo brasileiro vão para as ruas defender essa riqueza que pertence ao povo brasileiro. Se os leilões continuarem, as empresas estrangeiras que ganharem blocos levarão 50% dessa riqueza e ainda terão uma enorme vantagem estratégica: a propriedade do petróleo, contra o Brasil.

*Fernando Siqueira é presidente da Associação de Engenheiros da Petrobras / AEPET

sábado, 13 de junho de 2009

Um retrato honesto da Venezuela (Resenha do livro "A Revolução Venezuelana", de Gilberto Maringoni) - por Igor Fuser


Na lista dos demônios da mídia empresarial, o posto número 1 pertence, disparado, a Hugo Chávez, com sua boina vermelha e língua ferina. Raramente se passa um dia sem que alguma publicação da chamada "grande imprensa" despeje regulares doses de veneno contra o presidente venezuelano, apresentado como louco, fanfarrão, ditador ou incompetente. Essa cantilena se mantém há mais dez anos. Para ser exato, desde o início de 1999, quando o antigo coronel iniciou, após sua chegada ao governo, a transformação de um dos países de estrutura social mais iníqua no planeta - mais de 50% dos habitantes na miséria, em contraste com os lucros nababescos das exportações de petróleo - em uma referência mundial para todos os que cultivam os valores da justiça e da igualdade.

O livro de Gilberto Maringoni (A Revolução Venezuelana, Editora Unesp, 2009) merece ser saudado com um antídoto perfeito contra a manipulação informativa que, na imprensa brasileira, atingiu as raias de uma lavagem cerebral. Jornalista e historiador, Maringoni fala de um tema que conhece em primeira mão. Viajou várias vezes à Venezuela e lá entrevistou quase todos os nomes que valiam a pena no tumultuado enredo político local - dos caciques da oposição conservadora, como Teodoro Petkoff, às figuras mais graduadas do regime esquerdista, entre as quais o próprio Chávez, além das mais variadas fontes na esfera acadêmica.

Com dados confiáveis em mãos, o autor desvenda o enigma oculto sob a campanha midiática anti-chavista: como é possível que um caudilho supostamente tão desastrado mantenha altíssimos índices de apoio popular durante tanto tempo? É errado reduzir, como insistem os detratores da experiência venezuelana, o prestígio de Chávez à bonança petroleira da última década. O Venezuela já viveu outros períodos de alta dos preços do petróleo, sem que a população tivesse tido acesso a mais do que umas magras migalhas do banquete. A marca da gestão chavista é algo que as primeiras gestões municipais petistas defendiam no Brasil e que, lamentavelmente, diluiu-se no lodaçal dos compromissos com as classes dominantes: a inversão das prioridades em favor das multidões oprimidas, ainda que ao preço do confronto aberto contra as elites privilegiadas.

Na Venezuela, os gastos sociais aumentaram de 8,2% do PIB, em 1998, para 13,6% em 2006. Os índices de pobreza caíram de 55,1% para 27,5%. O salário mínimo se elevou numa escala sem precedentes em qualquer outro país do chamado Terceiro Mundo e milhões de venezuelanos passaram a ter acesso a uma infinidade de benesses antes inalcançáveis - desde serviços essenciais, como assistência médica e dentária, aos ícones do consumo descartável, como telefones celulares. Nesse cenário em que a mudança passa do plano da retórica para a existência cotidiana, torna-se fácil entender porque Chávez foi vitorioso em todas as freqüentes consultas eleitorais que promoveu, com apenas uma exceção.

O grande mérito de Maringoni é que ele não se limita a salientar as conquistas do processo político venezuelano, mas também aponta, sem medo de entrar em polêmica com os defensores mais entusiastas do chavismo, os limites do festejado "socialismo do século XXI". Concretamente: após dez anos de "revolução bolivariana", o velho modelo de desenvolvimento dependente latino-americano, erigido com base na exportação de produtos primários (no caso, o petróleo), permanece inalterado. Os ganhos desse modelo, é verdade, passaram a beneficiar, pela primeira vez, a maioria da população, sobretudo depois que Chávez retirou a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) das mãos da camarilha que a controlava, enquadrando a empresa sob o controle público. Mas o caminho ainda está no seu início: "O Estado continua ineficiente, lerdo, corrupto e avesso às interferências populares", escreve o autor.

Mesmo que seja prematuro falar em uma verdadeira revolução na Venezuela, é inegável que o governo de Chávez mudou a face política daquela sociedade e, em certa medida, de toda a América do Sul. A influência venezuelana se faz presente em todo um conjunto de países onde, pela primeira vez, o poder de Estado passa a ser exercido em benefício das maiorias. Como afirma Maringoni, referindo-se à época de ofensiva conservadora mundial pós-1989: "A Venezuela é, com todos os problemas, o país onde mais se avançou, nesse período, na contestação ao neoliberalismo e no questionamento do poder global dos Estados Unidos." Aí reside a explicação para o ódio que Chávez desperta entre os donos da mídia brasileira e internacional. Ele é, de fato, um sapo difícil de engolir.

(*) Igor Fuser é jornalista, professor na Faculdade Cásper Líbero, mestre em Relações Internacionais, doutorando em Ciência Política na Universidade de São Paulo e membro do Conselho Editorial do Brasil de Fato.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A tragédia da GM: O sistema revida - por Rick Wolff [*]


Cartoon de Patrick Chapatte.











A maior tragédia entre as muitas do colapso e bancarrota da General Motors refere-se ao que não está a acontecer. Há soluções para os problemas da GM que não estão a ser consideradas pela administração de Obama. Há as soluções que não estão a ser reivindicadas pela United Auto Workers Union (UAW). Há todas as soluções que não não estão a ter a atenção que merecem.

Vamos começar com um exemplo desta última. Durante 50 anos, o mercado mundial para automóveis cresceu espectacularmente. A companhia melhor posicionada para aproveitar aquela maré ascendente era a GM, a líder do mercado global durante a maior parte desse período. Ao invés disso, a GM fracassou catastroficamente. Aqueles responsáveis, que planearam, coordenaram e competiram fracamente, têm um nome. Eles são o Conselho de Administração da corporação: o punhado de indivíduos escolhidos pelos e responsáveis perante o punhado de grandes accionistas da GM. Aquele Conselho de Administração demonstrou ao longo de décadas que não dispunha de entendimento, visão e flexibilidade para ter êxito. A subida da maré é suposta levantar todos os barcos, mas o capitão da GM conseguiu afundar o seu barco.

O presidente Obama prometeu não interferir nas decisões do próximo Conselho de Administração da GM pós-bancarrota apesar de o governo ser o maior accionista da empresa. Ele mais uma vez prometeu vender rapidamente as acções do governo para "reprivatizar" a GM (e promete o mesmo para bancos, companhias de seguros e outras corporações que entraram em colapso e foram ressuscitadas por infusões de dinheiro do contribuinte). O plano de Obama devolve a tomada de decisões aos mesmos Conselhos de Administração que acabaram de provocar o pior crash económico em 75 anos.

A bancarrota da GM cortou empregados bem como salários e benefícios dos trabalhadores remanescentes. Isto mais uma vez prejudicará os já cambaleantes estados do Meio Oeste, dependentes da indústria automobilística. Se a nossa cultura fosse menos subserviente aos interesses e mentalidades capitalistas, o governo teria desenvolvido – anos atrás, mas certamente durante o ano passado assolado pela crise – grandes planos para manter o emprego e a economia regional através da conversão de fábricas automobilísticas encerradas em, por exemplo, produção de sistemas de transportes em massa ecologicamente sensíveis. Esta seria uma indústria em crescimento pois muitas regiões procuram reduzir o dano ecológico provocado pelos sistemas de transporte baseados no automóvel privado. Os apoiantes de Obama conversam acerca dessas coisas, mas a sua administração não as faz.

O governo poderia igualmente ter desenvolvido programas para utilizar fábricas encerradas, armazéns e salas de exposição para ajudar trabalhadores despedidos a organizarem e operarem as suas próprias empresas. Por uma minúscula fracção dos milhares de milhões dados aos bancos, o governo poderia financiar tais trabalhadores a utilizarem as suas qualificações, as suas grandemente inexploradas capacidades administrativas e o seu conhecimento das necessidades locais bem como o seu compromisso para com elas. Isto, também, não está a acontecer.

A UAW não teve dúvida em aceitar os termos horríveis do plano de bancarrota da GM de Obama porque caso contrário a bancarrota era uma ameaça ainda pior para trabalhadores. Foi "o melhor acordo possível nas circunstâncias". Contudo, aquelas circunstâncias poderiam ter sido diferentes se a UAW e os seus aliado houvessem começado a combater por eles mais cedo. Suponha-se, por exemplo, que a UAW, outros sindicatos e a esquerda política houvesse combatido e aprovado leis que obrigassem o governo a financiar investimentos maciços em novas empresas (produzindo coisas novas e organizadas de novas maneiras) sempre que capitalistas privados efectuassem despedimentos colectivos de trabalhadores em grande número. Nesse caso a UAW não teria tido de aceitar a espécie de acordo horroroso que Obama e a GM acabam de empurrar sobre eles. Os trabalhadores da UAW teria recusado porque teriam sabido que o governo era obrigado a proporcionar-lhes novos empregos, empresas e novos apoios se fossem despedidos com a bancarrota da GM. Os custos do governo com o salvamento da GM através da bancarrota teriam tido de incluir as despesas de proporcionar os novos empregos e apoios aos trabalhadores despedidos. O governo podia então ter feito forte pressão sobre a GM por um salvamento com muito menos empregos perdidos. Em qualquer caso, se tais leis tivessem sido aprovadas, os membros da UAW despedidos numa bancarrota não enfrentariam o desemprego nem as suas comunidades enfrentaria a devastação agora a caminho.

A questão é que nada na tragédia Obama-GM era necessário ou inevitável. As lutas políticas não travadas e as leis não aprovadas criaram as circunstâncias que levaram a UAW a capitular à bancarrota de Obama como opção menos penosa. Os apologistas automáticos do status quo estão errados na sua recusa a falar do que poderia ter acontecido. O que pode ter sido – mas não venceu ou mesmo nem se combateu por isso – determina os sofrimentos em massa de hoje à medida que a tragédia da GM se desdobra. Sem alianças passadas trabalho-esquerda a lutarem por leis tais como as que o exemplo acima descreve, o caminho estava limpo para a GM e Washington conceberem uma opção para a UAW que tornou os seus membros perdedores de qualquer maneira.

A GM jogava de acordo com as regras do sistema capitalista. Primeiro, ela sempre procurou lucrar tratando os seus empregados tão duramente quanto possível e pagando-lhes tão pouco quanto podia. Segundo, a GM assegurou o mercado dos EUA para os seus carros e camiões ao bloquear o desenvolvimento de transporte em massa de alta qualidade no país. Os trabalhadores da indústria automobilística combateram, através da UAW, e acabaram por ganhar salários e benefícios decentes que se tornaram objectivos para todos os outros sindicatos e trabalhadores durante décadas. Os esforços dos cidadãos dos EUA para obter transporte em massa de qualidade fracassaram (daí os sistemas de transporte em massa muito superiores da Europa).

Sob a regras do capitalismo, salários decentes e condições de trabalho conquistadas pela UAW levaram a GM a revidar levando a produção para onde os salários e os benefícios fossem mais baixos. Portanto, a produção de veículos da GM dentro dos EUA atingiu o pico no fim da década de 1970 (mais de 6 milhões) e desde então caiu constantemente (mais de 2 milhões em 2008). A GM lucrava mais com o trabalho muito mais barato na China, Brasil, Índia e alhures . Os grandes perdedores foram as centenas de milhares de despedidos, os aposentados, os poucos trabalhadores ainda empregados na indústria automobilística e toda a gente em Detroit e todas as outras comunidades devastadas em consequência. A bancarrota da GM desta semana cria ainda mais perdedores a fim de "reconstruir a lucratividade da GM".

Trabalhadores que têm êxito na luta por salários e condições de trabalho decentes acabam sempre por descobrir que o sistema revida. É assim que o capitalismo funciona, como os capitalistas lucram. Os republicanos e os sósias democratas servem orgulhosamente tal sistema. E a lição para os trabalhadores da GM e demais é .........?
estão a ser discutidas pela maior parte dos comentadores de esquerda acerca do desastre. Finalmente, há aspectos cruciais da morte da GM que

[*] Professor de Economia na Universidade de Massachusetts – Amherst. Autor de muitos livros e artigos , incluíndo (c/ Stephen Resnick) Class Theory and History: Capitalism and Communism in the USSR (Routledge, 2002) e (c/ Stephen Resnick) New Departures in Marxian Theory (Routledge, 2006). Acerca da crise económica actual ver o seu filme documentário Capitalism Hits the Fan, em www.capitalismhitsthefan.com .

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 11 de junho de 2009

REPÚDIO AO GOVERNO PERUANO SOLIDARIEDADE AOS INDÍGENAS AMAZÔNICOS (Nota Política do PCB)

O PCB vem se solidarizar com as lutas dos povos indígenas da selva peruana, na defesa da sua cultura e da preservação do ambiente amazônico, contra a selvageria do capitalismo, que está exterminando as espécies e a biodiversidade da região, bem como contribuindo para o desaparecimento das populações que lá vivem há milhares de anos.

O governo conservador de Alan Garcia, com seu projeto neoliberal entreguista, tem agido de maneira ilegal e violenta para beneficiar os interesses norte-americanos na exploração do petróleo e das riquezas naturais daquele país.

Alan Garcia feriu o acordo da IV Assembléia Continental dos Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala, assim como jogou na lata de lixo o convênio 169 da OIT, que defende o trabalho dessas populações, do qual o Peru é signatário. Tudo isso para continuar a sua servidão aos EUA através do espúrio Tratado de Livre Comércio (TLC).

Repudiamos o massacre contra os povos indígenas, que vem sendo cometido pelas tropas do governo peruano nos últimos dias.

Conclamamos todas as organizações políticas e sociais e personalidades democráticas e de esquerda a criarmos no Brasil uma ampla ação de solidariedade aos indígenas e ao povo peruano em geral, em sua luta contra o governo neoliberal e repressivo peruano.

Todo apoio às lutas dos povos indígenas do Peru

Pela preservação da Amazônia

Pelo repúdio ao governo Alan Garcia

PCB – Partido Comunista Brasileiro

Comitê Central

Junho de 2009

Nota política do PCB sobre a invasão policial da USP

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público manifestar seu mais veemente repúdio à ação brutal da Polícia Militar verificada ontem, dia 09 de junho, contra estudantes, professores e funcionários da USP. A invasão do campus universitário, com tropas de choque, tiros e bombas é uma violência insana que lembra os piores momentos da ditadura militar. O PCB entende que é inaceitável a presença da PM no campus universitário e que estas tropas devem se retirar imediatamente das dependências da USP.

Esta invasão é o reflexo de um gradual processo de criminalização dos movimentos sociais em nosso país, particularmente no Estado de São Paulo. Portanto, não há novidade nesse vergonhoso episódio. A emblemática invasão do Campus da Unesp de Araraquara, em 2007, inaugurou o “ciclo” da perseguição de estudantes, funcionários e professores das Universidades do Estado de São Paulo, do “prendo e arrebento” e do “diálogo acadêmico” com a tropa de choque. Os reitores das Universidades estaduais paulistas e o Cruesp, transformaram-se em gendarmes acadêmicos do governador Serra e de seus cacoetes autocráticos de pequeno Napoleão da Moóca.

A reivindicação dos funcionários, estudantes e professores das três Universidades é mais do que justa e pressupõe a defesa dessas importantes instituições agredidas constantemente pela fúria privatista do governador Serra e de seus aliados. Além das reivindicações salariais, os trabalhadores das Universidades públicas de São Paulo estão lutando por mais verbas para a educação, por melhoria das condições de trabalho e de estudo, por mais de pesquisa e, o que se constitui como ponto central: a contratação de professores e a ampliação de vagas.

O governo Serra, com a conivência do Cruesp, tenta implantar aceleradamente o programa de educação à distância, alegando a “democratização” do acesso às Universidades públicas do Estado. No entanto, especialistas e pedagogos têm criticado essa modalidade “educacional” porque o ensino presencial é fundamental para a formação de profissionais. Essa medida esconde a intenção de desmonte da Universidade pública, de reduzir a contratação de professores e de terceirizar as atividades docentes e funcionais dessas instituições de ensino e de pesquisa. O PCB repudia essa política de lesa-universidade, profundamente prejudicial à democracia, à sociedade e ao desenvolvimento científico do Estado de São Paulo.

Diante destes fatos, os comunistas entendem que é insustentável a permanência da senhora Suely Vilela na reitoria da USP, por sua conduta autoritária e arrogante e por sua opção pela truculência saudosista da ditadura militar. EXIGIMOS sua imediata renúncia e a eleição direta para o cargo de reitor, com a ampla e democrática participação de toda a comunidade acadêmica! Exigimos a imediata retirada das tropas policiais da USP. Exigimos a reabertura das negociações com o Fórum das Seis e a reintegração do companheiro Brandão nos quadros de funcionários da USP. Exigimos o fim das perseguições aos sindicalistas e estudantes.

Comissão Política Nacional do PCB

Junho de 2009

Humor & pensamento crítico

Debelado foco guerrilheiro na USP

Em primeiro plano: guerrilheiro comunista se prepara para desferir um ataque cruel contra os soldados da Força Pública.

Em primeiro plano: guerrilheiro comunista se prepara para desferir um ataque cruel contra os soldados.

A Força Pública de São Paulo em um ato de bravura e dedicação ímpar a Pátria, venceu com brilhantismo e galhardia a feroz batalha contra os guerrilheiros comunistas que haviam tomado de assalto a USP e lá estabelecido um núcleo guerrilheiro em pleno território da prosperidade e do altivo progresso econômico que é essa verdadeira Suíça brasileira.

Combatente comunista desfere cabeçadas covardemente contras as mãos do soldado quase lhe causando fraturas no pulso.

Combatente comunista desferindo cabeçadas covardemente contra as mãos dos soldados quase lhes causando fraturas no pulso.

A ação comunista começou quando um grupo de guerrilheiros fortemente armados tentou emboscar alguns soldados que apesar de estarem em menor número resistiram bravamente, impondo forte baixas aos inimigos vermelhos.

Guerrilheiro armado com um caderno recheado de explosivo plástico se prepara para atirá-la nos PMs.

Guerrilheiro pesadamente armado com um caderno recheado de explosivo plástico se prepara para atirá-lo nos PMs.

Logo, voluntários patriotas da Força Pública que defende São Paulo cerraram fileiras na luta contra os combatentes marxistas e mesmo com seu armamento modesto, mas com muita bravura, fora derrotando pouco a pouco os subversivos e graças a sagacidade de seus comandantes, os policiais lograram êxito em capturar um dos líderes de guerrilha, elemento extremamente perigoso.

Um dos princípais líderes da guerrilha capturado pelas forças de segurança sendo levado para interrogatório.

Um dos principais líderes da guerrilha capturado pelas forças de seguranças sendo levado para interrogatório. A CIA já enviou um representante para obter mais informações sobre o grupo.

Com muita tenacidade, os representantes da Lei e da Ordem, foram conseguindo virar o jogo, apesar de terem começado o combate em situação inferior.

Já desesperados, os comunistas atiraram flores envenenadas na tentativa de matarem os soldados de alergia ou choque anafilático.

Desesperados, os comunistas arremessavam flores envenenadas na tentativa de matarem os soldados de alergia ou choque anafilático.

Já em fuga, os combatentes ilegais marxistas tentaram se refugiar na FFLCH mas foram sitiados e derrotados e o triunfo coube aos leais defensores dos homens bons aos quais parabenizamos e emocionados agradecemos.

Além de perigosos os comunistas são mal educados e soltavam pum em grande quantidades obrigando os soldados e espargirem Bom Ar no ambiente para poderem respirar.

Além de perigosos os comunistas eram mal educados e soltavam pum em grande quantidades obrigando os soldados e espargirem Bom Ar no ambiente para poderem respirar melhor.

Avantes irmãos soldados do bem com fé suprema em São Serapião, aqui não há quem vos derrote e nem quem desafie vossa galhardia! Alvíssaras!!!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Dirigente indígena peruano garantiu que mortos pela repressão superariam a 100

Peru

Caracas, 08 Jun. ABN.- O dirigente do Comitê de Defesa da Associação Inter-étnica do Desenvolvimento da Selva Peruana (Aidesep) Shapion Noningo denunciou nesta segunda-feira numa entrevista com YVKE que a cifra de mortos em Baguá, Perú, poderia superar os 100 após a repressão policial iniciada na sexta-feira passada.

Em sua declaração, o membro da organização esclareceu igualmente que ainda é difícil determinar a cifra definitiva de vítimas devido ao toque de recolher e à suspensão das garantias constitucionais impostos pelo governo de Alan García.

Os povos indígenas peruanos que habitam a região da Amazônia reclamam há 50 dias a derrogação de vários decretos que permitem a privatização das terras dessa zona.

Frente aos protestos das comunidades originárias, o Governo peruano ordenou uma violenta repressão contra as pessoas que participavam deles.

O presidente García acusou os indígenas de ter uma suposta colaboração estrangeira, ao que Noningo sustentou que a luta dos povos amazônicos não se subordina a nenhum outro país ou Governo.

A partir das comunidades aborígenes se está exigindo o respeito à constituição peruana e aos direitos dos povos originários, indicou o dirigente.

Recordou que sua luta se iniciou contra os decretos- leis emitidos pela administração de García, que lesionam a soberania do país e permitem a privatização das terras e a entrega dos recursos naturais do Peru.

Fonte: Agencia Bolivariana de Noticias


Lideranças de 56 etnias indígenas da amazônia peruana intensificam os protestos contra política do presidente Alan García

Lideranças de 56 etnias indígenas da amazônia peruana intensificam os
protestos contra a política do presidente Alan García.

Cúpula social amazônica culpa Presidente peruano por mortes

Lima, 8 jun. (PL) - Um encontro de organizações sociais da Amazônia peruana responsabilizou o presidente Alan García pelas dezenas de mortes registradas nos últimos dias nessa região.


A Cúpula Social Amazônica, realizada na cidade de Tarapoto, na região norte-selvática de San Martín, assinalou que o mandatário ordenou os atos de violência e anunciou denuncias ante instâncias internacionais como a Corte Penal Internacional.


Também declarou uma semana de dolo regional pelas mortes registradas na sexta-feira e no sábado no desalojo de uma estrada bloqueada por indígenas e de uma estação do Oleoduto Norte Peruano.


A reunião celebrada no fim de semana exigiu ademais a renúncia do gabinete ministerial encabeçado pelo primeiro-ministro Yehude Simon.

A cúpula acusou Simon, a ministra do Interior Mercedes Cabanillas e o presidente do Congresso Javier Velásquez de desenvolver uma campanha de desinformação para eludir a responsabilidade do presidente García.

A campanha sustenta que os fatos de violência seriam produto de um complô extremista desestabilizador e antidemocrático que manipulou os indígenas, no qual estariam envolvidos interesses estrangeiros, ainda que o governo não apresente nenhuma prova.


O encontro das organizações sociais denunciou ao mesmo tempo a perseguição desatada contra o presidente da Associação Inter-étnica da Selva Peruana (Aidesep) Alberto Pizango e rechaçou a criminalização dos protestos.

A captura de Pizango, acusado pelo executivo de sedição, rebelião e outros delitos graves, foi ordenada no sábado por uma juíza, após pressões governamentais denunciadas e condenadas pelo presidente da Corte Suprema Javier Villa.

O dirigente está na clandestinidade e não se entregará nem buscará asilo no exterior, segundo afirma seu advogado.

A Cúpula Social Amazônica declarou por outra parte heróis os civis caídos que, segundo o encontro, sacrificaram suas vidas em defensa dos direitos amazônicos e dos recursos naturais da Nação.

Os protestos indígenas, iniciados em 9 de abril, pressionavam pela anulação de nove decretos que entregarão a selva às transnacionais e que foram ditados em acatamento ao tratado de livre comércio (TLC) com os Estados Unidos.

Exige-se o levantamento do toque de recolher de 15 horas estabelecido em Baguá e na localidade de Utcubamba e do estado de emergência decretado em 130 províncias da região selvática.

A cúpula garantiu sua participação numa Jornada Nacional de Luta convocada para a próxima quinta-feira por um bloco de organizações sociais nacionais em solidaridade com os indígenas amazônicos.

Fonte: Prensa Latina

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Repressão sangrenta na Amazônia Peruana Pelo julgamento internacional de Alan García Pérez e seu governo!

Dezenas de mortos! Precisamos realizar manifestações em frente às embaixadas peruanas de todos os países, em cumprimento ao acordo da IV Assembleia Continental dos Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala [América na língua maia]

O governo aprista de Alan García Pérez desatou uma repressão sangrenta na Amazônia Peruana na madrugada de hoje. As informações são confusas, não há números oficiais, mas sabemos que há entre dez e vinte os mortos em Bagua, zona de Corral Quemado e Curva del Diablo. Novamente se pretende impor a morte sobre a vida, o massacre sobre o diálogo. É a resposta ditatorial para os 56 dias de luta pacífica indígena e de supostos diálogos e negociações que terminam nas balas de sempre, as mesmas de mais de 500 anos de opressão.

Hoje mais que nunca é urgente cumprir o acordo da IV Assembleia Continental dos Povos e Nacionalidades Indígenas de Abya Yala (Puno, Peru, 27 a 31 de maio) e fazer efetiva a nossa solidariedade com os povos amazônicos peruanos, acampando em frente às embaixadas do Peru em todos os países, todos os dias, até que se detenha o banho de sangre e se revoguem os decretos legislativos do TLC [Tratado de Livre Comércio] com os Estados Unidos. Devemos impulsionar o julgamento internacional de Alan García Pérez e seu governo, por seu entreguismo e pela repressão que já soma, pelo menos, dez mortos.

Tudo isso ocorre poucas horas após o Congresso, em um ato desaforado de provocação, postergar novamente o debate sobre a revogação dos decretos legislativos favoráveis ao TLC, que facilitam a invasão dos territórios indígenas - no exato momento em que o Poder Executivo enviava novos e numerosos contingentes policiais para a Amazônia.

Chamamos as organizações indígenas, os movimentos sociais e organizações de direitos humanos de todo o mundo, a realizarem ações concretas: cartas ao governo peruano, ao Relator Especial das Nações Unidas para os Povos Indígenas, à Anistia Internacional, ao Survival International, aos ganhadores do Prêmio Nobel da Paz, à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, à Organização Internacional do Trabalho (Convênio 169), para que enviem de imediato missões ao Peru, para deter esta violência e para que se respeitem os direitos indígenas.

Os organismos da ONU devem pronunciar-se com firmeza, somando-se à demanda apresentada pela presidenta do Fórum Permanente para as Questões Indígenas, Victoria Tauli, de que seja suspenso o estado de emergência, que não se use da repressão e que se cumpra com as normas internacionais que garantem o exercício dos direitos indígenas.

Basta de repressão!

Rovogação imediata dos decretos legislativos anti-indígenas do TLC!

Lima, 05 de junho de 2009

CAOI - Coordenação Andina de Organizações Indígenas
Bolivia, Ecuador, Perú, Colombia, Chile, Argentina

(tradução de Rodrigo Fonseca)